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Mercosul e UE: o que muda para o Brasil e por que isso importa para a gente

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Mercosul e UE: o que muda para o Brasil e por que isso importa para a gente

Na última semana, o Mercosul e a União Europeia assinaram um acordo que já está dando o que falar. Se você, como eu, costuma ficar de olho nas notícias de economia, sabe que essa parceria pode transformar a forma como produtos brasileiros chegam às mesas europeias – e também como produtos da Europa chegam aqui.

Mas, antes de mergulhar nos detalhes, deixa eu contar um pouco da história por trás desse acordo. Foram mais de 25 anos de conversas, idas e vindas, e, finalmente, em Assunção, no Paraguai, os líderes dos dois blocos fecharam o pacto. O presidente Lula não estava presente, mas o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil. E, apesar da ausência, o clima foi de celebração.



Por que esse acordo é tão esperado?

Primeiro, vamos entender o que está em jogo. O Mercosul – formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai – responde por mais de 80% das exportações sul‑americanas para a Europa. Por outro lado, a UE compra quase todo o que o bloco sul‑americano produz. Ou seja, já existe um fluxo enorme de comércio; o que muda agora são as barreiras.

  • Tarifas menores ou zero: cerca de 90% das trocas comerciais entre os blocos ainda têm impostos de importação. O acordo propõe reduzir ou eliminar esses custos gradualmente.
  • Regras de origem mais claras: facilita a comprovação de que um produto é realmente “mercosulense” ou “europeu”.
  • Padronização regulatória: normas sobre segurança, meio ambiente e direitos trabalhistas vão ficar mais alinhadas.

Para a gente, que compra vinho, queijo ou até mesmo um carro importado, isso pode significar preços mais baixos e mais opções nas prateleiras. Para quem produz, abre portas para exportar mais fácil, sem ficar preso a burocracias.



Como isso afeta o nosso dia a dia?

Imagine que você tem uma pequena empresa de café especial aqui em Minas Gerais. Hoje, vender para a Europa envolve custos de certificação, tarifas e um monte de papelada que pode levar meses. Com o novo acordo, esses obstáculos caem, e o seu café pode chegar mais rápido e barato ao consumidor francês ou alemão. O mesmo vale para produtores de carne, soja, frutas e até tecnologia.

Do lado europeu, as indústrias de automóveis, máquinas agrícolas e produtos farmacêuticos podem olhar para o Brasil como um mercado mais atrativo. Isso pode gerar investimentos, criação de empregos e transferência de tecnologia.

E tem mais: o acordo não se limita ao comércio de bens. Ele inclui capítulos sobre serviços, investimentos e até cooperação em pesquisa e desenvolvimento. Isso abre espaço para startups brasileiras fechar parcerias com empresas europeias, trocando know‑how e ampliando a presença internacional.



O que ainda falta?

Embora a assinatura seja um marco, o tratado ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos de cada país membro. Na União Europeia, esse processo costuma ser demorado, porque cada Estado tem que aprovar o acordo dentro de sua própria legislação. No Mercosul, a situação é semelhante, embora o Brasil já tenha sinalizado apoio.

Enquanto a ratificação não acontece, nada muda de fato nas tarifas. Por isso, é importante acompanhar não só a assinatura, mas também os passos legislativos nos próximos meses.

Além da UE: a estratégia global do Brasil

O governo já deixa claro que a parceria com a UE não é a única jogada. Desde 2023, o Brasil fechou acordos com Singapura e com a EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça). Também está em negociação com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Vietnã e busca ampliar o acordo de preferências tarifárias com a Índia.

Essas movimentações mostram um plano de diversificação: não colocar todos os ovos em uma única cesta. Para quem tem interesse em exportar, isso significa mais opções de mercado e menos dependência de um único parceiro.

Desafios e críticas

Nem tudo são flores. Alguns setores da sociedade civil e de pequenos produtores temem que a liberalização possa favorecer grandes multinacionais em detrimento da agricultura familiar. Também há preocupações ambientais: a UE tem padrões rígidos, mas será que eles serão realmente cumpridos?

Outro ponto delicado é a concorrência. Produtos europeus, como vinhos e queijos, podem ganhar mais espaço no Brasil, pressionando produtores locais. Por isso, o governo tem falado em mecanismos de apoio e adaptação para setores vulneráveis.

O que eu faço com essa informação?

Se você tem um negócio que depende de exportação ou importação, vale a pena começar a analisar como o acordo pode mudar seus custos. Converse com seu contador, procure consultorias de comércio exterior e veja se vale a pena ajustar sua estratégia.

Para quem está mais curioso, acompanhe as notícias sobre a ratificação e, se possível, participe de webinars ou eventos de negócios que abordam o novo cenário. Informação é a primeira ferramenta para transformar oportunidade em resultado.

E, claro, fique de olho nos preços nas prateleiras. Se você notar que aquele queijo francês ficou mais barato ou que o vinho argentino está com promoção, pode ser um dos primeiros sinais de que o acordo está começando a fazer efeito.