Na última quarta‑feira (14), a Polícia Federal deu mais um passo na operação que investiga o escândalo do Banco Master. Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaros, foi detido no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para Dubai. O nome de Zettel já aparecia nos noticiários como um dos maiores doadores das campanhas de Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, mas agora ele está no centro de uma investigação que pode envolver bilhões de reais.
Quem é Fabiano Zettel?
Zettel não é apenas um empresário de sucesso. Ele é advogado, pastor evangélico da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte, e fundador da Moriah Asset, um fundo de private equity que investe em marcas de produtos saudáveis como Oakberry e Les Cinq. Seu perfil mistura três mundos que, à primeira vista, parecem distantes: o financeiro, o político e o religioso.
Doações que chamam atenção
Em 2022, Zettel foi o maior doador pessoa física das campanhas de Bolsonaro e de Tarcísio. Foram R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro e R$ 2 milhões para a de Tarcísio, totalizando R$ 5 milhões – o suficiente para colocá‑lo como o sexto maior doador do país naquela eleição. A justificativa oficial foi que as doações foram feitas “dentro da legislação” e guiadas por “valores cristãos de família conservadora”.
O que a PF está investigando?
Segundo o pedido ao ministro Antonio Dias Toffoli, o embarque de Zettel para Dubai era uma “oportunidade única” de impedir que ele levasse provas ou influenciasse testemunhas. A PF suspeita que ele esteja envolvido em “diversos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional”, mas ainda não divulgou detalhes específicos. O que se sabe é que o empresário teve o celular e o passaporte apreendidos, e ficou proibido de deixar o país até o fim das investigações.
Alguns pontos que a operação já revelou:
- Mandados de busca foram cumpridos em 42 endereços distribuídos por São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
- Além de Zettel, foram alvos de buscas o próprio Daniel Vorcaros, seu pai, irmã, o empresário Nelson Tanure e o ex‑presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur.
- O STF determinou o bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
Conexões políticas e religiosas
O caso ganha ainda mais camadas quando olhamos para as ligações entre Zettel, a família Vorcaros e a liderança evangélica. A Lagoinha Belvedere, onde Zettel prega, tem como presidente André Valadão, um dos principais apoiadores de Bolsonaro. Uma reportagem da revista Piauí revelou que o pai de Daniel Vorcaros, Henrique Vorcaros, quitou uma dívida de Valadão relacionada à compra de um BMW.
Essas relações mostram como o universo das doações políticas, das finanças privadas e das igrejas pode se entrelaçar de forma complexa, criando redes de influência que vão muito além do que aparece nos jornais.
O que isso significa para o cidadão comum?
Para quem acompanha a política à distância, a história pode parecer mais um escândalo de elite. Mas há lições práticas que vale a pena destacar:
- Transparência nas doações: Mesmo que as doações estejam dentro do limite legal, a origem e o uso dos recursos podem gerar dúvidas. É importante que os candidatos publiquem detalhes claros sobre quem está financiando suas campanhas.
- Risco de concentração de poder: Quando poucos indivíduos concentram grandes recursos financeiros, eles podem exercer influência desproporcional nas decisões públicas. Isso pode afetar políticas que impactam diretamente a vida de todos nós, como saúde, educação e segurança.
- Vigilância cidadã: Operações da PF, como a que prendeu Zettel, mostram que há mecanismos de controle. Mas a efetividade desses mecanismos depende da participação ativa da sociedade, seja acompanhando as notícias, seja cobrando respostas dos órgãos competentes.
Perspectivas futuras
O futuro desse caso ainda é incerto. Se o STF mantiver o bloqueio de bens e se a PF conseguir comprovar a participação de Zettel em crimes financeiros, poderemos ver uma das maiores recuperações de recursos públicos da história recente. Por outro lado, a defesa ainda não se pronunciou oficialmente, e há espaço para recursos e negociações.
O que fica claro é que a intersecção entre dinheiro, política e religião no Brasil está cada vez mais visível. Cada nova investigação traz à tona perguntas sobre quem realmente controla o fluxo de recursos e como isso afeta a democracia.
Enquanto isso, o caso Zettel serve como um lembrete de que, por trás de grandes cifras e nomes conhecidos, há processos judiciais que podem mudar o panorama econômico e político do país. Para nós, leitores, a melhor estratégia é ficar atento, questionar e exigir transparência.



