Na última segunda‑feira (29), a Meta – empresa que controla Instagram, WhatsApp e o próprio Facebook – anunciou a compra da startup de inteligência artificial Manus. A notícia já deu o que falar nas redes, principalmente porque a Manus ganhou fama ao se autoproclamar o “primeiro agente de IA geral do mundo”. Mas, mais do que o sensacionalismo, o que essa aquisição realmente traz para quem usa os produtos da Meta no dia a dia?
Um pouco de história: quem é a Manus?
A Manus nasceu na China, mas rapidamente mudou sua sede para Singapura. Essa mudança faz parte de um movimento maior de empresas chinesas que buscam reduzir riscos diante das tensões comerciais entre Washington e Pequim. A ideia era simples: criar um agente de IA que pudesse entender instruções complexas e executar tarefas quase que autonomamente, algo que, segundo os fundadores, o ChatGPT ou o DeepSeek ainda não conseguiam fazer com a mesma fluidez.
O ponto de virada veio no início de 2024, quando um post no X (antigo Twitter) viralizou mostrando o agente da Manus realizando uma sequência de comandos sem precisar de repetições ou ajustes. Comentadores da área começaram a chamá‑la de “próximo DeepSeek da China”, e até a televisão estatal chinesa entrou na onda, destacando a suposta revolução.
Por que a Meta se interessou?
Para a Meta, que tem investido pesado em IA nos últimos anos, a compra da Manus faz sentido estratégico. A empresa já anunciou o Meta AI, uma camada de IA que será integrada ao Instagram, WhatsApp, Messenger e, claro, ao próprio Facebook. Incorporar o agente da Manus pode acelerar esse plano, oferecendo recursos como geração de texto mais natural, automação de respostas e até sugestões de conteúdo personalizadas.
Além disso, a Manus tem uma parceria estratégica com a Alibaba, o que pode abrir portas para tecnologias de IA que ainda não foram exploradas no ocidente. A Meta, ao adquirir a startup, ganha não só a tecnologia, mas também acesso a talentos que já trabalharam em projetos de IA de grande escala.
O que muda para os usuários?
Se você pensa que nada vai mudar no seu feed do Instagram ou nas conversas do WhatsApp, talvez esteja subestimando o impacto. Aqui vão alguns cenários possíveis:
- Assistentes de conversa mais inteligentes: ao invés de respostas genéricas, o WhatsApp pode começar a sugerir respostas contextuais, agendar compromissos ou até criar lembretes baseados no que você escreveu.
- Criação de conteúdo automatizada: no Instagram, a IA poderia gerar legendas, hashtags ou até montar stories a partir de fotos, economizando tempo para criadores de conteúdo.
- Moderação avançada: com um agente que entende nuances, a luta contra discurso de ódio e fake news pode ganhar um aliado mais eficiente.
- Ferramentas para negócios: pequenas empresas que usam o Facebook Ads podem receber sugestões de copywriting baseadas em dados de performance em tempo real.
Essas são apenas possibilidades – a Meta ainda não revelou detalhes de implementação. Mas a tendência é clara: IA cada vez mais presente, quase invisível, ajudando a personalizar a experiência.
Quanto a empresa vale?
Os termos financeiros não foram divulgados oficialmente, mas fontes próximas ao acordo estimam que a Manus foi avaliada entre US$ 2 e 3 bilhões. Para quem acompanha o mercado de tecnologia, esse número pode parecer alto, mas não é incomum quando se trata de startups de IA com potencial de transformar grandes plataformas.
Vale lembrar que a Meta tem recursos financeiros consideráveis e já fez aquisições semelhantes no passado – como a compra da empresa de realidade aumentada Oculus por US$ 2 bilhões, há quase uma década. O objetivo é claro: não ficar para trás na corrida da IA, onde concorrentes como Google, Microsoft e Amazon já têm soluções consolidadas.
