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Lula veta a busca ativa e protege seu benefício: o que muda na prática?

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Lula veta a busca ativa e protege seu benefício: o que muda na prática?

Quando a gente lê sobre leis que chegam ao nosso bolso, costuma imaginar um monte de papelada, termos jurídicos e, às vezes, aquela sensação de que nada vai mudar de verdade. Mas a recente sanção da lei que proíbe descontos indevidos nos benefícios do INSS, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem alguns pontos que podem impactar diretamente a vida de aposentados, pensionistas e até de quem cuida deles. Eu mesmo já conversei com alguns amigos que recebem aposentadoria e, depois de entender o que está acontecendo, percebi que vale a pena destrinchar tudo isso, sem usar aquele jargão de jornalismo que a gente nem entende.



## Por que a lei foi necessária?

Em abril de 2025, a Polícia Federal e a CGU descobriram que bilhões de reais estavam sendo desviados de aposentadorias e pensões. Como? Por meio de descontos feitos por associações, financeiras ou empresas de arrendamento mercantil, que cobravam taxas, mensalidades ou juros que não tinham nenhum respaldo legal. Imagine receber seu benefício todo mês e, sem saber, ter parte dele subtraída para pagar algo que você nem contratou. Para quem vive com uma renda fixa, isso pode significar a diferença entre pagar a conta de luz ou deixar de comprar o remédio que falta.

A lei aprovada no fim de 2025 tinha duas frentes: (i) proibir esses descontos e (ii) criar uma “busca ativa” para identificar beneficiários lesados e garantir o ressarcimento. A primeira parte foi sancionada, mas a segunda – a busca ativa – foi vetada pelo presidente. O governo explicou que a medida colocaria o INSS em risco jurídico e operacional, além de gerar custos extras que ainda não tinham sido estimados.



## O que mudou exatamente?

### 1. Proibição de descontos indevidos

– **Associações** que costumavam cobrar mensalidades de forma automática não podem mais fazer isso sem autorização expressa do beneficiário.
– **Instituições financeiras** que ofereciam crédito consignado (aquele empréstimo que paga direto do benefício) também ficaram obrigadas a obter consentimento claro e a informar detalhadamente todas as taxas.
– **Sociedades de arrendamento mercantil** (as famosas “leasing”) perderam a prática de descontar valores sem contrato.

Caso algum desconto ainda aconteça, a lei determina que a entidade responsável devolva o valor integral, já com correção, em até 30 dias. E, se houver fraude, o caso deve ser comunicado ao Ministério Público para que sejam tomadas providências criminais.

### 2. Ressarcimento já em andamento

Mesmo com o veto da busca ativa, o governo já começou a devolver os valores que foram descontados indevidamente. O processo ainda está em fase de implantação, mas já há canais de atendimento – tanto presencial nas agências do INSS quanto online – onde o beneficiário pode abrir um pedido de restituição. O importante é ter em mãos os extratos bancários e o comprovante de recebimento do benefício, para provar o desconto.

### 3. O que não mudou: a necessidade de atenção

Embora a lei tenha fechado a porta para descontos arbitrários, ainda cabe ao aposentado ficar de olho. Muitas vezes, o desconto vem de um contrato que foi assinado há anos, quando a pessoa ainda estava saudável e não percebeu a cláusula de renovação automática. Por isso, a dica de ouro continua: **revise seus extratos todo mês**.



## Como isso afeta o seu dia a dia?

### Segurança financeira

A principal consequência é a garantia de que o valor que você recebe será exatamente o que foi aprovado pelo INSS. Se antes você podia perder até 10 % do benefício por descontos ocultos, agora esse risco praticamente desapareceu. Isso traz mais tranquilidade para quem depende exclusivamente da aposentadoria para viver.

### Menos burocracia (ou quase)

A lei traz um procedimento padrão: a entidade que descontar indevidamente tem 30 dias para devolver o dinheiro. Antes, o beneficiário precisava abrir um processo judicial ou recorrer a órgãos de defesa do consumidor, o que podia levar meses ou até anos. Agora, o prazo é curto e a restituição é automática, desde que a denúncia seja feita.

