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Itália apoia acordo UE-Mercosul: o que isso muda para o Brasil e para o seu bolso

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Itália apoia acordo UE-Mercosul: o que isso muda para o Brasil e para o seu bolso









Depois de mais de 25 anos de conversas, o tão falado acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul está prestes a sair do papel. E a última peça que faltava? O apoio da Itália. Se você acompanha notícias de economia ou se preocupa com o preço dos alimentos e produtos importados, vale a pena entender por que esse voto da Roma tem tanto peso e o que isso pode significar para o nosso dia a dia.

Por que a Itália é tão importante?

A UE não funciona como um voto único. Para aprovar acordos de grande relevância, como o UE‑Mercosul, é preciso alcançar a chamada maioria qualificada no Conselho Europeu: 55% dos países membros que representem, ao menos, 65% da população total da UE. Em números, isso significa que países grandes – Alemanha, França, Espanha e, claro, Itália – são decisivos.

Sem o apoio da Itália, que tem cerca de 60 milhões de habitantes, alcançar esse patamar fica muito mais difícil. É como se a Itália fosse um “voto de Minerva”: um único voto pode virar a mesa.

O que mudou nas regras agrícolas?

Durante a negociação, a maior preocupação da Itália (e de outros países agrícolas) era a chamada “salvaguarda agrícola”. Antes, para suspender tarifas era preciso comprovar um aumento de 10% nas importações. Agora, o gatilho foi reduzido para 5% em três anos, e o prazo de investigação caiu de seis para três meses (ou até dois, em casos críticos). Em termos simples, as autoridades europeias podem agir mais rápido para proteger os produtores locais.

  • Gatilho mais baixo: 5% de crescimento nas importações ao invés de 10%.
  • Prazo reduzido: de 6 para 3 meses (ou 2 meses em situações urgentes).
  • Presunção de prejuízo: não é mais necessário provar dano econômico detalhado.

Essas mudanças deixaram a Itália mais confortável para dizer “sim”, desde que o bloco europeu dê respostas rápidas ao setor agrícola.

Quem está a favor e quem está contra?

Além da Itália, outros países dão apoio firme:

  • Alemanha – liderada por Friedrich Merz, vê o acordo como forma de diversificar mercados e reduzir a dependência da China.
  • Espanha – Pedro Sánchez acredita que o pacto pode abrir novas oportunidades para exportadores.

Do outro lado, a França, liderada por Emmanuel Macron, se posiciona contra. O medo aqui é que produtos sul‑americanos – como carne bovina, frutas e soja – cheguem a preços mais baixos, prejudicando os agricultores franceses. Irã, Hungria e Polônia também manifestam resistência.

O que isso significa para o Brasil?

Para nós, o acordo pode trazer benefícios e desafios. Vamos dividir em duas partes: oportunidades e cuidados.

Oportunidades

  • Exportação de agropecuária: com tarifas reduzidas, produtos como carne, soja, café e frutas podem ganhar mais competitividade nos mercados europeus.
  • Indústria e serviços: empresas brasileiras de tecnologia, automóveis e bens de consumo podem encontrar menos barreiras tarifárias para entrar na UE.
  • Investimentos: regras claras de investimento podem atrair mais capital europeu para projetos de energia renovável e infraestrutura no Brasil.

Cuidados

  • Concorrência agrícola: produtores locais podem sentir pressão de importações mais baratas, especialmente em setores onde a UE tem produção eficiente.
  • Regulamentações: o acordo inclui padrões regulatórios que podem exigir adaptações de processos produtivos (ex.: resíduos de agrotóxicos).
  • Dependência de mercados externos: abrir muito pode deixar a economia vulnerável a crises externas, como flutuações cambiais.

Como o acordo pode afetar o seu bolso?

Se tudo acontecer como esperado, você pode notar:

  • Preços de alguns alimentos importados (como queijos, vinhos e chocolates) caindo levemente, graças à redução de tarifas.
  • Possibilidade de mais produtos brasileiros nas prateleiras europeias, o que pode gerar mais empregos nas exportadoras.
  • Um eventual ajuste nos preços internos de produtos agrícolas, caso os produtores locais precisem se adaptar à concorrência.

É claro que esses efeitos não são imediatos; eles se desenvolvem ao longo de meses e anos, à medida que as empresas se reorganizam e os governos ajustam políticas de apoio.

Qual o próximo passo?

Na sexta‑feira (9), representantes da UE devem se reunir para votar. Se a Itália confirmar o apoio, a maioria qualificada provavelmente será alcançada, e o acordo avançará para a assinatura, prevista para janeiro de 2025. Do lado brasileiro, o presidente Lula já demonstrou confiança de que a assinatura vai acontecer.

Enquanto isso, vale ficar de olho nas discussões sobre as salvaguardas agrícolas. Se a UE mudar novamente as regras, isso pode influenciar a decisão final da Itália.

O que eu, como cidadão, posso fazer?

Mesmo que o assunto pareça distante, ele tem impacto direto na economia que sentimos no dia a dia. Aqui vão algumas dicas:

  1. Informar-se: acompanhe notícias sobre o acordo e veja como ele afeta setores que você consome.
  2. Valorizar produtores locais: apoiar feiras e produtos regionais ajuda a equilibrar a concorrência.
  3. Participar de debates: se você tem opinião sobre políticas agrícolas, escreva para seus representantes ou participe de audiências públicas.

Em resumo, o apoio da Itália pode ser o ponto de virada para um acordo que promete mudar a cara do comércio entre a Europa e a América do Sul. Para o Brasil, isso pode significar mais oportunidades de exportação, mas também a necessidade de se adaptar a novas regras e a uma competição mais acirrada. Fique atento, porque o que acontece nos corredores de Bruxelas pode chegar até a sua mesa em pouco tempo.