Radar Fiscal

Mercado de trabalho aquecido: o que isso muda para o seu salário e benefícios

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Mercado de trabalho aquecido: o que isso muda para o seu salário e benefícios

Nos últimos meses o Brasil tem vivido um período de aquecimento no mercado de trabalho. Não é só um papo de economista; é algo que aparece no dia a dia de quem procura emprego ou pensa em mudar de empresa. Quando a oferta de mão‑de‑obra fica escassa, quem tem mais força para negociar não é a empresa, e sim o trabalhador.



Por que o mercado está aquecido?

Segundo dados do IBGE, a taxa de desemprego chegou a 5,6 % em 2025 – o menor patamar da série histórica. Além disso, o Ministério do Trabalho informou a criação de 1,27 milhão de novos empregos formais no mesmo ano. Esses números mostram que mais vagas estão sendo abertas e que as empresas sentem a pressão de encontrar profissionais qualificados.

Mas não é só quantidade de vagas; é a qualidade. Setores como supermercados, tecnologia e logística têm relatado dificuldades para preencher cargos, sobretudo aqueles que exigem habilidades técnicas ou experiência prévia. Quando a demanda supera a oferta, a lógica de mercado se inverte: quem quer contratar tem que oferecer mais do que o salário base.



O que muda na prática para quem está no mercado?

Rodolpho Tobler, mestre em economia e finanças pela FGV e coordenador das Sondagens Empresariais, explicou que o desequilíbrio tradicional entre empregador e empregado diminui. O trabalhador passa a ter mais opções, podendo comparar ofertas de empresas diferentes e escolher a que oferece o melhor pacote.

  • Salário mais alto: ao receber duas propostas semelhantes, o candidato pode usar a concorrência a seu favor e pedir um aumento.
  • Benefícios ampliados: vale‑transporte e vale‑alimentação são cada vez mais complementados por auxílio‑home‑office, plano de saúde mais robusto, bônus por desempenho e até horários flexíveis.
  • Possibilidade de negociação de carga horária: algumas empresas reduzem a jornada ou oferecem dias de trabalho remoto para tornar a vaga mais atrativa.

Essas mudanças não são apenas números em um contrato; elas afetam a qualidade de vida, a mobilidade e a segurança financeira do trabalhador.



Setores que mais sentem a pressão

Entre os segmentos que mais aumentaram o salário de admissão em 2025, o setor de supermercados se destacou. Isso se deve ao crescimento das redes de varejo, que precisam de operadores de caixa, estoquistas e gerentes de loja para atender ao aumento da demanda de consumo pós‑pandemia.

Outros setores que acompanham essa tendência são:

  • Tecnologia da informação – desenvolvedores, analistas de dados e especialistas em segurança cibernética.
  • Logística – motoristas de caminhão, coordenadores de armazém e profissionais de transporte de carga.
  • Saúde – enfermeiros, técnicos de radiologia e profissionais de apoio hospitalar.

Se você está nessas áreas, vale a pena revisar seu contrato atual e conversar com o RH sobre possíveis ajustes. Mesmo que a empresa ainda não tenha anunciado aumentos, o simples fato de o mercado estar aquecido já dá a você um argumento sólido.

Como usar esse momento a seu favor?

Nem todo mundo tem a mesma margem de negociação, mas algumas estratégias funcionam para a maioria:

  1. Faça pesquisa de mercado: use sites de vagas, relatórios salariais da Catho ou Glassdoor para saber quanto está sendo pago em posições semelhantes.
  2. Prepare um portfólio atualizado: destaque projetos, certificações e resultados mensuráveis. Quanto mais tangível for seu valor, maior a chance de conseguir um aumento.
  3. Negocie benefícios, não só salário: às vezes um plano de saúde melhor ou um bônus de fim de ano pode compensar um salário base que não subiu tanto quanto gostaria.
  4. Esteja aberto a mudanças de função: aceitar um cargo com mais responsabilidade pode abrir portas para promoções futuras.

Lembre‑se de que a negociação deve ser feita de forma profissional. Apresente dados, mostre seu desempenho e deixe claro que você está disposto a contribuir ainda mais para a empresa.

Riscos e cuidados

Um mercado aquecido também traz alguns cuidados. Quando a oferta de vagas é alta, pode surgir a sensação de que qualquer proposta é boa demais para recusar. Evite decisões precipitadas:

  • Verifique a saúde financeira da empresa. Um salário alto pode ser insustentável se a companhia está em crise.
  • Considere a cultura organizacional. Benefícios são importantes, mas um ambiente tóxico pode anular todas as vantagens.
  • Não esqueça dos custos de transição: mudança de cidade, adaptação a novos sistemas e possíveis períodos de treinamento.

Se ainda estiver em dúvida, converse com colegas da área ou procure a orientação de um coach de carreira.

O que esperar para o futuro?

Especialistas apontam que o aquecimento pode ser temporário, dependendo de fatores como política econômica, taxa de juros e investimento em tecnologia. No entanto, a tendência de valorização de competências técnicas e soft skills deve permanecer.

Para quem está começando a carreira, a mensagem é clara: invista em qualificação. Cursos de curta duração, certificações reconhecidas e experiências práticas aumentam a sua atratividade no mercado.

Para quem já está estabelecido, o momento é de revisar contratos, buscar oportunidades de crescimento interno e, se necessário, considerar ofertas externas que reflitam o novo patamar de remuneração.

Em resumo, o mercado de trabalho aquecido coloca o trabalhador em uma posição de maior poder de barganha. Isso não significa que todas as empresas vão subir salários da noite para o dia, mas abre espaço para negociações mais equilibradas, melhores benefícios e, sobretudo, maior escolha para quem busca qualidade de vida.

Fique de olho nos indicadores, continue se aprimorando e use essa fase favorável para construir a carreira que você deseja.