A assinatura do acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia foi celebrada em Assunção, no Paraguai, e já está dando o que falar. Depois de 25 anos de conversas, o Brasil e os demais países sul‑americanos finalmente fecharam um tratado que promete mudar a forma como produtos chegam às prateleiras, como investimentos circulam e até como valores políticos são negociados. Mas, na prática, o que isso traz para a gente, que vive de comprar, vender ou simplesmente acompanha a economia?
## Por que esse acordo importa?
Em termos simples, o pacto cria a maior zona de livre‑comércio do planeta. Isso quer dizer que tarifas – aqueles impostos que encarecem produtos importados – vão ser reduzidas ou eliminadas gradualmente. Para o consumidor, isso pode significar preços menores em itens como vinhos, queijos, eletrodomésticos e até alguns alimentos. Para o produtor brasileiro, abre portas para exportar mais fácil para a Europa, que já compra cerca de 79% das exportações do Mercosul.
## O que muda para quem produz?
– **Agronegócio**: soja, carne bovina e frango já são grandes exportadores. Com tarifas menores, as margens podem melhorar e novos mercados europeus podem ser alcançados.
– **Indústria**: setores como automotivo, têxtil e tecnologia podem encontrar menos barreiras para vender máquinas, peças e softwares.
– **Pequenos negócios**: artesãos e produtores regionais podem usar a certificação de origem para entrar em nichos de mercado europeu que valorizam produtos sustentáveis.
Essas oportunidades, porém, vêm acompanhadas de desafios. A concorrência europeia também terá acesso mais fácil ao Brasil, o que pode pressionar produtores que ainda não têm a mesma escala ou padrões de qualidade.
## Impactos no bolso do consumidor
Quando tarifas caem, o preço final costuma refletir essa redução. Imagine que um celular fabricado no Brasil, mas com componentes importados da UE, passe a ter menos impostos na hora de ser vendido aqui. O consumidor sente a diferença. O mesmo vale para itens como café especial, frutas tropicais e até cosméticos.
Mas nem tudo é “preço baixo”. O acordo também traz regras mais rígidas sobre direitos trabalhistas e meio ambiente. Isso pode elevar os custos de produção para empresas que ainda não cumprem esses padrões, mas, a longo prazo, garante produtos mais sustentáveis e com melhor reputação no mercado internacional.
## Estratégia de diversificação de mercados
O governo federal deixa claro que a UE não é o único alvo. Desde 2023, o Brasil já assinou acordos com Singapura e a EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça). Além disso, negociações avançam com Emirados Árabes, Canadá, Vietnã e Índia. Essa estratégia de diversificação reduz a dependência de um único parceiro e protege a economia de choques externos.
## O papel da política e dos valores compartilhados
Lula descreveu o acordo como “baseado no multilateralismo” e ressaltou que ele vai além da economia. Democracia, Estado de Direito e direitos humanos são pilares que a UE e o Mercosul concordam em defender. Para o cidadão, isso pode significar mais pressão por políticas ambientais e trabalhistas mais justas, tanto aqui quanto nos países parceiros.
## O caminho até a ratificação
Embora a assinatura seja um marco, o tratado ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos de todos os países envolvidos. Na UE, esse processo costuma ser mais demorado devido às diferentes posições dos Estados‑membros. No Mercosul, também há debates internos, principalmente sobre a proteção de setores sensíveis como a agricultura.
## O que você pode fazer agora?
1. **Fique atento às notícias** – mudanças tarifárias afetam preços de produtos que você compra regularmente.
2. **Acompanhe oportunidades de negócios** – se você tem uma empresa ou pensa em exportar, informe‑se sobre os requisitos de origem e certificação.
3. **Exija responsabilidade** – pressione marcas a adotar práticas sustentáveis, já que o acordo traz mais exigências de meio ambiente.
4. **Invista em conhecimento** – cursos sobre comércio exterior ou sobre normas europeias podem abrir portas em um mercado mais amplo.
## Conclusão
A parceria Mercosul‑UE chega como um vento novo, trazendo promessas de preços menores, mais opções de consumo e oportunidades de exportação. Mas também exige adaptação, investimentos em qualidade e um olhar atento às regras de sustentabilidade. Para nós, que vivemos a economia no dia a dia, o mais importante é acompanhar as mudanças, entender como elas afetam nossos gastos e negócios, e aproveitar as portas que se abrem para um Brasil mais conectado ao resto do mundo.



