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Netflix e Warner: o que a investigação antitruste dos EUA pode mudar no streaming brasileiro

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Netflix e Warner: o que a investigação antitruste dos EUA pode mudar no streaming brasileiro

A notícia de que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos está investigando a tentativa da Netflix de comprar a Warner Bros. Discovery já está dando o que falar. Não é só mais um caso de fusão gigantesca; tem tudo a ver com a forma como o mercado de streaming pode se organizar nos próximos anos – e isso, acredite, pode chegar até o nosso sofá aqui no Brasil.



## Por que o governo dos EUA se interessa?

Nos EUA, as leis antitruste são bem rígidas quando o assunto é concentração de mercado. Quando duas empresas que já dominam grande parte da oferta se juntam, o risco de criar um monopólio – ou ao menos uma posição dominante que pode controlar preços e condições – fica no radar das autoridades. No caso da Netflix, que já é líder em número de assinantes, a compra da Warner – que inclui estúdios de cinema, séries e o HBO Max – poderia colocar a empresa em uma posição quase inquestionável.

A investigação busca entender se a Netflix está usando “práticas anticompetitivas”, ou seja, estratégias que poderiam impedir a entrada ou a expansão de concorrentes. O objetivo é garantir que a competição continue saudável, permitindo que outras plataformas – como a Disney+, Amazon Prime Video, Paramount+ e até novos players locais – tenham espaço para inovar e oferecer opções ao consumidor.



## O que está em jogo financeiramente?

Em janeiro, a Netflix mudou a proposta de compra da Warner, oferecendo US$ 82,7 bilhões – cerca de R$ 445,7 bilhões – totalmente em dinheiro. Essa oferta foi feita por ação da Warner a US$ 27,75, eliminando a parte em ações da própria Netflix que havia sido proposta antes. Na prática, os acionistas da Warner receberiam um valor fixo, sem depender das oscilações das ações da Netflix.

Para a Netflix, o movimento tem duas motivações claras:

– **Acesso a um catálogo ainda mais robusto:** com os estúdios da Warner, a Netflix teria um acervo de filmes e séries que já são clássicos e ainda pode gerar novas produções exclusivas.
– **Barreira de entrada para concorrentes:** ao controlar tanto o streaming quanto os grandes estúdios, a Netflix poderia negociar melhores termos de licenciamento e, potencialmente, deixar a concorrência em desvantagem.

Mas, ao mesmo tempo, o preço da compra é astronomicamente alto. Se a operação não for aprovada, a Netflix terá que arcar com um grande custo de oportunidade e possivelmente buscar outras estratégias de crescimento, como investimentos em conteúdo próprio ou parcerias regionais.



## Como isso afeta o consumidor brasileiro?

A primeira reação pode ser pensar que tudo isso acontece a milhares de quilômetros de distância e não tem nada a ver com a gente. Porém, o streaming é um mercado globalizado. O que acontece nos EUA costuma repercutir nas políticas de conteúdo e nos preços praticados em todo o mundo.

### Possíveis cenários:

1. **Aumento de preços:** Se a Netflix consolidar ainda mais seu domínio, pode sentir menos pressão para manter preços competitivos. Isso pode levar a reajustes nas assinaturas, tanto no Brasil quanto em outros países.
2. **Menos diversidade de catálogo:** Uma fusão tão grande pode resultar em menos licenças cruzadas entre plataformas. Por exemplo, filmes que hoje estão disponíveis na Disney+ podem migrar para o catálogo da Netflix, reduzindo as opções em outras plataformas.
3. **Maior investimento em produção local:** Por outro lado, a Netflix tem se esforçado para criar conteúdo original em cada região. Com mais recursos financeiros, pode acelerar a produção de séries e filmes brasileiros, o que seria um ponto positivo para a indústria nacional.
4. **Novas oportunidades para players locais:** Caso a compra seja bloqueada, outras empresas podem tentar preencher o vazio, seja através de parcerias com estúdios independentes ou lançando novos serviços de streaming focados no público latino-americano.

### O que você pode fazer agora?

– **Fique de olho nas notícias:** Acompanhe as atualizações sobre a investigação. Mudanças regulatórias podem chegar rapidamente e impactar seu plano de assinatura.
– **Reavalie seu pacote de streaming:** Se houver aumento de preços, talvez valha a pena analisar se você realmente usa todas as plataformas que paga.
– **Apoie o conteúdo nacional:** Procure consumir séries e filmes produzidos no Brasil. Isso fortalece a indústria local e garante mais diversidade de histórias.

## Um olhar histórico: fusões que mudaram o jogo

Não é a primeira vez que vemos gigantes do entretenimento tentando se unir. Em 2016, a Disney comprou a 21st Century Fox, criando um império ainda maior que controla desde filmes de super-heróis até canais de TV por assinatura. Essa fusão também passou por um crivo antitruste, mas acabou sendo aprovada, embora com algumas exigências de desinvestimento.

Outro exemplo é a tentativa da AT&T de comprar a Time Warner (agora WarnerMedia). O caso chegou à Suprema Corte dos EUA, que acabou permitindo a fusão. Cada uma dessas operações gerou debates intensos sobre monopólio, diversidade de conteúdo e poder de barganha com criadores.

## O futuro do streaming: além das grandes fusões

Mesmo que a Netflix não consiga fechar a compra da Warner, o cenário do streaming está longe de ser estável. Algumas tendências que já estão se desenhando:

– **Conteúdo interativo e imersivo:** Plataformas como a Netflix já experimentam séries onde o espectador pode escolher o rumo da história. Essa pode ser uma forma de se diferenciar sem precisar de mais estúdios.
– **Parcerias regionais:** Em vez de comprar grandes estúdios, algumas plataformas podem buscar acordos de co-produção com produtoras locais, garantindo conteúdo exclusivo e adaptado ao público.
– **Modelos de assinatura flexíveis:** Serviços podem oferecer pacotes menores, pay-per-view ou bundles com outras mídias (música, jogos) para atrair diferentes perfis de usuário.

## Conclusão

A investigação do DOJ (Departamento de Justiça dos EUA) sobre a possível compra da Warner pela Netflix é mais do que um drama corporativo; é um termômetro de como a concorrência será moldada nos próximos anos. Para nós, brasileiros, isso pode significar mudanças nos preços, na oferta de conteúdo e até nas oportunidades de produção local.

O melhor caminho é permanecer informado, avaliar suas opções de assinatura e apoiar a produção nacional. Afinal, o futuro do streaming depende tanto das grandes decisões de mercado quanto das escolhas que fazemos como consumidores.

*E você, o que acha que vai acontecer? A Netflix vai conseguir a compra ou o governo dos EUA vai barrar a operação? Deixe seu comentário e vamos discutir!*