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Mercosul‑UE: o que a assinatura do acordo pode mudar no nosso dia a dia

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Mercosul‑UE: o que a assinatura do acordo pode mudar no nosso dia a dia

Na última quinta‑feira, o vice‑presidente Geraldo Alcklen, que também cuida do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, deu uma boa notícia para quem acompanha a economia: o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia deve ser assinado ainda neste fim de semana, no Paraguai, e entrar em vigor ainda no segundo semestre de 2024. Parece papo de diplomata, mas tem reflexos bem reais para a gente, que compra roupas, come frutas importadas ou trabalha em empresas que dependem de exportação.



Por que esse acordo importa?

Em termos simples, o Mercosul‑UE vai criar a maior zona de livre comércio do planeta, juntando cerca de 700 milhões de consumidores. Isso significa menos tarifas, menos burocracia e mais oportunidades para empresas brasileiras venderem seus produtos na Europa e, ao contrário, para produtores europeus entrarem no Brasil com menos obstáculos.

Mas não é só questão de números. Em um cenário global marcado por guerras, sanções e um protecionismo que parece estar crescendo, ter um bloco comercial sólido ao nosso lado pode ser um escudo econômico. Alckmin destacou que, enquanto o mundo se vê dividido, “os dois blocos dão um exemplo ao mundo de que é possível, por meio do diálogo e da negociação, avançar no livre comércio”.



Como isso afeta a nossa vida prática?

  • Produtos mais baratos: com a redução de tarifas, itens como vinhos, queijos, chocolates e até eletrodomésticos europeus podem ficar mais acessíveis nas prateleiras brasileiras.
  • Exportação de commodities: soja, carne, café e minério de ferro ganharão um caminho mais direto para mercados europeus, o que pode melhorar a balança comercial e, indiretamente, gerar empregos nas áreas rurais.
  • Inovação e tecnologia: empresas de tecnologia e startups brasileiras podem se beneficiar de parcerias com centros de pesquisa europeus, facilitando a entrada de novos produtos no mercado interno.
  • Turismo e cultura: mais acordos comerciais costumam abrir portas para acordos de vistos e intercâmbios culturais, o que pode incentivar mais brasileiros a viajar para a Europa e vice‑versa.

Esses benefícios, porém, não chegam de forma automática. Cada país precisa ratificar o tratado em seu parlamento. No Brasil, o texto seguirá para o Congresso e, depois de aprovado, para a sanção presidencial. O processo pode levar alguns meses, mas a expectativa é de que tudo se resolva ainda neste semestre.



Desafios e críticas que ainda pairam

Nem tudo são flores. Alguns setores da sociedade já manifestam preocupação. Agricultores, por exemplo, temem que a abertura de mercado europeu traga concorrência de produtos como carne bovina de alta qualidade, o que poderia pressionar os preços internos. Por outro lado, indústrias que dependem de insumos importados podem ver seus custos reduzidos, o que gera um debate interno sobre quem realmente sai ganhando.

Além disso, há o ponto ambiental. A Europa tem padrões mais rígidos de sustentabilidade, e isso pode exigir que produtores sul‑americanos elevem suas práticas, o que implica investimentos. Essa pressão pode ser vista como positiva – impulsionando uma produção mais limpa – ou como um obstáculo para quem ainda não tem recursos para adaptar.

O que isso tem a ver com o nosso futuro?

Se o acordo for ratificado e entrar em vigor, o Brasil terá mais peso nas negociações globais. Um bloco tão grande pode influenciar regras de comércio internacional, padrões de qualidade e até políticas climáticas. Isso pode abrir portas para novos acordos com outros parceiros, como os Estados Unidos, que, segundo Alcklen, não são afetados por essa negociação.

Para quem pensa em carreira, o cenário pode mudar também. Profissionais de comércio exterior, logística, marketing internacional e direito internacional terão mais demanda. Empresas que antes focavam apenas no mercado interno agora precisarão pensar em estratégias globais, o que pode gerar vagas e novas áreas de atuação.

Como acompanhar o desenrolar?

Fique de olho nas notícias sobre a assinatura no Paraguai, que está marcada para o dia 17 de janeiro. Depois, acompanhe o debate no Congresso – as comissões de comércio exterior e de relações internacionais costumam divulgar audiências públicas. E, claro, preste atenção nos comunicados da Receita Federal sobre mudanças nas alíquotas de importação.

Se você tem um pequeno negócio ou está pensando em exportar, vale a pena conversar com um consultor de comércio exterior para entender como o acordo pode impactar seus custos e oportunidades.

Em resumo, a assinatura do acordo Mercosul‑UE pode ser um dos marcos mais importantes da política econômica brasileira dos últimos anos. Não é garantia de prosperidade instantânea, mas abre um leque de possibilidades que, se bem aproveitadas, podem trazer mais empregos, produtos mais baratos e uma presença mais forte do Brasil no cenário mundial.

Vamos acompanhar juntos essa jornada e ver como ela se traduz na nossa rotina, nas nossas compras e, quem sabe, até nas nossas viagens ao exterior.