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Investidores assustados com a IA? Como os “chefões” da tecnologia estão tentando acalmar os medos

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Investidores assustados com a IA? Como os “chefões” da tecnologia estão tentando acalmar os medos

Nas últimas semanas, o mercado de tecnologia nos EUA tem sido um verdadeiro parque de diversões para quem acompanha a bolsa. De um lado, gigantes como Amazon, Google, Meta e Microsoft anunciaram investimentos massivos em inteligência artificial – somando US$ 660 bilhões só este ano. Do outro, os investidores parecem estar com o pé atrás, temendo que todo esse dinheiro jogado na IA não traga o retorno esperado.



O clima de desconfiança ficou ainda mais evidente quando, na sexta‑feira (6), a Amazon divulgou que pretende investir US$ 200 bilhões em IA até 2026. As ações da empresa despencaram, refletindo a preocupação de que o gasto gigantesco possa não se traduzir em lucro imediato.



Um dia antes, a Alphabet, controladora do Google, fez anúncio semelhante, o que acabou puxando o Nasdaq para o seu nível mais baixo em mais de dois meses. Foi como se o mercado tivesse apertado o freio de mão ao ouvir que os “chefões” da tecnologia vão colocar ainda mais dinheiro em algo ainda incerto.



Por que a IA está gerando tanto alvoroço?

Inteligência artificial não é mais novidade; ela está presente em assistentes virtuais, recomendações de streaming, filtros de fotos e até em diagnósticos médicos. Mas o que mudou nos últimos meses foi a escala dos investimentos. A ideia é criar modelos ainda maiores, treinar redes neurais em data centers que consomem energia em proporções impressionantes e, claro, transformar tudo isso em produtos que gerem receita.

Para quem investe, a questão central é simples: quanto dinheiro será necessário antes que os retornos apareçam? E, ainda mais importante, se esses retornos vão ser suficientes para compensar o risco. A resposta ainda não está clara, e isso deixa os investidores nervosos.

Quem está se beneficiando?

Nem tudo é pessimismo. Enquanto as ações das grandes plataformas caem, as fabricantes de chips – Nvidia e AMD – têm se destacado. Elas fornecem o hardware que alimenta os modelos de IA, e a demanda por GPUs de alta performance só cresce. Assim, investidores que apostam nas cadeias de suprimentos da IA acabam vendo suas carteiras subir.

Além disso, empresas de software e serviços de dados, como Oracle, Palantir, Salesforce e SAP, conseguiram conter a queda nas últimas sessões. Os CEOs dessas empresas, como Jensen Huang (Nvidia) e Sundar Pichai (Google), defendem que a IA será uma ferramenta que complementa, e não substitui, os softwares tradicionais.

O que os líderes de big tech estão dizendo

Jensen Huang, da Nvidia, descreveu a ideia de que a IA substituiria softwares como “a coisa mais ilógica do mundo”. Ele argumenta que a IA funciona como uma ferramenta que potencializa o que já existe, em vez de tornar tudo obsoleto. Sundar Pichai reforça esse ponto, dizendo que a IA tem sido “uma ferramenta capacitadora” para produtos e serviços, e que as empresas de software que já a adotam têm grandes oportunidades pela frente.

Essas falas são parte de uma estratégia de comunicação: tranquilizar o mercado e mostrar que, apesar dos altos investimentos, há um caminho claro para a rentabilidade.

Riscos reais e lições do passado

Historicamente, grandes ondas tecnológicas – como a internet nos anos 2000 – foram acompanhadas de bolhas especulativas. O entusiasmo inicial pode inflar os preços das ações, mas, quando a realidade dos lucros chega, o mercado corrige. A atual “bolha da IA” ainda está em formação, e alguns analistas apontam para um possível estouro caso os retornos não se materializem.

Um exemplo recente: a Microsoft perdeu cerca de US$ 400 bilhões em valor de mercado em um único dia, depois de divulgar resultados que mostraram margens menores devido aos investimentos em data centers para IA. Mesmo com receita de serviços em nuvem ultrapassando US$ 50 bilhões, a pressão sobre a rentabilidade foi evidente.

Como isso afeta o investidor comum?

Se você tem alguma exposição a ações de tecnologia – seja diretamente ou via fundos – vale a pena observar alguns pontos:

  • Diversificação: não coloque todo o capital em empresas puramente focadas em IA. Equilibre com setores mais estáveis.
  • Foco em hardware: empresas como Nvidia e AMD tendem a se beneficiar da demanda por chips, independentemente da volatilidade das plataformas de software.
  • Acompanhe os resultados trimestrais: eles revelam se os investimentos estão gerando receita ou apenas consumindo caixa.
  • Olhe para a adoção corporativa: contratos de IA em áreas como saúde, finanças e jurídico podem ser indicadores de crescimento sustentável.

O que vem pela frente?

Especialistas acreditam que, até 2025, a IA ainda vai crescer em importância, mas o ritmo de investimento pode se estabilizar. As empresas vão precisar mostrar resultados concretos para justificar os gastos. Ao mesmo tempo, novas startups focadas em nichos específicos – como automação de revisão de contratos – podem surgir, oferecendo oportunidades de investimento mais direcionadas.

Em resumo, a IA continua sendo o grande motor de inovação, mas como qualquer tecnologia disruptiva, traz consigo incertezas. O melhor caminho para quem acompanha o mercado é manter a calma, analisar os fundamentos das empresas e ficar atento às declarações dos “chefões” que, no fim das contas, também são humanos e sentem a pressão dos acionistas.

Se você ainda não tem clareza sobre como posicionar seu portfólio frente a esse cenário, talvez seja hora de conversar com um consultor financeiro e revisar suas estratégias. Afinal, entender o que está por trás dos números pode fazer toda a diferença entre surfar a onda da IA ou ser arrastado por ela.