Na última semana, o assunto que mais tem circulado nos corredores das instituições financeiras brasileiras é a inspeção que o Tribunal de Contas da União (TCU) vai conduzir no Banco Central (BC) a respeito da liquidação do Banco Master. Se você acompanha as notícias de economia, já deve ter visto o nome do ministro Jhonatan de Jesus surgindo nos noticiários, assim como o do presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho. Mas, afinal, por que isso importa para quem não está diretamente ligado ao setor bancário?
Para entender o caso, vale recapitular rapidamente o que aconteceu. O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, entrou em sérios problemas de liquidez ainda em 2024. As pressões foram tantas que o Banco Central acabou decretando a liquidação da instituição em novembro de 2025. A decisão gerou controvérsia, sobretudo porque havia uma proposta de aquisição pela Fictor, um fundo de investimento com capital árabe, que poderia ter evitado a falência.
O ponto de tensão surgiu quando o Ministério Público de Contas enviou, em dezembro de 2025, dois pedidos de diligência ao TCU: um sobre o negócio entre o BRB (Banco de Brasília) e o Master, e outro sobre as tratativas finais que levaram à liquidação. O ministro Jhonatan de Jesus foi sorteado para ser relator do caso. Ele deixou bem claro que ainda não há conclusão formada – “não há conclusão formada antes da verificação técnica dos fatos” – e que a inspeção será avaliada pelo seu gabinete antes de ser levada ao plenário.
Por que o TCU quer inspecionar o Banco Central?
O TCU tem, dentro da sua estrutura, a AudBancos, área responsável por fiscalizar o sistema bancário. A ideia da inspeção é analisar duas questões centrais:
- Os indícios de que o Banco Master já apresentava problemas de liquidez em 2024.
- Como se deu a decisão de liquidação, mesmo diante de uma proposta de aquisição que poderia ter mantido o banco em funcionamento.
Essas perguntas são relevantes porque, se houver falhas no processo de supervisão ou na comunicação entre o BC e outras instituições, isso pode indicar vulnerabilidades no sistema financeiro que afetam todos nós, seja na hora de abrir uma conta, solicitar um empréstimo ou simplesmente confiar que o dinheiro depositado está seguro.
O que a reunião entre TCU e Banco Central revelou?
Na segunda‑feira (12), o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, se encontrou com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na sede do BC. O objetivo, segundo Vital, era encontrar um equilíbrio entre o poder de fiscalização do TCU e a autonomia do BC – uma autonomia que o próprio BC tem defendido firmemente.
Vital afirmou que a inspeção traria “segurança jurídica” ao processo de liquidação e que tudo deveria durar menos de um mês. A reunião acabou com o BC desistindo de contestar a inspeção, mas ainda não há um posicionamento oficial sobre as declarações do presidente do TCU.
Impactos práticos para o cidadão comum
Você pode estar se perguntando: “E eu, como cliente de um banco, como isso me afeta?” A resposta está na confiança que depositamos no sistema financeiro. Quando uma instituição como o Banco Master entra em liquidação, o BC precisa intervir para garantir que os depositantes não percam seu dinheiro. Se houver dúvidas sobre a forma como essa decisão foi tomada, isso pode gerar insegurança no mercado.
Além disso, o caso levanta questões sobre a transparência das decisões regulatórias. Se o TCU descobrir que o BC não forneceu informações completas ou que a liquidação foi precipitada, pode haver recomendações para melhorar os processos de supervisão. Isso, a longo prazo, pode significar regras mais claras para bancos e maior proteção para consumidores.
O que dizem os atores do setor?
A Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) já se manifestou, defendendo a decisão do BC. Em nota, a entidade ressaltou a “solidez e a resiliência do setor bancário” e a importância da “independência do regulador”. Essa postura indica que, apesar das críticas, o setor bancário ainda confia na capacidade do BC de agir de forma autônoma e responsável.
Por outro lado, críticos apontam que a falta de clareza sobre a negociação com a Fictor pode ter fechado portas para soluções menos drásticas. Se o BC tivesse considerado a proposta de aquisição, talvez o Banco Master tivesse sido salvo, evitando a liquidação e os custos associados a esse processo.
O que esperar nos próximos dias?
Os técnicos do TCU devem iniciar a inspeção ainda nesta semana. O relatório preliminar será encaminhado ao relator, que, por sua vez, levará o caso ao plenário do tribunal. Se tudo correr como o previsto, a decisão final pode ser tomada em menos de um mês – um prazo curto, mas que demonstra a urgência do assunto.
Enquanto isso, o mercado fica atento. Qualquer sinal de fraqueza na supervisão pode influenciar a confiança dos investidores, impactar a cotação das ações de bancos e até mexer nas taxas de juros que afetam empréstimos e financiamentos.
Conclusão: por que vale a pena acompanhar
Mesmo que você não tenha conta no Banco Master, o caso ilustra como decisões tomadas nos bastidores das instituições reguladoras podem ter repercussões no seu dia a dia. Transparência, responsabilidade e rapidez são pilares que garantem a estabilidade do sistema financeiro – e, consequentemente, a saúde da sua carteira.
Fique de olho nas próximas publicações do TCU e nas respostas do Banco Central. Cada detalhe pode revelar lições importantes sobre como o Brasil lida com crises bancárias e protege os consumidores. E, claro, continue acompanhando nosso blog para análises descomplicadas de temas que impactam seu bolso.



