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Os 5 golpes que vão bombar em 2026 – como se proteger antes que seja tarde

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Os 5 golpes que vão bombar em 2026 – como se proteger antes que seja tarde

Se você já recebeu aquela mensagem suspeita dizendo que tem um dinheiro do governo esperando por você, não está sozinho. Essa tática, conhecida como “conto do vigário do dinheiro esquecido”, voltou com força total e, segundo especialistas, vai se tornar ainda mais comum em 2026. O que mudou? A inteligência artificial (IA) está ajudando os fraudadores a criar textos, áudios e até vídeos tão convincentes que até os mais cautelosos podem cair.



Nos Estados Unidos, a Comissão Federal de Comércio (FTC) registrou um salto assustador: entre 2020 e 2024, adultos acima de 60 anos que perderam mais de 10 mil dólares em golpes quadruplicaram. Os prejuízos acima de 100 mil dólares subiram de US$ 55 milhões para US$ 445 milhões. E isso é só o que foi denunciado – a maioria das vítimas nem chega a registrar queixa.



Mas o que isso tem a ver com a gente, aqui no Brasil? Muito. A crise econômica, o desemprego e a busca por benefícios sociais criam um terreno fértil para esses golpes. O que vale hoje pode mudar amanhã, e estar preparado faz toda a diferença.

A seguir, apresento os cinco tipos de fraude que os especialistas da AARP (Associação de Aposentados dos EUA) apontam como os mais perigosos para 2026, e, claro, como se defender de cada um deles.

1. Golpes de recuperação (ou “recuperação de dinheiro”)

Imagine perder dinheiro em um investimento e, logo depois, receber a promessa de alguém que vai recuperar o valor para você – mediante uma taxa. Parece boa notícia, mas é a clássica armadilha de quem já caiu antes. Os golpistas ainda se aproveitam do chamado aliciamento financeiro, criando um relacionamento online para empurrar investimentos falsos, principalmente em criptomoedas.

Como se proteger:

  • Desconfie de quem cobra taxa adiantada. Se alguém pede pagamento via cartão‑presente, criptomoeda ou transferência bancária, fuja imediatamente.
  • Pesquise o nome da empresa ou pessoa. Use palavras‑chave como “golpe”, “fraude” ou “reclamação” no Google.
  • Nunca compartilhe documentos pessoais ou senhas com quem oferece “recuperação”.

2. Prisão digital

Esse golpe chegou ao Brasil por meio de vídeos deepfake. Você recebe uma ligação ou mensagem dizendo que está sendo investigado por um crime grave. O suposto agente usa imagens falsas, documentos adulterados e até gravações de voz geradas por IA para intimidar. O objetivo? Você pagar uma suposta multa ou acordo para “evitar a prisão”.

Como se proteger:

  • Desligue o telefone ou encerre a chamada. A polícia nunca resolve processos por telefone.
  • Não clique em links ou baixe arquivos enviados por desconhecidos.
  • Se houver dúvida, procure a delegacia ou o site oficial da polícia para confirmar a situação.

3. Golpe do “Olá, pervertido”

Um clássico da chantagem digital: o golpista afirma que hackeou seu computador, gravou você visitando sites adultos e ameaça divulgar tudo para sua família, amigos ou chefe. Geralmente enviam PDFs ou arquivos zip com supostas provas, pedindo pagamento imediato.

Como se proteger:

  • Não abra anexos de remetentes desconhecidos. Exclua a mensagem sem responder.
  • Mantenha seu antivírus atualizado e evite acessar sites duvidosos.
  • Lembre‑se: a maioria dessas provas são falsas – criadas por IA ou editadas.

4. Falso romance (catfishing)

Os golpes românticos evoluíram. Hoje, o fraudador cria perfis perfeitos em apps de namoro, usa fotos de bancos de imagens e, pouco a pouco, constrói uma relação de confiança. Quando a “paixão” está estabelecida, ele pede dinheiro para supostos problemas de saúde, viagens ou investimentos em cripto.

Como se proteger:

  • Mantenha a conversa dentro da plataforma de namoro. Se a pessoa quiser mudar para WhatsApp ou outro canal logo no início, desconfie.
  • Observe sinais de “love bombing”: demonstrações exageradas de afeto nos primeiros dias.
  • Exija um encontro presencial ou, no mínimo, uma videochamada. Se a pessoa sempre tem desculpas, algo está errado.

5. Golpes de emprego

Com a alta taxa de desemprego, vagas falsas são um prato cheio para os golpistas. Eles se passam por recrutadores, enviam ofertas de trabalho remoto com salários irresistíveis e pedem documentos pessoais ou pagamento de taxa para “processamento da vaga”.

Como se proteger:

  • Nunca pague para conseguir um emprego. Empresas sérias nunca cobram taxas.
  • Verifique a vaga no site oficial da empresa. Ligue para o RH usando o telefone encontrado no site, não o número que o suposto recrutador enviou.
  • Desconfie de promessas de altos salários por poucas horas de trabalho. Se parece bom demais para ser verdade, provavelmente é.



Por que a IA está mudando o jogo?

A inteligência artificial permite criar textos persuasivos em segundos, gerar vozes que imitam autoridades e produzir deepfakes que parecem reais. Ferramentas como o ChatGPT, DALL·E e geradores de voz são acessíveis a qualquer pessoa, inclusive a criminosos. Isso significa que, em 2026, a linha entre o legítimo e o fraudulento ficará ainda mais tênue.

Mas a boa notícia é que a mesma tecnologia pode ser nossa aliada. Softwares de detecção de deepfake, filtros de e‑mail avançados e sistemas de autenticação de dois fatores (2FA) ajudam a identificar tentativas de golpe antes que elas cheguem ao seu bolso.

O que você pode fazer agora?

1. Eduque-se e compartilhe. Converse com familiares, principalmente idosos, sobre esses golpes. Quanto mais gente souber, menos vítimas haverá.

2. Ative a autenticação de dois fatores. Em contas de e‑mail, bancos e redes sociais, isso adiciona uma camada extra de segurança.

3. Use senhas diferentes. Um gerenciador de senhas pode gerar e armazenar combinações fortes sem esforço.

4. Denuncie. Se receber alguma tentativa, registre a ocorrência na polícia ou nos órgãos de defesa do consumidor. Isso ajuda a mapear a rede de golpistas.

Em resumo, 2026 promete ser um ano de golpes mais sofisticados, mas também de ferramentas melhores para combatê‑los. A chave está em manter a curiosidade, questionar tudo que parece “bom demais” e, principalmente, não agir por medo ou pressa. A sua segurança digital começa com um simples “vou pensar antes de clicar”.