Quando o nome João Carlos Mansur aparece nas manchetes, a primeira reação costuma ser: “Lá vem mais um caso de fraude no mercado financeiro”. Mas quem é esse homem, e por que a sua história importa para quem investe, trabalha em bancos ou simplesmente tenta entender melhor o cenário econômico do Brasil?
Fundador da Reag Investimentos em 2012, Mansur tem mais de três décadas de experiência em contabilidade, auditoria e gestão de fundos. No LinkedIn, ele se gaba de ter estruturado mais de 200 fundos – de FII a FIP e FIDC – e de ter passado por gigantes como PwC, Monsanto e até a Trump Realty Brazil. Essa bagagem impressionante faz dele uma figura respeitada (e, ao mesmo tempo, alvo de curiosidade) no meio financeiro.
Em setembro de 2023, ele deixou o cargo de presidente do conselho da Reag depois de a empresa ser citada em uma megaoperação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). Na época, a Polícia Federal apontou irregularidades na cadeia de produção e distribuição de combustíveis, além de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo fintechs e fundos de investimento. Essa foi a primeira vez que Mansur apareceu em um grande escândalo.
Agora, em 14 de março de 2024, ele volta ao centro das atenções. A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF, investiga um suposto esquema de fraudes no Banco Master. Entre os alvos estão o dono do banco, Daniel Vorcaro, seus parentes e, claro, Mansur. Segundo a investigação, haveria captação de recursos, aplicação em fundos e desvio de dinheiro para o patrimônio pessoal de Vorcaro e da família.
Os investigadores apreenderam o celular do proprietário do Banco Master e, em buscas realizadas em São Paulo (incluindo a famosa Avenida Faria Lima) e em estados como Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, encontraram carros de luxo, relógios caros e até R$ 97,3 mil em dinheiro vivo. O total de bens bloqueados ultrapassa R$ 5,7 bilhões, segundo o ministro Dias Toffoli.
Por que isso importa para o investidor comum?
Primeiro, a operação mostra que o mercado de fundos e investimentos no Brasil ainda tem vulnerabilidades sérias. Quando alguém com o currículo de Mansur – que já trabalhou na criação do Allianz Parque e em projetos imobiliários de alto nível – está envolvido, a confiança de investidores individuais pode abalar. Se você tem dinheiro aplicado em fundos de investimento, pode começar a questionar: “Será que meu gestor está realmente seguindo as regras?”
Segundo, a magnitude dos valores bloqueados (bilhões de reais) indica que os esquemas de desvio não são pequenos “espertinhos”. Eles envolvem estruturas complexas, como FIDCs e FIPs, que muitas vezes são pouco compreendidos pelos pequenos investidores. Entender como esses veículos funcionam – quem controla, quem recebe os rendimentos e quais são as garantias – passa a ser essencial para evitar cair em armadilhas.
O que a história de Mansur nos ensina sobre o caminho da carreira no mercado financeiro
Ele começou como bacharel em ciências contábeis, trabalhou em auditoria na PwC, depois migrou para áreas de estratégia em empresas como Monsanto e Tishman Speyer. Essa trajetória demonstra que o mercado valoriza profissionais que sabem transitar entre diferentes setores. Mas também deixa claro que, ao alcançar posições de poder, a exposição a riscos éticos aumenta exponencialmente.
Um ponto curioso: Mansur também esteve ligado à Trump Realty Brazil, uma joint venture que durou apenas de 2003 a 2006. O projeto fracassou antes de concluir qualquer empreendimento, o que mostra que nem todo nome de alto nível garante sucesso. A lição? Avalie sempre os resultados concretos, não apenas o currículo.
Como proteger seu patrimônio diante de possíveis fraudes
- Cheque a regularidade dos fundos: Consulte o site da CVM e verifique se o fundo está registrado e se há relatórios de auditoria disponíveis.
- Diversifique: Não coloque todo o seu dinheiro em um único gestor ou em um único tipo de fundo.
- Exija transparência: Peça ao seu assessor informações detalhadas sobre a estratégia de investimento, taxas e a composição da carteira.
- Fique atento a promessas de retornos altos e rápidos: Se parece bom demais para ser verdade, provavelmente é.
O que esperar nos próximos meses
A Operação Compliance Zero ainda está em fase de investigação. É provável que novas buscas sejam realizadas, que mais bens sejam bloqueados e que alguns executivos sejam indiciados. Para o mercado, isso pode significar um período de maior cautela, com investidores exigindo mais transparência das instituições financeiras.
Além disso, o caso pode gerar discussões sobre a necessidade de regulamentações mais rígidas para fundos de investimento e para a atuação de conselheiros independentes como Mansur. A CVM já sinalizou que pretende rever alguns procedimentos de controle interno, o que pode trazer mudanças importantes para quem trabalha ou investe no setor.
Em resumo, a história de João Carlos Mansur é um alerta sobre como o sucesso profissional pode se cruzar com riscos éticos e legais. Para nós, leitores que acompanham o mercado, a lição principal é: informação e prudência são as melhores armas contra fraudes.
E você, já conhece bem os fundos onde investe? Que medidas você acha que deveriam ser tomadas para tornar o mercado mais seguro? Compartilhe sua opinião nos comentários!



