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Mercado de trabalho em transformação: por que flexibilidade virou a nova moeda

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Mercado de trabalho em transformação: por que flexibilidade virou a nova moeda

Se você tem acompanhado as notícias sobre emprego nos últimos meses, já deve ter percebido um padrão: as empresas não estão mais falando só de salário. Benefícios, bônus, jornadas flexíveis e até a promessa de qualidade de vida estão no centro das negociações. Essa mudança não é aleatória; ela reflete um cenário macroeconômico onde o desemprego está em 5,6%, o menor da série histórica do IBGE, e a criação de empregos formais bate recorde com 1,27 milhão de vagas em 2025.



Mas o que isso significa para quem está no mercado? Primeiro, a balança de poder entre empregado e empregador está mais equilibrada. Quando a oferta de mão‑de‑obra supera a demanda, as empresas precisam se reinventar para atrair talentos. Isso gera uma corrida por benefícios que antes eram “extra” e agora são quase obrigatórios.



Para entender melhor esse movimento, conversei (virtualmente) com Rodolpho Tobler, mestre em economia e finanças pela FGV e coordenador das Sondagens Empresariais e de Indicadores de Mercado de Trabalho do FGV‑IBRE. Ele explicou que o aumento de benefícios não é só uma questão de “boa vontade” das empresas, mas uma resposta direta à escassez de profissionais qualificados. Quando a taxa de desemprego cai, os candidatos passam a avaliar mais do que o salário bruto: eles buscam flexibilidade, possibilidade de home office, auxílio‑educação, plano de saúde ampliado e até tempo livre remunerado.



Por que a flexibilidade virou o ponto de partida

A pandemia acelerou a adoção do trabalho remoto e mostrou que muitas funções podem ser desempenhadas fora do escritório. Quando as restrições foram relaxadas, tanto empregadores quanto empregados perceberam que a flexibilidade traz ganhos reais: redução de custos com deslocamento, melhor conciliação entre vida pessoal e profissional e, para as empresas, aumento de produtividade.

Hoje, a palavra‑chave nos anúncios de vaga é “flexibilidade”. Isso inclui horário flexível, jornada reduzida, teletrabalho parcial ou total, e até a possibilidade de escolher entre diferentes modelos de contrato. Essa tendência tem raízes na chamada economia dos aplicativos, onde a autonomia do trabalhador é valorizada – e, paradoxalmente, também gera insegurança, já que a proteção social tradicional nem sempre acompanha.

Benefícios que vão além do salário

Além da flexibilidade, as empresas estão investindo em pacotes de benefícios mais robustos. Alguns exemplos que aparecem com frequência:

  • Planos de saúde premium: cobertura nacional, com inclusão de terapias alternativas.
  • Vale‑educação: apoio para cursos de graduação, pós‑graduação ou certificações técnicas.
  • Bônus por desempenho: pagamentos trimestrais que recompensam metas atingidas.
  • Programas de bem‑estar: academias, sessões de terapia, e até dias de descanso extra.

Esses itens funcionam como diferenciais competitivos. Para quem está em busca de um novo emprego, analisar o pacote completo pode fazer a diferença entre aceitar ou recusar uma proposta.

Impactos macroeconômicos: o que dizem os números

O Ministério do Trabalho registrou a criação de 1,27 milhão de novos empregos formais em 2025. Esse número, somado ao desemprego em 5,6%, indica que a economia está aquecida, mas também que há um desequilíbrio setorial. Algumas áreas, como tecnologia, saúde e serviços especializados, sentem falta de profissionais, enquanto outros setores ainda têm vagas difíceis de preencher.

Segundo Tobler, esse desequilíbrio pode gerar pressões inflacionárias nos salários, mas também estimula a inovação nas políticas de recursos humanos. Empresas que não acompanharem essa evolução correm o risco de ficar com vagas vazias por muito tempo, o que afeta a produtividade e a competitividade.

Como se posicionar como candidato

Se você está no mercado de trabalho, vale a pena repensar sua estratégia de busca. Aqui vão algumas dicas práticas:

  1. Mapeie seus valores: descubra o que realmente importa – flexibilidade, aprendizado, estabilidade ou remuneração.
  2. Pesquise a cultura da empresa: sites de avaliação, redes sociais e relatos de funcionários dão pistas sobre como são os benefícios na prática.
  3. Negocie o pacote completo: não aceite apenas o salário base. Pergunte sobre bônus, plano de saúde, apoio à educação e políticas de home office.
  4. Invista em habilidades digitais: a demanda por competências em tecnologia continua alta, e isso pode aumentar seu poder de negociação.

O futuro do mercado de trabalho

O que vem pela frente? A tendência é que a flexibilidade se torne padrão, não exceção. A digitalização dos processos, o crescimento da economia gig e a pressão por qualidade de vida vão manter o foco em benefícios que vão além do salário.

Além disso, a automação pode mudar o perfil das vagas disponíveis, exigindo mais qualificação e, consequentemente, reforçando o poder de negociação dos profissionais qualificados.

Em resumo, estamos vivendo uma fase de transição onde empregadores e empregados precisam encontrar novos pontos de equilíbrio. Para quem souber se adaptar, as oportunidades são abundantes; para quem ficar preso ao modelo tradicional, o risco é ficar para trás.

E você, já percebeu essa mudança no seu ambiente de trabalho? Como tem ajustado suas expectativas? Compartilhe nos comentários – a troca de experiências ajuda a todos a navegar nesse mercado em constante evolução.