Se você tem CDBs ou RDBs do Banco Master, provavelmente já viu as notícias sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começando a pagar as garantias a partir desta segunda‑feira. Mas, além da informação de que 150 mil credores vão receber o dinheiro, o que realmente está acontecendo nos bastidores e como isso afeta o seu bolso?
Um panorama rápido do que aconteceu
Em 18 de dezembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, fundado por Daniel Vorcaro. A decisão veio depois de meses de alerta no mercado: a instituição oferecia CDBs com juros muito acima da média, o que acabou atraindo investidores em busca de rentabilidade rápida, mas também levantou suspeitas sobre a sustentabilidade do modelo.
Com a liquidação, o FGC entrou em cena. O fundo tem a missão de proteger investidores quando uma instituição financeira entra em falência ou é liquidada. No caso do Master, cerca de 369 mil pedidos de ressarcimento foram registrados, e 150 mil já passaram para a fase de pagamento.
Como funciona o pagamento do FGC?
O processo é mais simples do que parece. Se você tem, por exemplo, R$ 200 mil investidos em CDBs do Master, receberá esse valor em uma única parcela, já com os rendimentos acumulados até a data da liquidação. O limite de cobertura do FGC é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição. Isso significa que quem tinha mais de R$ 250 mil investidos só terá garantido até esse teto; o excedente entra na fila de credores do Banco Central.
Os pagamentos são feitos à vista, via transferência bancária para a conta que o investidor cadastrou no aplicativo do FGC. Para pessoas físicas, o pedido de ressarcimento foi aberto no sábado, 17 de janeiro, através do app. Já as empresas devem usar o site oficial do fundo.
O que o FGC realmente cobre?
- CDB e RDB: são os produtos mais comuns e estão totalmente dentro da proteção.
- LCI e LCA: Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio também são cobertas.
- Limite de R$ 250 mil: esse teto vale por instituição, então se você tem investimentos em vários bancos, cada um tem seu próprio limite.
Por outro lado, produtos como debêntures, CRIs, CRAs, fundos de investimento e títulos emitidos fora do sistema de garantia não são protegidos. Nesses casos, o investidor fica à mercê da liquidação da instituição e só recupera o que sobrar depois de pagar as dívidas prioritárias.
Por que o FGC tem tanta liquidez?
Segundo o próprio fundo, ele dispõe de R$ 125 bilhões em liquidez (dados de novembro de 2025). Esse número é crucial porque permite pagar rapidamente os credores sem precisar recorrer a empréstimos ou a medidas emergenciais. No caso do Master, o valor total a ser pago foi estimado em R$ 40,6 bilhões – bem dentro da capacidade do fundo.
Essa robustez vem da contribuição de todas as instituições financeiras que fazem parte do sistema. Cada banco deposita uma parte de seus recursos no fundo, formando um colchão que protege os investidores em situações de risco.
Instabilidade no aplicativo e cuidados contra golpes
Quando o aplicativo do FGC abriu para receber os pedidos, houve um pico de acessos que provocou instabilidade momentânea. O fundo explicou que, apesar da lentidão, o sistema está operando normalmente, processando cerca de 9 mil pedidos por hora – aproximadamente 2,5 solicitações por segundo.
Infelizmente, esse tipo de movimentação atrai golpistas. O FGC alertou que não cobra nenhuma taxa, não antecipa pagamentos e não usa intermediários. Qualquer contato via WhatsApp, SMS ou e‑mail pedindo dinheiro é fraude. Sempre verifique os canais oficiais: app, telefone, e‑mail institucional e as redes sociais verificadas.
Impacto prático para o investidor comum
Para quem tem CDBs do Master, a notícia traz alívio imediato. O dinheiro volta para a conta, podendo ser reinvestido ou usado para outras necessidades. Mas há duas nuances importantes:
- Limite de cobertura: se o seu investimento ultrapassa R$ 250 mil, a parte excedente não será coberta. É essencial saber exatamente quanto você tem investido e quais rendimentos já foram acumulados.
- Reinvestimento consciente: após receber o dinheiro, pense bem onde aplicá‑lo. Produtos com juros exagerados podem ser tentadores, mas costumam trazer riscos maiores. Diversificar entre CDBs, Tesouro Direto, fundos de renda fixa e até uma parte em ações pode equilibrar rentabilidade e segurança.
O que aprendeu o mercado com o caso Master?
O colapso do Master reforçou duas lições fundamentais para investidores brasileiros:
- Não coloque tudo em um só banco. Mesmo com a garantia do FGC, o limite de R$ 250 mil pode ser alcançado rapidamente se você concentra muitos recursos em uma única instituição.
- Desconfie de juros muito acima da média. Quando uma oferta parece boa demais para ser verdade, há motivos para investigar a saúde financeira da instituição emissora.
Além disso, o caso trouxe à tona a importância de acompanhar notícias do mercado e de entender como funciona o FGC. Muitos investidores ainda confundem o fundo com um seguro privado; na verdade, ele é um mecanismo coletivo que protege todo o sistema bancário.
Como acompanhar o andamento dos pagamentos?
O FGC disponibiliza um painel no aplicativo onde cada credor pode ver o status do seu pedido: registrado, em análise, aprovado e pago. É recomendável que você verifique periodicamente, pois pode haver ajustes ou solicitações de documentos complementares.
Se você ainda não tem o aplicativo, baixe‑o nas lojas Google Play ou App Store, faça o cadastro com seu CPF e siga as instruções. O processo costuma ser rápido, mas mantenha seus dados bancários atualizados para evitar atrasos.
Perspectivas futuras: o que esperar do FGC?
Com o volume de pagamentos do caso Master, o FGC demonstrou que está preparado para lidar com grandes crises. Contudo, especialistas apontam que o cenário de juros altos no Brasil pode gerar novos desafios. Se mais bancos começarem a oferecer produtos com remunerações acima do mercado, o risco de novas intervenções pode crescer.
Por isso, o FGC tem buscado aprimorar seus sistemas de monitoramento e reforçar a comunicação com o público. A ideia é evitar surpresas como a instabilidade do app e garantir que os investidores saibam exatamente como agir em situações de risco.
Resumo rápido para quem quer entender tudo em poucos minutos
- 150 mil credores do Banco Master começam a receber garantias a partir de 19/01/2026.
- O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF/CNPJ em cada instituição.
- Pagamentos são à vista, em parcela única, incluindo rendimentos.
- Fique atento a golpes: o FGC nunca cobra taxas nem usa WhatsApp.
- Reinvista de forma diversificada e evite produtos com juros exagerados.
Se você ainda tem dúvidas ou quer conversar sobre estratégias de investimento pós‑Master, deixe um comentário ou entre em contato. Compartilhar experiências ajuda a todos a tomar decisões mais informadas.



