Radar Fiscal

O que está acontecendo com o caso Master? Entenda o papel do Senado e da CVM

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
O que está acontecendo com o caso Master? Entenda o papel do Senado e da CVM

Nos últimos dias, o caso Master voltou a ganhar as manchetes, mas agora o foco não está só nos bancos e nas investigações da Polícia Federal. O Senado criou um grupo de trabalho dentro da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para acompanhar de perto a atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Se você ainda não sabe o que isso significa para o mercado financeiro e para nós, cidadãos, vem comigo que eu explico tudo de forma simples.



## Por que o Senado está de olho na CVM?

O senador Renan Calheiros (MDB‑AL) lidera o grupo de trabalho (GT) que tem como missão principal entender se a CVM cumpriu seu dever de fiscalizar os fundos de investimento que, segundo a Polícia Federal, foram usados em esquemas de fraude envolvendo o Banco Master e a gestora Reag Investimentos. Calheiros defende que “cabia ao órgão fiscalizar os fundos”, e por isso quer ouvir representantes da CVM em audiências que devem acontecer ainda nesta semana.



## Como funciona a CVM?

A Comissão de Valores Mobiliários é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, mas com autonomia administrativa e financeira. Ela não regula bancos – essa é a tarefa do Banco Central – e sim as empresas que negociam ações, debêntures e fundos de investimento. Em termos práticos, a CVM tem o poder de:

– Aprovar ou vetar a criação de novos fundos;
– Exigir transparência nas informações que os gestores divulgam aos investidores;
– Aplicar multas e sanções quando há descumprimento das regras.

No caso Master, a suspeita é que alguns fundos tenham sido usados para movimentar recursos de forma irregular, o que poderia ter prejudicado milhares de investidores.



## O que o grupo de trabalho do Senado está fazendo?

Além de marcar audiências com a CVM, o GT já se encontrou com figuras importantes como o diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é conseguir acesso a dados de operações anteriores ao inquérito, como o caso da “Carbono Oculto”, que também envolve suspeitas de fraudes financeiras.

Recentemente, o GT teve reuniões presenciais com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo. Esses encontros geraram “sinais positivos” de que o acesso a documentos do BC e do TCU pode ser suficiente para avançar nas investigações, sem precisar recorrer imediatamente a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que teria um processo mais burocrático.

## Por que ainda não há CPI?

A legislação (Lei 13.105/2021) permite que comissões parlamentares solicitem informações sigilosas diretamente das instituições financeiras, mas exige aprovação prévia do plenário. Renan Calheiros prefere evitar essa etapa, pois acredita que o GT pode obter os documentos necessários de forma mais ágil. Além disso, há resistência dentro da cúpula do Congresso para abrir uma CPI do Master neste momento, talvez por questões políticas ou estratégicas.

Caso o acesso seja negado, os aliados de Calheiros não descartam usar a CPI do Crime Organizado, já instalada, como porta de entrada para requerimentos sobre o caso Master.

## O que a própria CVM está fazendo?

Enquanto o Senado pressiona, a CVM não ficou parada. Ela criou um grupo interno de trabalho para mapear todas as áreas que lidam com o Banco Master e a Reag Investimentos. Na primeira reunião, foram solicitadas às superintendências da CVM que indiquem quais servidores e projetos estão envolvidos, além de detalhar as análises já realizadas.

Essa investigação interna da CVM deve durar cerca de três semanas, mas não há data marcada para uma reunião formal que consolide os resultados. A ideia é que as informações sejam analisadas à medida que chegam, permitindo um diagnóstico mais dinâmico.

## Por que isso importa para você?

– **Segurança dos investimentos:** Se houver falhas na fiscalização, investidores podem perder dinheiro em fundos que parecem seguros, mas na verdade são usados para lavar recursos.
– **Transparência do mercado:** Um órgão regulador forte e atuante aumenta a confiança dos investidores, tanto nacionais quanto estrangeiros, no mercado brasileiro.
– **Impacto político:** As decisões sobre quem lidera a CVM (como a indicação de Otto Lobo) são vistas como politizadas. Isso pode influenciar a credibilidade da instituição e, por consequência, a estabilidade do mercado.

## O que podemos esperar nos próximos dias?

– **Audiências com a CVM:** Provavelmente haverá depoimentos de representantes da autarquia, onde serão cobrados detalhes sobre os processos de fiscalização.
– **Relatórios preliminares:** Tanto o GT do Senado quanto o grupo interno da CVM deverão publicar relatórios preliminares, ainda que de forma resumida.
– **Possível pressão por CPI:** Se o acesso a documentos for limitado, a pressão para abrir uma CPI pode crescer, envolvendo mais parlamentares e, possivelmente, a mídia.

## Como acompanhar?

– **Sites oficiais:** Acompanhe o portal da CAE (Senado) e da CVM para comunicados oficiais.
– **Notícias de fontes confiáveis:** Portais como G1, Folha de S. Paulo e Valor Econômico costumam trazer análises aprofundadas.
– **Redes sociais de parlamentares:** Muitos senadores e deputados utilizam Twitter e Instagram para divulgar suas posições e atualizações sobre o caso.

Em resumo, o caso Master está se transformando de um escândalo financeiro em um debate institucional sobre a eficácia da regulação. O que acontece nos bastidores do Senado e da CVM pode mudar a forma como o Brasil lida com fraudes nos mercados de capitais nos próximos anos. Fique de olho, pois essas discussões podem ter reflexos diretos no seu bolso, seja na segurança dos seus investimentos ou na estabilidade da economia como um todo.

*Continue acompanhando o blog para mais análises sobre política, economia e como esses temas afetam o seu dia a dia.*