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Josh D’Amaro assume a Disney: o que isso muda para os fãs e para o mercado?

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Josh D’Amaro assume a Disney: o que isso muda para os fãs e para o mercado?

Na última terça‑feira (3), a Walt Disney Company anunciou que Josh D’Amaro será o novo CEO, substituindo Bob Iger a partir de 18 de março. Para quem acompanha a empresa há anos, a notícia chega como um sinal de que a Disney está pronta para uma nova fase, com um líder que já conhece a fundo os bastidores dos parques, hotéis e cruzeiros que dão vida ao império do entretenimento.

Mas antes de mergulharmos nos detalhes, vale lembrar que a Disney não é apenas um conjunto de personagens animados. Ela é uma máquina gigantesca que movimenta bilhões de dólares, emprega centenas de milhares de pessoas e influencia a cultura pop em todo o planeta. Quando o comando muda, o efeito reverbera não só nos acionistas, mas também nos consumidores que, de alguma forma, têm uma história Disney guardada na memória.

Josh D’Amaro tem 54 anos e chegou à Disney em 1998. Desde 2020, ele lidera a divisão Disney Experiences – a maior parte do negócio, responsável por 12 parques temáticos, 57 hotéis, cruzeiros e uma infinidade de produtos de consumo, gerando US$ 36 bi em receita no último exercício. Seu currículo inclui projetos icônicos como “Star Wars: Galaxy’s Edge”, “Avengers Campus” e a parceria com a Epic Games para levar o universo Disney ao Fortnite. Formado em Administração pela Universidade de Georgetown, D’Amaro já foi presidente da Disneyland Resort e do Walt Disney World Resort, além de passar por áreas de finanças, estratégia e marketing nos EUA e no exterior.



Então, o que a escolha de D’Amaro traz de novo? Primeiro, a promessa de continuidade. Ele já está dentro da cultura Disney, conhece o que faz os visitantes se apaixonarem pelos castelos e pelas atrações. Segundo, ele traz uma mentalidade de “inovação operativa” – combinar criatividade com eficiência. Isso pode significar mais investimentos em tecnologia nos parques (como realidade aumentada), expansão de experiências imersivas e, quem sabe, novas formas de monetizar o conteúdo digital.

Ao mesmo tempo, a Disney anunciou que Dana Walden, co‑presidenta do segmento de entretenimento, assumirá o cargo de presidente e diretora criativa da companhia – uma função inédita. Walden vai se reportar diretamente a D’Amaro e coordenar a estratégia criativa de cinema, TV e streaming. Essa dupla, D’Amaro + Walden, pode ser a chave para alinhar o lado “experiência física” (parques) com o “conteúdo digital” (filmes, séries, Disney+), algo que a empresa tem tentado equilibrar nos últimos anos.



Os desafios não são pequenos. O streaming, por exemplo, ainda luta para ser rentável. O Disney+ cresceu rapidamente, mas a concorrência com Netflix, Amazon Prime e HBO Max é feroz, e os custos de produção de conteúdo original continuam altos. Além disso, a empresa precisa manter a disciplina financeira que Bob Iger reforçou desde seu retorno em 2022, enquanto continua a investir em expansão de parques – como o novo parque em Abu Dhabi que está nos planos de D’Amaro.

Do ponto de vista do consumidor, a mudança pode trazer novidades que já sentimos no ar: mais atrações interativas, talvez um foco maior em experiências personalizadas usando dados dos visitantes, e uma integração ainda maior entre o que vemos nas telas e o que vivenciamos nos parques. Se tudo correr bem, veremos mais cross‑overs criativos, como personagens de filmes aparecendo em atrações ou eventos especiais que combinam lançamentos de filmes com celebrações nos parques.



Para mim, que cresci assistindo aos clássicos da Disney e, mais tarde, visitando o Magic Kingdom, essa transição me deixa curioso e otimista. A Disney sempre foi sinônimo de reinvenção – de “Branca de Neve” a “Frozen”, de desenhos animados a universos digitais. Se Josh D’Amaro conseguir unir a tradição com a inovação tecnológica, podemos estar à beira de uma nova era de histórias que vão além da tela, envolvendo todos os sentidos.

Fique de olho nas próximas movimentações: anúncios de novos parques, parcerias tecnológicas e, claro, as escolhas criativas que Dana Walden trará para os roteiros. A Disney está em constante metamorfose, e agora, com um CEO que respira parques e um diretor criativo que entende de conteúdo, o futuro parece promissor – tanto para investidores quanto para quem ainda acredita que a magia existe.