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Juros altos e confiança baixa: o que o pior ICEI de janeiro significa para o seu negócio

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Juros altos e confiança baixa: o que o pior ICEI de janeiro significa para o seu negócio

Em janeiro de 2026 o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) subiu 0,5 ponto, chegando a 48,5. Parece até um sinal de melhora, mas, na prática, esse número representa o pior resultado para o mês de janeiro nos últimos dez anos – a última vez que vimos algo assim foi em 2016, durante a recessão. Eu sei, pode parecer só mais um número, mas para quem tem empresa, ou pensa em abrir, isso tem implicações bem reais.



## Por que a Selic está tão alta?
A taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. O Banco Central elevou a taxa para conter a inflação, mas o efeito colateral – que ninguém gosta de admitir – é o aperto no crédito. Quando a Selic sobe, os empréstimos para pessoas físicas e jurídicas ficam mais caros. Para nós, empresários, isso significa que financiar a compra de máquinas, ampliar a produção ou até mesmo pagar o capital de giro sai mais caro.



## O que o ICEI realmente mede?
O ICEI vai de 0 a 100. Valores abaixo de 50 apontam falta de confiança. O índice tem duas partes:

– **Condições atuais da economia** – como os empresários veem o presente. Em janeiro, esse sub‑índice subiu para 44 pontos, ainda bem abaixo de 50.
– **Expectativas** – a perspectiva para os próximos seis meses. Aqui, o número chegou a 50,7, indicando um leve otimismo.

A combinação mostra que, embora a gente veja um brilho no horizonte, o presente ainda parece sombrio. É como olhar para o futuro com esperança, mas sentir que o caminho até lá está cheio de pedras.

## Como isso afeta o seu bolso?
Se você tem uma pequena ou média empresa, ou até mesmo está pensando em abrir um negócio, aqui vão alguns impactos diretos:

– **Custo do crédito**: empréstimos e financiamentos ficam mais caros. Um crédito de R$ 100 mil que antes custava 10% ao ano pode agora chegar a 15% ou mais.
– **Investimento em tecnologia**: a decisão de comprar novos equipamentos ou investir em automação costuma depender de crédito barato. Com juros altos, muitos empresários adiam essas compras.
– **Fluxo de caixa**: juros mais altos aumentam o valor das parcelas, reduzindo a margem de lucro e apertando o fluxo de caixa.
– **Decisão de contratação**: se o custo de financiar a folha de pagamento sobe, a tendência é congelar contratações ou até fazer cortes.

Esses pontos são reais e podem mudar o rumo da sua empresa nos próximos meses.



## O que os especialistas estão dizendo?
Marcelo Azevedo, da CNI, explicou que a confiança baixa começou no fim de 2024, quando a Selic começou a subir. Ele destaca que, à medida que os juros aumentam, os efeitos são sentidos na atividade econômica e a falta de confiança se consolida. Em outras palavras: quanto mais caro o dinheiro, menos a gente investe.

## Estratégias para enfrentar o cenário
Mesmo com esse panorama desfavorável, dá para tomar atitudes que minimizem o impacto. Eu costumo dividir em três frentes:

1. **Revisão de custos** – analisar cada gasto da empresa e cortar o que não traz retorno imediato. Às vezes, pequenos ajustes no consumo de energia ou na renegociação de contratos já dão alívio.
2. **Diversificação de fontes de financiamento** – não ficar dependente só dos bancos tradicionais. Cooperativas de crédito, fintechs e até linhas de apoio do governo podem ter condições melhores.
3. **Planejamento de fluxo de caixa** – criar uma reserva de emergência para cobrir períodos de aperto. Isso dá margem para respirar quando as parcelas dos empréstimos pesarem mais.

## Olhando para o futuro
O ICEI de expectativas subiu levemente, indicando que os empresários acreditam que a situação pode melhorar nos próximos seis meses. Essa esperança está ligada principalmente ao desempenho das próprias empresas, não tanto à economia em geral, que ainda é vista de forma negativa.

O que isso significa para nós? Que, apesar das dificuldades, ainda há espaço para inovação e adaptação. Se a economia como um todo está lenta, quem se destaca é quem consegue ser mais ágil, reduzir custos e oferecer algo que o cliente realmente precise.

## Dicas práticas para quem está começando agora
Se você está pensando em abrir um negócio em 2026, aqui vão alguns conselhos práticos:

– **Comece pequeno e teste o mercado** antes de fazer grandes investimentos.
– **Use linhas de crédito com juros menores**, como o BNDES ou programas estaduais de apoio a startups.
– **Invista em tecnologia que gere eficiência**, como softwares de gestão que reduzam custos operacionais.
– **Mantenha um fundo de reserva** equivalente a, no mínimo, três a seis meses de despesas fixas.

## Conclusão
O número 48,5 pode parecer só mais um ponto em uma escala, mas ele carrega a mensagem de que os empresários ainda sentem o peso dos juros altos. Ainda assim, há sinais de otimismo nas expectativas. Para quem tem empresa, a lição é clara: revisar custos, buscar alternativas de crédito e planejar o fluxo de caixa são essenciais. E se você ainda está na fase de ideia, use esse cenário como oportunidade para construir um negócio mais resiliente desde o início.

Se você gostou desse panorama e quer saber mais sobre como proteger seu negócio dos juros altos, continue acompanhando o blog. Sempre trago análises práticas e histórias reais que ajudam a transformar dados econômicos em decisões estratégicas.