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LaFerrari: O superesportivo que bateu o recorde de IPVA no Brasil e mudou a história da Ferrari

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LaFerrari: O superesportivo que bateu o recorde de IPVA no Brasil e mudou a história da Ferrari

Quando falamos de carros que despertam suspiros, a LaFerrari aparece logo no topo da lista. Não é só porque ela tem um preço que beira o inacreditável – R$ 35,6 milhões – mas também porque, em 2024, ela se tornou o veículo com o IPVA mais caro do Brasil, ultrapassando a marca de R$ 1 milhão. Se você acha que esse número é só mais uma curiosidade de luxo, segura aí, porque tem muito mais por trás dessa máquina.



Por que a LaFerrari tem um IPVA tão alto?

O cálculo do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) varia de estado para estado e leva em conta o valor venal do carro. No caso da LaFerrari, o valor venal usado pelas autoridades foi de R$ 35,6 milhões, o que resultou em um imposto de R$ 1.067.933,76. Esse número não é só um reflexo do preço de compra, mas também da raridade: foram produzidas apenas 499 unidades entre 2013 e 2018, todas já vendidas. A unidade que está registrada no Distrito Federal – a capital do país – foi importada por uma concessionária e, por isso, acabou pagando o imposto mais alto já registrado.



Um marco na história da Ferrari: o primeiro híbrido

A LaFerrari não é apenas um carro bonito; ela foi o primeiro híbrido da Ferrari. Lançada em 2013, trouxe à marca a combinação de um motor V12 6.3 aspirado, posicionado centralmente, com um sistema elétrico que adiciona potência extra. O resultado? 789 cv do motor a combustão mais 174 cv do motor elétrico, totalizando impressionantes 963 cv.

Mas o que isso significa na prática?

  • Desempenho extremo: 0 a 100 km/h em apenas 2,9 segundos.
  • Velocidade máxima: 350 km/h, um número que poucos superesportivos alcançam.
  • Eficiência: apesar da potência, o consumo de combustível foi reduzido em cerca de 40% graças ao sistema híbrido.

Esses números não são apenas bragging rights; eles mostram como a tecnologia híbrida pode ser aplicada ao extremo, sem sacrificar a essência de um carro de pista.



Detalhes que fazem a diferença: freios, aerodinâmica e segurança

Para lidar com a força de quase 1.000 cv, a LaFerrari usa freios de carbono cerâmica. Esses discos são capazes de dissipar o calor gerado nas frenagens intensas, garantindo que o piloto mantenha o controle mesmo nas curvas mais exigentes. A aerodinâmica também foi pensada para gerar downforce suficiente, mantendo o carro estável a altas velocidades.

Mesmo sendo quase uma obra de arte feita à mão, a LaFerrari enfrentou alguns problemas de fabricação. A Ferrari, no entanto, não deixou esses defeitos passarem despercebidos:

  • Problemas no tanque de combustível, com risco de incêndio – substituição completa do componente.
  • Assentos com falha na absorção de energia – recall e troca dos bancos.
  • Informações incorretas nos sensores de pressão dos pneus – correção de software.
  • Airbag do passageiro defeituoso – substituição do módulo.

Esses recalls mostram que, mesmo nos carros mais exclusivos, a segurança não pode ser deixada de lado.

O que a LaFerrari representa para o mercado brasileiro?

Para quem acompanha o mercado automotivo no Brasil, a presença de um modelo como a LaFerrari traz algumas reflexões:

  1. Exclusividade: com apenas 499 unidades no mundo, possuir uma LaFerrari é sinônimo de status extremo. A última unidade enviada ao Brasil foi para Santa Catarina, mas a que paga o IPVA recorde está no DF, reforçando a concentração de colecionadores em capitais.
  2. Impacto fiscal: o valor do IPVA demonstra como impostos sobre bens de luxo podem gerar receitas significativas para os estados. Isso levanta discussões sobre a progressividade dos tributos.
  3. Tecnologia híbrida: a Ferrari mostrou que a combinação de motor a combustão e elétrico pode ser aplicada ao segmento de superesportivos, algo que pode inspirar outras montadoras brasileiras a investirem em híbridos de alta performance.

Se você pensa em comprar um carro zero km, a LaFerrari não está no seu radar – todas as unidades já foram vendidas. Mas o que podemos aprender?

Como a LaFerrari influencia a nossa escolha de veículos?

Mesmo que a maioria de nós nunca vá dirigir um carro que custa mais de um milhão de reais, a LaFerrari traz lições valiosas:

  • Valor da inovação: investir em tecnologia híbrida pode trazer benefícios reais, como redução de consumo e maior desempenho.
  • Importância da manutenção: veículos de alta performance exigem atenção constante à segurança – os recalls da Ferrari são exemplo de como a marca lida com problemas.
  • Planejamento financeiro: entender impostos como o IPVA ajuda a planejar a compra de veículos, mesmo que mais modestos.

Em resumo, a LaFerrari não é apenas um carro de colecionador; ela é um laboratório móvel que demonstra o que é possível quando engenharia, design e legislação se encontram.

O futuro dos superesportivos híbridos no Brasil

Com a crescente pressão por sustentabilidade, é provável que vejamos mais modelos híbridos ou totalmente elétricos entrando no segmento de alta performance. A Ferrari já deu o primeiro passo com a LaFerrari; agora, marcas como a Lamborghini, McLaren e até fabricantes nacionais podem seguir o exemplo.

Para o leitor brasileiro, isso significa que, nos próximos anos, talvez haja opções mais “acessíveis” (comparadas à LaFerrari) que ainda entreguem potência e tecnologia avançada, mas com menor impacto ambiental e, quem sabe, impostos mais amigáveis.

Então, da próxima vez que você ouvir falar de um carro que paga mais de um milhão de reais de IPVA, lembre-se: por trás daquele número está uma história de inovação, exclusividade e desafios que vão muito além do preço.