Riscos e controvérsias
Todo grande investimento traz riscos, e a compra da Manus não foge à regra. Primeiro, há a questão da confiança dos usuários. A Meta já enfrentou críticas por uso de dados e algoritmos que favorecem certos conteúdos. Integrar um agente de IA que toma decisões mais autônomas pode ampliar essas preocupações.
Segundo, a própria história da Manus levanta dúvidas. O que exatamente significa “primeiro agente de IA geral”? Ainda não há consenso na comunidade científica sobre o que caracteriza uma IA geral (AGI). Muitos especialistas acreditam que ainda estamos longe desse marco. Portanto, a promessa pode ser mais de marketing do que de realidade técnica.
Terceiro, há a pressão regulatória. Governos ao redor do mundo – inclusive no Brasil – estão começando a discutir leis que regulam o uso de IA em plataformas digitais. A Meta precisará navegar por esse cenário, garantindo transparência e conformidade.
Como isso afeta o Brasil?
Embora a Manus não ofereça seus produtos diretamente na China, a tecnologia pode chegar ao Brasil muito rápido via Meta. Isso tem implicações para desenvolvedores locais, agências de marketing e até para o consumidor final. Por exemplo, agências podem usar a IA para criar campanhas mais eficientes, reduzindo custos e tempo de produção.
Além disso, a presença de uma IA avançada nas plataformas mais usadas no país pode gerar novos empregos – desde especialistas em prompt engineering (a arte de formular perguntas à IA) até gestores de ética em IA. Por outro lado, também pode acelerar a automação de tarefas que hoje são feitas por humanos, exigindo requalificação profissional.
Comparando com outras aquisições de IA
Para colocar a compra da Manus em perspectiva, vale olhar para outras movimentações recentes no mercado:
- Google: adquiriu a DeepMind em 2014, consolidando-se como líder em pesquisa de IA.
- Microsoft: investiu bilhões na OpenAI, garantindo exclusividade de uso do ChatGPT em seus produtos.
- Amazon: comprou a Anthropic, empresa focada em IA de linguagem, para reforçar o Alexa.
A Meta já havia comprado a empresa de realidade virtual Oculus e, mais recentemente, a empresa de áudio AI, a SoundHound. A compra da Manus mostra que a estratégia da Meta está alinhada com a dos gigantes da tecnologia: adquirir expertise rapidamente, em vez de desenvolver tudo internamente.
O que esperar nos próximos meses?
Nos próximos seis a doze meses, podemos esperar alguns marcos:
- Beta fechado: a Meta pode lançar versões beta do agente da Manus para desenvolvedores e parceiros estratégicos.
- Integração em produtos: recursos de IA avançada podem aparecer primeiro no Instagram Reels ou no WhatsApp Business.
- Feedback do público: usuários vão testar e comentar, o que pode levar a ajustes rápidos.
- Regulação: discussões legislativas podem influenciar como a IA será usada, principalmente em termos de privacidade.
Ficar de olho nesses desenvolvimentos pode ser útil, especialmente se você usa essas plataformas para trabalho ou negócios.
Conclusão: oportunidade ou ameaça?
Em resumo, a compra da Manus pela Meta é um movimento que traz tanto oportunidades quanto desafios. Para quem está atento às tendências de tecnologia, isso representa uma chance de aprender, adaptar e até criar novos serviços. Para os usuários comuns, o impacto será mais sutil, mas pode melhorar a experiência ao tornar as interações mais fluidas e personalizadas.
O que eu, pessoalmente, acho mais interessante é a possibilidade de ter um assistente de IA que realmente entenda o contexto das minhas conversas no WhatsApp e me ajude a organizar a rotina sem precisar escrever longas mensagens. Se isso acontecer, a promessa de IA “geral” pode estar mais próxima do que imaginamos.
E você, já imaginou como seria ter um agente de IA integrado ao seu Instagram, sugerindo legendas perfeitas ou ajudando a responder comentários de forma instantânea? A resposta pode estar a poucos cliques de distância, graças a essa aquisição.



