Se você tem carro, moto ou até um ônibus na garagem, já deve ter sentido aquele frio na barriga ao ver o calendário do IPVA chegando. Em 2026, a coisa vai ficar um pouco mais flexível: alguns estados permitem pagamento em até 10 parcelas e ainda há descontos que podem aliviar o bolso.
Mas antes de correr para o site da Secretaria da Fazenda, vale a pena entender como o tributo funciona, onde o dinheiro vai e quais são as oportunidades de isenção ou desconto. Neste post eu reuni tudo que você precisa saber, com exemplos práticos e dicas para não perder nada.
O que é o IPVA e por que ele existe?
O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) nasceu em 1985, substituindo a antiga Taxa Rodoviária Única (TRU). Na época, a ideia era simples: usar parte da arrecadação para construir e manter as rodovias brasileiras. Hoje, a destinação mudou um pouco, mas o princípio continua – o tributo ajuda a financiar serviços públicos, como saúde, educação e infraestrutura.
Como o IPVA é calculado?
O cálculo varia de estado para estado, mas a base é a mesma: a alíquota (geralmente entre 1% e 4%) multiplicada pelo valor venal do veículo, que vem da tabela da Fipe.
- Exemplo 1: Alíquota de 4% + Volkswagen Polo 2018 (valor Fipe R$ 69.574) → IPVA = R$ 2.782,96.
- Exemplo 2: Mesmo carro, modelo 2022 (valor Fipe R$ 86.715) → IPVA = R$ 3.468,60.
- Exemplo 3: Fiat Strada 2013 (valor Fipe R$ 54.245) → IPVA = R$ 2.169,80 (alíquota 4%).
Como dá para ver, veículos mais novos pagam mais, e o valor diminui à medida que o carro envelhece.
Para onde vai o dinheiro do IPVA?
O repasse costuma seguir esta regra:
- 40% – Governo estadual
- 40% – Governo municipal
- 20% – Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb)
Isso significa que, além de pavimentar ruas, parte da sua contribuição ajuda a financiar escolas públicas. Em alguns estados, como São Paulo em 2025, a verba também foi usada para obras de saúde e segurança.
Isenção e descontos: quem pode pagar menos?
Nem todo mundo precisa desembolsar o valor total. Existem duas categorias principais de redução:
- Isenção por idade: A PEC aprovada em dezembro de 2025 isenta veículos com mais de 20 anos de fabricação. A estimativa é que 7,7 milhões de veículos se beneficiem.
- Descontos específicos: Taxistas, veículos de pessoas com deficiência, ônibus, micro-ônibus, veículos híbridos ou elétricos, e até carros de entidades sem fins lucrativos podem ter redução ou isenção total.
Em São Paulo, por exemplo, além da regra dos 20 anos, são isentos:
- Motocicletas até 150 cc
- Veículos híbridos flex até R$ 250 mil
- Automóveis de igrejas e ONGs
- Veículos oficiais e de taxistas
Calendário 2026: quando pagar e como parcelar?
Os estados já divulgaram as datas de vencimento para 2026. O padrão costuma ser:
- Primeira cota – início do ano (geralmente janeiro ou fevereiro)
- Demais cotas – distribuídas ao longo dos meses, seguindo o número final da placa.
Alguns estados, como Roraima, permitem pagamento em até 10 parcelas, o que pode ser uma boa saída para quem não quer comprometer todo o orçamento de uma vez.
É importante ficar de olho nas datas específicas do seu estado. No site da Secretaria da Fazenda, você encontra a tabela completa com as datas por final de placa e as opções de pagamento (boleto, débito automático, internet banking, etc.).
Dicas práticas para não errar na hora de pagar
- Cheque a alíquota do seu estado: Ela pode variar de 1% a 4% dependendo do veículo e da categoria.
- Confirme o valor venal na Fipe: Use o site da Fipe para atualizar o preço do seu modelo antes de calcular.
- Aproveite a parcela única ou a opção de parcelamento: Se o seu fluxo de caixa permite, pagar à vista costuma render descontos (até 5% em alguns estados).
- Verifique isenções: Se o seu carro tem mais de 20 anos ou se você se encaixa em alguma categoria especial, solicite a isenção com antecedência.
- Guarde o comprovante: O comprovante de pagamento pode ser exigido para renovação de documentos ou para comprovar regularidade fiscal.
O que esperar para o futuro?
Com a tendência de eletrificação da frota, muitos estados já estão oferecendo descontos para veículos elétricos e híbridos. Além disso, a discussão sobre a destinação do IPVA continua viva: alguns defendem que parte maior da arrecadação deveria voltar diretamente para manutenção de rodovias, enquanto outros apontam para investimentos em mobilidade sustentável.
Se a PEC de isenção de veículos acima de 20 anos for mantida, podemos ver uma redução significativa no número de contribuintes, o que pode levar a ajustes nas alíquotas ou na forma de distribuição dos recursos.
Em resumo, o IPVA 2026 traz mais opções de parcelamento e mantém as isenções já consolidadas. Fique atento ao calendário do seu estado, verifique se você tem direito a algum desconto e, se possível, aproveite o pagamento à vista para economizar ainda mais.
E aí, já anotou a data da sua primeira cota? Compartilhe nos comentários como você costuma organizar o pagamento do IPVA – quem sabe a gente não descobre novos truques juntos!



