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Ouro acima de US$ 4.500: Por que o metal brilhou e o que isso significa para o seu bolso

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Ouro acima de US$ 4.500: Por que o metal brilhou e o que isso significa para o seu bolso

Na manhã de quarta‑feira (24) a cotação do ouro ultrapassou a marca dos US$ 4.500 por onça (31,1 g). Se você acompanha notícias de economia, já deve ter percebido que esse número não aparece do nada. Por trás desse salto há uma combinação de fatores que vale a pena entender, principalmente se você pensa em proteger o patrimônio ou até mesmo investir em metais preciosos.

O que moveu o preço do ouro?

Dois grandes motores explicam a alta recente:

  • Expectativa de corte de juros nos EUA: O Federal Reserve (Fed) sinaliza que pode continuar reduzindo a taxa básica de juros ao longo de 2025. Quando a taxa cai, o dólar tende a enfraquecer e os ativos em moeda forte perdem atratividade. O ouro, que é cotado em dólares, se beneficia desse cenário, pois fica mais barato para quem paga em outras moedas.
  • Tensão geopolítica entre Estados Unidos e Venezuela: O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que seria “inteligente” que Nicolás Maduro deixasse o poder. Desde então, os EUA reforçaram bloqueios a navios petroleiros sancionados e aumentaram a presença naval no Caribe. Conflitos assim aumentam a incerteza global e, historicamente, acionam o ouro como “ativo refúgio”.

Esses dois elementos se combinaram nas negociações asiáticas, impulsionando o preço para US$ 4.519,78 (cerca de R$ 24.940) por onça. Desde o início de 2025, o ouro já acumulou uma valorização de aproximadamente 70%.

Por que o ouro é chamado de “ativo refúgio”?

Quando a economia parece instável – seja por inflação alta, crises políticas ou desaceleração – investidores procuram algo que não dependa de promessas de governo ou de empresas. O ouro tem três qualidades que o tornam especial:

  • Escassez física: Não pode ser criado de forma ilimitada, ao contrário de dinheiro fiduciário.
  • História de preservação de valor: Por séculos, o metal manteve seu poder de compra.
  • Não correlacionado com mercados de ações: Quando bolsas caem, o ouro costuma subir.

É por isso que, em momentos de tensão – como a disputa entre Washington e Caracas – o ouro costuma receber mais atenção.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Se você tem dinheiro guardado em conta corrente, em CDBs ou até mesmo em ações, pode estar se perguntando se deveria diversificar para o ouro agora. Aqui vão alguns pontos práticos:

  1. Proteção contra a desvalorização do real: Quando o dólar sobe, o preço do ouro em reais também sobe. Se a sua renda está atrelada ao real, o ouro pode funcionar como uma espécie de seguro.
  2. Liquidez: Hoje, comprar ouro físico (barras ou moedas) é fácil através de corretoras ou bancos. Também há fundos de ouro e ETFs que permitem negociar como uma ação.
  3. Custos de armazenagem: Ouro físico exige um local seguro (cofre, caixa de banco). Isso gera custos que não existem nos fundos.
  4. Volatilidade: Apesar da reputação de estabilidade, o ouro pode oscilar bastante no curto prazo. Não é um investimento de “ganho rápido”.

Em resumo, o ouro pode ser um bom complemento para quem já tem uma carteira diversificada, mas não deve ser a única aposta.

O que dizem os especialistas?

Analistas de mercado apontam que a alta do ouro não é só reflexo da política monetária americana. A tensão geopolítica, a valorização de outros metais como prata, cobre e platina, e o otimismo sobre a economia dos EUA (com crescimento de 4,3% no terceiro trimestre) criam um cenário complexo.

Alguns acreditam que, se o Fed mantiver os juros estáveis por mais tempo, o ouro pode consolidar a faixa dos US$ 4.500 a US$ 4.800. Outros alertam que, caso o crescimento americano desacelere ou haja resolução das tensões no Caribe, o preço pode recuar rapidamente.

Histórico recente: o ouro em 2024 e 2025

Para colocar em perspectiva, veja como o ouro evoluiu nos últimos anos:

  • 2022: cerca de US$ 1.800 – início de alta devido à guerra na Ucrânia.
  • 2023: ultrapassou US$ 2.000, impulsionado por inflação alta nos EUA.
  • 2024: chegou a US$ 3.800, com temores de recessão e políticas de juros agressivas.
  • 2025 (até hoje): mais de 70% de valorização, culminando em US$ 4.500.

Essa trajetória mostra que o ouro tem sido um termômetro das incertezas globais.

Perspectivas para 2026

Olhar adiante pode ser útil para quem pensa em planejamento de longo prazo. Dois cenários principais são discutidos pelos economistas:

  1. Cenário otimista: O Fed continua a cortar juros, a economia americana mantém crescimento acima de 3% e as tensões geopolíticas se acalmam. Nesse caso, o ouro poderia estabilizar entre US$ 4.200 e US$ 4.600, oferecendo um retorno sólido para quem entrou em 2025.
  2. Cenário de risco: Uma escalada de conflitos (por exemplo, nova crise no Caribe) ou um choque inflacionário nos EUA faria o ouro subir ainda mais, possivelmente ultrapassando US$ 5.000.

Ambos os caminhos têm implicações para quem pensa em comprar ouro agora. Se o objetivo é proteção, entrar antes de um possível salto pode valer a pena. Se a meta é retorno rápido, talvez seja melhor esperar por correções de preço.

Dicas práticas para quem quer começar

  • Defina o objetivo: Proteção de patrimônio, diversificação ou especulação?
  • Escolha a forma de investimento: Ouro físico, fundos de ouro ou ETFs.
  • Avalie custos: Taxas de corretagem, custódia, seguro para ouro físico.
  • Monitore o cenário: Fique de olho nas decisões do Fed e nas notícias geopolíticas.
  • Não coloque tudo no ouro: Uma alocação de 5% a 10% do portfólio costuma ser recomendada para a maioria dos investidores.

Conclusão

O ouro ultrapassar US$ 4.500 não é só um número bonito; ele reflete a combinação de política monetária americana, tensões internacionais e o clima de otimismo nos mercados de ações. Para quem tem dúvidas sobre onde colocar o dinheiro, o metal oferece uma opção de proteção, mas não sem custos e riscos.

Se você ainda não tem ouro na carteira, talvez seja a hora de estudar um pouco mais, conversar com seu assessor e decidir se faz sentido incluir esse ativo entre seus investimentos. Lembre‑se: diversificar é sempre a melhor estratégia para enfrentar a incerteza.

E você, já pensou em investir em ouro? Compartilhe nos comentários como tem sido sua experiência com ativos de refúgio.