### Impacto nos familiares

Para quem cuida de um idoso ou de um pensionista, a novidade reduz a preocupação com a “desaparição” de recursos. Muitos familiares relatam que o medo de não conseguir pagar medicamentos ou a conta de água é constante. Essa proteção legal traz um alívio emocional que, embora invisível, tem grande valor.

## Por que o veto da busca ativa gerou discussão?

A proposta original da lei incluía um mecanismo de “busca ativa”: o INSS teria que identificar todos os beneficiários que sofreram descontos indevidos e iniciar o processo de ressarcimento sem que eles precisassem reclamar. O presidente Lula vetou esse trecho argumentando que daria ao INSS competências que não lhe são próprias, expondo a autarquia a riscos jurídicos e custos que ainda não estavam calculados.

### Prós do veto

– **Evita sobrecarga ao INSS**: O órgão já lida com milhões de processos e adicionar uma tarefa de varredura massiva poderia atrasar outros serviços, como concessão de novos benefícios.
– **Responsabiliza o beneficiário**: Ao exigir que quem se sentir lesado procure o órgão, cria‑se um filtro natural, evitando reclamações infundadas.

### Contras do veto

– **Dependência de iniciativa individual**: Muitos aposentados não têm acesso fácil à internet ou nem sabem que têm direito ao ressarcimento. A busca ativa teria garantido que ninguém ficasse de fora.
– **Risco de demora**: Sem a busca ativa, o tempo entre o desconto e a restituição pode se estender, sobretudo se o beneficiário demorar a perceber o problema.

A discussão ainda está aberta, e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o caso deve retomar os trabalhos após o recesso. É provável que novas propostas surjam para equilibrar a necessidade de proteção com a capacidade operacional do INSS.

## O que você pode fazer agora?

1. **Cheque seus extratos** – Se ainda não faz isso, reserve alguns minutos todo mês para analisar o depósito do INSS e os lançamentos subsequentes.
2. **Exija comprovação** – Caso tenha assinado algum contrato de crédito consignado ou associação, peça a cópia do documento e verifique se há cláusulas de renovação automática.
3. **Use os canais oficiais** – O INSS disponibiliza o portal *Meu INSS* e a central 135. Se encontrar algum desconto que não reconhece, abra um pedido de revisão imediatamente.
4. **Fique atento às notícias** – A CPI ainda vai analisar detalhes e pode propor novas regras. Manter-se informado ajuda a evitar surpresas.

## Um olhar para o futuro da previdência

A sanção dessa lei mostra que o governo está atento às fraudes que atingem os mais vulneráveis. Ainda que a busca ativa tenha sido vetada, a mensagem é clara: descontos indevidos não serão tolerados. Isso pode abrir caminho para outras medidas, como:

– **Tecnologia de monitoramento**: Sistemas de IA que analisam padrões de pagamento e sinalizam automaticamente descontos suspeitos.
– **Parcerias com bancos**: Para que as instituições financeiras bloqueiem transações que não tenham autorização explícita.
– **Educação financeira**: Campanhas que ensinem aposentados a identificar golpes e a ler contratos com mais atenção.

Essas iniciativas ainda são ideias, mas já circulam em debates no Congresso. Se forem implementadas, podem transformar a relação entre o INSS e os beneficiários, tornando-a mais transparente e segura.

## Conclusão

Em resumo, a lei sancionada por Lula traz uma vitória concreta para quem recebe benefício do INSS: o fim dos descontos arbitrários. O veto da busca ativa, embora controverso, reflete a preocupação do governo em não sobrecarregar o órgão. Para nós, a lição principal é ficar de olho nos extratos, usar os canais de denúncia e acompanhar as discussões da CPI. Assim, garantimos que nossos direitos sejam respeitados e que o dinheiro que tanto lutamos para conquistar não seja desviado.

Se você ainda tem dúvidas ou quer compartilhar alguma experiência com descontos indevidos, deixa um comentário. Vamos conversar e, quem sabe, ajudar mais gente a entender seus direitos.