Você já deu uma olhada no mapa do PIB per capita dos municípios brasileiros? Se ainda não, vale a pena reservar uns minutinhos. O IBGE acabou de publicar os números de 2023 e, além de curiosidade, esses dados podem mudar a forma como a gente entende a realidade econômica da nossa cidade.
Entendendo o PIB per capita sem complicação
Primeiro, vamos esclarecer o que significa PIB per capita. Em termos simples, é o Produto Interno Bruto dividido pela população. Ele mostra, em média, quanto cada habitante “produz” em termos de valor econômico. Não é a mesma coisa que renda ou salário – não diz quem ganha o quê – mas dá uma ideia da força econômica do lugar.
O panorama nacional
Os números são impressionantes: o PIB per capita médio do Brasil em 2023 ficou em R$ 53.886,67. Mas, atenção, 79 % dos municípios (4.384 cidades) estão abaixo desse valor. Ou seja, a grande maioria ainda tem produção econômica per capita menor que a média nacional.
Quem está no topo? O petróleo como protagonista
Se você imaginou que as maiores cidades seriam capitais ou centros industriais, vai se surpreender. O ranking dos 10 maiores PIBs per capita é dominado por cidades ligadas ao petróleo. Sete delas aparecem no top 10. Por quê? O peso da atividade petrolífera – extração, refino e serviços associados – eleva drasticamente a produção econômica desses municípios.
- Saquarema (RJ): R$ 722.441,52 – extração de petróleo;
- São Francisco do Conde (BA): R$ 684.319,23 – refino de petróleo;
- Maricá (RJ): R$ 679.714,48 – extração de petróleo;
- Paulínia (SP): R$ 606.740,73 – refino de petróleo;
- Presidente Kennedy (ES): R$ 37.982,68 – extração de petróleo;
- Ilhabela (SP): R$ 424.535,26 – extração de petróleo;
- Santa Rita do Trivelato (MT): R$ 409.443,67 – commodities agrícolas;
- Louveira (SP): R$ 388.732,46 – indústria de transformação e comércio;
- São João da Barra (RJ): R$ 382.417,42 – extração de petróleo;
- Extrema (MG): R$ 377.790,63 – indústria de transformação e comércio.
O pesquisador Luiz Antonio do Nascimento de Sá destaca que, sem o petróleo, essas cidades nem apareciam no ranking. Mesmo em um cenário global desfavorável ao petróleo em 2023, a concentração de investimentos e infraestrutura continua puxando esses números para cima.
Regiões em foco: quem está à frente e quem fica para trás
Alguns padrões regionais ficam claros:
- Norte e Nordeste concentram os menores PIBs per capita.
- Centro‑Oeste, Sul e Sudeste apresentam os maiores valores.
Essas diferenças refletem a distribuição de indústrias, recursos naturais e políticas de desenvolvimento. Por exemplo, o Sudeste tem forte presença de setores de serviços, tecnologia e indústria de transformação, enquanto o Norte ainda depende muito da extração de recursos e tem menos diversificação.
Por que esses números importam para você?
Talvez você pense: “É só um número, não muda nada na minha vida”. Mas há várias razões práticas:
- Investimentos públicos e privados: Municípios com PIB per capita alto costumam atrair mais investimentos em infraestrutura, saúde e educação, porque os investidores veem potencial de retorno.
- Políticas de incentivo: Governos estaduais e federais costumam direcionar recursos para regiões menos desenvolvidas. Saber onde sua cidade está no ranking ajuda a entender quais programas podem estar disponíveis.
- Mercado de trabalho: Áreas com maior produção econômica tendem a gerar mais vagas, especialmente em setores de alta qualificação.
- Qualidade de vida: Embora PIB per capita não seja sinônimo de renda, ele costuma correlacionar-se com serviços públicos de melhor qualidade, como saneamento, transporte e segurança.
Portanto, conhecer o posicionamento da sua cidade pode orientar decisões como: mudar de emprego, investir em um negócio local ou até mesmo escolher um novo lugar para morar.
Como usar o mapa do IBGE na prática
O IBGE disponibiliza um mapa interativo onde você pode digitar o nome do seu município e ver:
- O valor exato do PIB per capita;
- O ranking nacional (qual posição ocupa entre os 5.570 municípios);
- Comparações com cidades vizinhas.
Essa ferramenta pode ser útil para:
- Empreendedores que buscam entender o poder de compra local;
- Estudantes de economia ou gestão que precisam de dados reais para trabalhos acadêmicos;
- Cidadãos que desejam cobrar mais transparência e investimentos dos gestores municipais.
Algumas curiosidades que surgiram dos números
- Os 25 maiores municípios respondem por 34,2 % do PIB nacional. Ou seja, menos de 1 % dos municípios gera um terço da riqueza do país.
- A participação das capitais no PIB subiu de 27,5 % (2022) para 28,3 % (2023). As grandes cidades continuam sendo motores econômicos.
- Agropecuária teve o maior crescimento em volume (+16,3 %), mesmo com a queda de preços. Isso mostra que a produção física aumentou, mas o valor arrecadado caiu.
- A indústria viu sua participação cair de 26,3 % para 25,4 %, refletindo a pressão sobre os preços das commodities extrativas.
- Curiosamente, municípios de São Paulo e Rio de Janeiro lideraram as quedas de participação no PIB entre 2022 e 2023, sinalizando que a concentração de riqueza pode estar se redistribuindo.
O que esperar para o futuro?
Os números de 2023 já dão pistas sobre tendências:
- Descentralização gradual: Se a indústria e o agronegócio continuarem crescendo fora dos grandes centros, podemos ver municípios menores ganhando mais relevância.
- Transição energética: O domínio do petróleo pode mudar nos próximos anos, com investimentos em energia renovável. Cidades que dependem exclusivamente de petróleo podem precisar diversificar para manter seus altos PIBs per capita.
- Políticas regionais: Estados como Minas Gerais e Mato Grosso têm potencial para melhorar seus indicadores ao investir em tecnologia agrícola e em cadeias de valor locais.
Para nós, leitores, a mensagem é simples: não basta olhar apenas para o nome da cidade. Entender seu desempenho econômico ajuda a planejar o futuro, seja como cidadão, empreendedor ou estudante.
Como ficar por dentro
Se quiser acompanhar essas informações em tempo real, basta baixar o app do G1 – é grátis e traz as atualizações mais recentes. Também vale seguir perfis de economia nos principais veículos de mídia para receber análises aprofundadas.
Em resumo, o ranking de PIB per capita não é só um número bonito em um mapa. Ele revela onde estão as oportunidades, onde faltam investimentos e como o Brasil está se reorganizando economicamente. Agora que você conhece o panorama, que tal dar uma olhada no seu município e descobrir onde ele está nessa lista? Pode ser o ponto de partida para uma conversa importante com seus representantes ou para uma nova ideia de negócio.
E você, já sabia que cidades como Saquarema e Paulínia lideram o ranking? O que acha que isso diz sobre a dependência do país ao petróleo? Compartilhe sua opinião nos comentários – a discussão está só começando.



