Nos últimos meses, o Brasil tem vivido um período de aquecimento no mercado de trabalho. Não é só um papo de economista; é algo que está mexendo no dia a dia de quem procura emprego ou já está empregado. Quando a demanda por mão de obra supera a oferta, o poder de negociação volta para quem tem as habilidades que as empresas precisam. E isso tem consequências diretas no seu bolso, nos seus benefícios e até na forma como você escolhe onde trabalhar.
Por que o mercado está mais quente?
Segundo o IBGE, a taxa de desemprego ficou em 5,6% em 2025, o menor patamar da série histórica. Além disso, o Ministério do Trabalho registrou a criação de 1,27 milhão de novos empregos formais no mesmo ano. Esses números mostram que as empresas estão contratando, mas também que a oferta de trabalhadores qualificados ainda não acompanha esse ritmo. A escassez de mão de obra faz com que as companhias precisem oferecer mais do que o salário base para atrair e reter talentos.
O que muda na prática para o trabalhador?
Rodolpho Tobler, mestre em economia e finanças pela FGV, explica que o desequilíbrio tradicional entre empregador e empregado diminui quando o mercado esquenta. Em termos simples: se você tem mais opções, pode escolher melhor. Isso se traduz em três áreas principais:
- Salário mais alto: ao comparar vagas semelhantes em empresas vizinhas, o candidato pode exigir um salário maior.
- Benefícios ampliados: vale-transporte e vale-alimentação deixam de ser o único atrativo; empresas passam a oferecer plano de saúde, auxílio home‑office, bônus por desempenho e até flexibilidade de horário.
- Poder de escolha: com mais vagas abertas, o profissional pode recusar propostas que não atendam às suas expectativas de carreira ou qualidade de vida.
Setores que estão pagando mais
Um exemplo citado por Tobler é o setor de supermercados. Esse segmento viu um aumento significativo nos salários de admissão em 2025, justamente porque a rotatividade é alta e a necessidade de atendentes, caixas e gestores é constante. Mas não são só os varejistas que sentem a pressão. Tecnologia, logística e serviços de saúde também estão na lista de setores que oferecem pacotes mais competitivos para garantir que a vaga não fique vazia por muito tempo.
Como negociar melhor?
Se você está no mercado ou pensa em mudar de emprego, vale a pena usar esse momento a seu favor. Aqui vão algumas dicas práticas:
- Pesquise a média salarial: sites como Glassdoor e vagas.com.br dão uma boa ideia do que a concorrência está pagando.
- Liste seus diferenciais: certificações, experiência em projetos específicos ou domínio de ferramentas técnicas são argumentos fortes.
- Não foque só no salário: pergunte sobre plano de carreira, possibilidade de trabalho remoto, bônus e outros benefícios que podem compensar um salário base um pouco menor.
- Esteja preparado para contrapropostas: se a empresa oferecer um pacote que não atenda todas as suas expectativas, mostre onde pode haver ajuste.
O que isso significa para quem ainda está desempregado?
Para quem está em busca de uma primeira oportunidade ou tentando se recolocar, o cenário atual traz esperança, mas também exige estratégia. A competição ainda existe, porém a margem para negociação é maior. Investir em cursos curtos, certificações reconhecidas ou até em um portfólio online pode ser o diferencial que faz a empresa escolher você em vez de outro candidato.
Riscos e cuidados
Embora o mercado quente pareça um cenário ideal, há alguns pontos de atenção:
- Oferta inflacionada de vagas: algumas empresas podem criar vagas apenas para melhorar indicadores internos, mas não têm real necessidade de contratação.
- Pressão por resultados: com salários mais altos, a expectativa de desempenho também aumenta. Esteja pronto para entregar.
- Instabilidade econômica: o aquecimento pode ser temporário. Se a economia desacelerar, as empresas podem rever benefícios e salários.
Olhar para o futuro
Se a tendência de baixa taxa de desemprego continuar, podemos esperar que a negociação salarial se torne a norma e não a exceção. Isso pode levar a uma reestruturação dos pacotes de compensação, com mais foco em qualidade de vida, aprendizado contínuo e flexibilidade. Para o trabalhador, isso significa mais autonomia para escolher onde e como trabalhar.
Em resumo, o mercado de trabalho aquecido traz boas notícias: mais poder de barganha, salários mais competitivos e benefícios mais robustos. Mas, como tudo na vida, exige preparo e estratégia. Use as informações a seu favor, invista em qualificação e não tenha medo de negociar. O futuro do emprego no Brasil está mudando, e quem se adapta melhor sai ganhando.



