O Congresso acabou de aprovar o Orçamento da União para 2026 e, se você ainda não deu uma olhada, pode ser que tenha passado batido. Mas, acredite, esse documento tem mais impacto no seu dia a dia do que parece. Vou explicar de forma simples o que está dentro desse orçamento, porque R$ 61 bilhões em emendas parlamentares são um número grande, mas o que isso traz de verdade para a população, e ainda analisar os cortes em programas sociais como o Pé de Meia e o Auxílio Gás.
## Como funciona o orçamento federal?
Antes de mergulharmos nos números, vale entender rapidinho como o orçamento funciona no Brasil. A proposta parte do Executivo, que define metas de receita e despesa. Depois, o Congresso – formado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado – discute, altera e, por fim, aprova. Dentro desse processo, duas coisas são cruciais:
– **Meta fiscal**: a estimativa de quanto o governo vai arrecadar e gastar, com objetivo de equilibrar as contas. No caso de 2026, a meta prevê um superávit de R$ 34,5 bilhões, o que significa que o governo espera ter mais dinheiro entrando do que saindo.
– **Emendas parlamentares**: são recursos que os deputados e senadores podem direcionar para projetos específicos nos seus estados ou municípios. Elas podem ser *impositivas* (o governo tem que pagar) ou *não impositivas* (o governo pode bloquear).
## Os R$ 61 bilhões de emendas: quem ganha o quê?
O texto aprovado reserva R$ 61 bilhões para emendas. Desse total, quase R$ 50 bilhões são impositivas – ou seja, o governo tem a obrigação de desembolsar. Vamos dividir esses números para ficar mais claro:
– **Emendas individuais**: R$ 26,6 bilhões. Cada parlamentar tem a sua cota para indicar obras ou projetos no seu distrito.
– **Emendas de bancada**: R$ 11,2 bilhões. São recursos distribuídos entre os deputados de um mesmo estado, decididos em conjunto.
– **Emendas de comissão**: R$ 12,1 bilhões. Não são obrigatórias; o governo pode decidir não pagar se as contas apertarem.
– **Parcelas adicionais (PAC)**: R$ 11,1 bilhões destinados a projetos do Programa de Aceleração do Crescimento.
### Por que isso importa para você?
– **Saúde e assistência social**: 65% das emendas impositivas deverão ser pagas até o primeiro semestre, e a maior parte desses recursos vai para saúde e assistência social. Se você depende de unidades de saúde públicas ou de programas de assistência, há boas chances de ver melhorias nas próximas semanas.
– **Obras locais**: escolas, creches, postos de saúde, pavimentação de ruas – tudo isso pode receber um empurrãozinho graças às emendas individuais. Se o seu município tem um projeto “parado”, pode ser que ele esteja aguardando essa verba.
– **Risco de bloqueio**: as emendas de comissão, por não serem obrigatórias, podem ser cortadas se o governo precisar fechar as contas. Por isso, projetos menos prioritários podem sofrer atrasos.
## Cortes em programas sociais: o que muda?
Nem tudo são boas notícias. O orçamento também traz reduções em alguns programas que beneficiam diretamente a população mais vulnerável.
– **Pé de Meia**: o programa que paga R$ 200 por mês a estudantes do ensino médio, mais bônus por conclusão e pelo ENEM, teve seu financiamento reduzido de R$ 12 bilhões para R$ 11,46 bilhões – um corte de R$ 436 milhões. Para quem conta com esse auxílio para continuar estudando, pode significar menos recursos disponíveis.
– **Auxílio Gás**: o benefício de R$ 110 mensais para cerca de 2,7 milhões de famílias teve seu orçamento cortado de R$ 5,1 bilhões para R$ 4,73 bilhões. Isso representa um corte de aproximadamente R$ 300 mil.
– **Previdência**: o relator Isnaldo Bulhões (MDB‑Alagoas) propôs um corte de R$ 6,2 bilhões nas despesas com o Regime Geral da Previdência Social, reduzindo a previsão de gastos de R$ 1,134 trilhão para R$ 1,128 trilhão.
Esses recortes geram preocupação porque afetam quem já está em situação de vulnerabilidade. Por outro lado, o governo argumenta que são medidas necessárias para manter o superávit fiscal.
## Investimentos públicos: o piso de R$ 83 bilhões
Além das emendas, o orçamento fixa um piso mínimo de investimentos públicos em R$ 83 bilhões – equivalente a 0,6% do PIB projetado para 2026 (R$ 13,826 trilhões). Esses recursos são destinados a obras de infraestrutura, como estradas, portos, energia e saneamento, e são fundamentais para estimular a economia.
– **Novo PAC**: o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) receberá prioridade. Se você mora em regiões onde obras de saneamento ou energia ainda são precárias, pode esperar alguma melhora nos próximos anos.
– **Despesas discricionárias**: são gastos que o governo pode ajustar se houver aperto nas contas. Por isso, embora o piso seja garantido, a execução depende da disciplina fiscal.
## O que isso tudo significa para o seu bolso?
1. **Possibilidade de melhorias locais**: se o seu município conseguir captar emendas, pode haver investimentos em saúde, educação e infraestrutura que melhorem a qualidade de vida.
2. **Atenção aos cortes**: quem depende do Pé de Meia ou do Auxílio Gás deve ficar de olho nas mudanças e buscar alternativas, como bolsas de estudo ou programas estaduais de apoio.
3. **Superávit e dívida**: o superávit projetado de R$ 34,5 bilhões ajuda a reduzir a necessidade de novos empréstimos, o que, a longo prazo, pode aliviar a pressão sobre a inflação e os juros.
4. **Participação cidadã**: entender como as emendas são distribuídas permite que você cobre dos seus representantes locais por projetos que realmente atendam às necessidades da comunidade.
## Como acompanhar e influenciar?
– **Fique de olho nas sessões do Congresso**: a maioria das decisões sobre emendas acontece em sessões públicas, que podem ser assistidas ao vivo pelo site da Câmara ou do Senado.
– **Use a ouvidoria dos parlamentares**: envie sugestões de projetos que você acha prioritários. Os deputados costumam ter canais de contato direto com eleitores.
– **Acompanhe a execução**: o Portal da Transparência publica detalhadamente onde cada emenda foi aplicada. Verifique se o dinheiro chegou ao seu município.
– **Participe de audiências públicas**: municípios e estados realizam encontros para discutir a aplicação das emendas. Sua presença pode garantir que os recursos sejam usados de forma eficaz.
## Conclusão
O Orçamento de 2026 traz um mix de boas e más notícias. Os R$ 61 bilhões em emendas parlamentares podem gerar melhorias concretas em saúde, educação e infraestrutura, especialmente se os recursos forem bem monitorados e cobrados. Por outro lado, os cortes nos programas sociais como o Pé de Meia e o Auxílio Gás podem pesar sobre as famílias mais vulneráveis.
O ponto chave está na participação cidadã. Quando entendemos como funciona o orçamento e acompanhamos a aplicação das emendas, podemos pressionar nossos representantes a priorizar projetos que realmente façam diferença. Portanto, se você ainda não acompanhou o que foi aprovado, dê uma olhada nos detalhes, converse com seus representantes e fique atento às oportunidades que podem surgir em sua comunidade.
**Fique ligado**: o próximo passo é a sanção do presidente Lula. Até lá, o debate continua, e nós, como eleitores, temos um papel fundamental para garantir que o dinheiro público seja usado da melhor forma possível.
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*Este artigo foi escrito com base nas informações divulgadas pelo G1 e complementado com análises e dicas práticas para o cidadão comum.*



