Radar Fiscal

Leilão de SP: Como comprar um Honda XRE 300 por menos de R$ 1 mil ou um Corolla mais barato que um iPhone

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Leilão de SP: Como comprar um Honda XRE 300 por menos de R$ 1 mil ou um Corolla mais barato que um iPhone

Se você já ficou de olho nas ofertas de carros usados e ainda assim achou que nunca iria encontrar um preço que fizesse o seu coração bater mais forte, a notícia que acabou de sair do governo de São Paulo pode mudar essa percepção. Um leilão público está acontecendo de forma virtual e traz, entre 730 veículos, opções que vão de uma moto Honda XRE 300 2018 por apenas R$ 900 a um Toyota Corolla 2019 com lance inicial de R$ 13 mil – preço que, curiosamente, fica abaixo do valor de um iPhone 17 Pro Max de 512 GB.

Por que os leilões públicos são diferentes dos classificados tradicionais?

Antes de mergulhar nos detalhes dos veículos, vale entender o que realmente está por trás de um leilão público. Diferente de uma concessionária ou de um site de classificados, os carros e motos que aparecem nesses pregões foram apreendidos, abandonados ou simplesmente deixaram de ter utilidade para órgãos públicos. Por isso, eles são vendidos “no estado em que se encontram”, sem garantia de funcionamento.

Isso pode soar arriscado, mas também abre a porta para preços que, em condições normais de mercado, seriam impensáveis. Se você tem um espírito de aventureiro e está disposto a colocar um pouco de esforço na inspeção e na regularização, pode transformar um investimento de poucos milhares de reais em um carro que vale muito mais.

Os destaques que chamam a atenção

  • Honda XRE 300 – 2018: lance inicial de R$ 900. Uma moto robusta, ideal para quem curte trilhas leves ou deslocamentos urbanos com um toque de liberdade.
  • Chevrolet Trailblazer – 2016: a partir de R$ 39.900. Uma SUV que ainda tem boa presença nas ruas e pode ser uma ótima escolha para famílias.
  • Toyota Corolla – 2019: lance mínimo de R$ 13.000. Um dos sedãs mais confiáveis do mercado, agora mais barato que o último iPhone da Apple.
  • Outros modelos: Yamaha Lander XTZ 250, Volkswagen Santana, Fiat Palio Weekend, Chevrolet Spin, entre outros, com lances iniciais que variam de R$ 4.200 a R$ 31.500.

Como funciona a participação?

O leilão será realizado de forma totalmente virtual no dia 18 de dezembro. Porém, quem quiser sentir o cheiro de gasolina e tocar o volante pode visitar o pátio em Suzano (SP) até o dia 17 de dezembro, das 9h às 15h. Essa visita presencial é essencial para quem não quer levar surpresas desagradáveis para casa.

Para participar, basta se cadastrar no site oficial do leilão, ler atentamente o edital – que traz todas as restrições, como a proibição de empresas suspensas ou com histórico de improbidade – e fazer seu lance. Lembre‑se de que o comprador é responsável por registrar o veículo nos órgãos de trânsito e pagar todas as taxas de transferência.

Dicas práticas para quem nunca entrou em um leilão

  1. Estude o edital: ele contém informações sobre a origem do veículo, possíveis débitos e condições de venda.
  2. Verifique a procedência: certifique‑se de que o carro não tem restrições judiciais ou fiscais que possam impedir a regularização.
  3. Defina um orçamento: inclua no cálculo o valor do lance, as taxas de registro, possíveis reparos e a vistoria.
  4. Faça inspeção presencial ou peça um relatório detalhado: se não puder ir ao pátio, solicite fotos, vídeos e, se possível, a presença de um mecânico de confiança via videochamada.
  5. Planeje a retirada: os veículos só podem ser retirados entre 26 de dezembro e 13 de janeiro de 2026, mediante agendamento.

Riscos e recompensas – vale a pena?

Comprar em leilão tem dois lados da mesma moeda. Por um lado, você pode arrematar um carro em ótimo estado por uma fração do preço de mercado. Por outro, há o risco de encontrar um veículo com problemas mecânicos graves, documentação irregular ou necessidade de grandes reparos.

Especialistas como Otávio Massa, advogado tributarista, ressaltam que a avaliação preliminar dos veículos leva em conta o valor residual no mercado e o estado de conservação. Se o carro ainda tem peças reutilizáveis ou pode ser reparado com um custo razoável, ele entra no leilão. Caso contrário, pode ser classificado como sucata.

Luciana Félix, mecânica de Belo Horizonte, destaca que a burocracia pode ser um grande obstáculo. Um carro apreendido pode precisar de “assistência jurídica” para regularizar a documentação, o que implica contratar um advogado.

O que fazer depois de arrematar?

  • Regularização: vá ao DETRAN com a documentação do leilão, pague as taxas e solicite o novo CRV.
  • Vistoria técnica: leve o veículo a um mecânico de confiança para identificar reparos urgentes.
  • Planejamento financeiro: reserve uma parte do orçamento para consertos, troca de óleo, pneus e eventual pintura.

Se tudo isso parece um pouco trabalhoso, lembre‑se de que o mesmo esforço é exigido ao comprar um carro usado em qualquer outro canal. A diferença é que, no leilão, o preço de partida já vem mais baixo, o que pode compensar o esforço extra.

Conclusão – vale a pena apostar no leilão?

Para quem tem paciência, gosta de pesquisar e não tem medo de lidar com a burocracia, o leilão do Governo de São Paulo representa uma oportunidade única. Uma moto Honda XRE 300 por menos de mil reais? É quase impossível encontrar algo assim em lojas convencionais. Um Corolla 2019 por R$ 13 mil? Também é um preço que faz qualquer entusiasta de carros dar uma segunda olhada.

Se você está cansado de pagar preços inflacionados e quer experimentar a sensação de “caçar” um bom negócio, vale a pena se inscrever, visitar o pátio de Suzano e colocar a mão na massa. Lembre‑se apenas de ler o edital com atenção, fazer uma inspeção cuidadosa e ter um plano claro para a regularização. Boa sorte e boas compras!