Se você recebe aposentadoria ou pensão do INSS, provavelmente já ouviu falar do INPC – o Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Ele é o número que define o reajuste dos benefícios que são maiores que o salário‑mínimo. Em 2025, esse índice fechou em 3,90 %, enquanto a inflação oficial, medida pelo IPCA, chegou a 4,26 %. A diferença pode parecer só um número, mas na prática ela significa menos dinheiro no bolso.
Vamos entender, passo a passo, o que esses percentuais realmente representam, como eles afetam o seu orçamento e, principalmente, o que você pode fazer para se proteger da perda de poder de compra nos próximos anos.
O que são INPC e IPCA?
O INPC foi criado em 1979 pelo IBGE e acompanha a variação de preços para famílias que ganham entre 1 e 5 salários‑mínimos. Ele serve de base para reajustar aposentadorias, pensões e salários que são indexados ao piso nacional.
Já o IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – tem um escopo maior: inclui famílias que recebem até 40 salários‑mínimos. Por isso, ele é considerado a inflação oficial do país e é usado para corrigir contratos, tarifas e metas econômicas.
Como ficou o INPC em 2025?
Em 2025, o INPC acumulou alta de 3,90 %. No último mês do ano, dezembro, o índice subiu 0,21 %, impulsionado por alimentos (+0,28 %) e itens não alimentícios (+0,19 %). O resultado ficou 0,87 ponto percentual abaixo dos 4,77 % registrados em 2024.
Regionalmente, a variação foi bem desigual:
- Porto Alegre (RS): +0,57 % – energia elétrica residencial subiu 3,87 % e carnes 2,04 %.
- Curitiba (PR): -0,22 % – energia caiu 3,23 % e frutas 4,82 %.
- Vitória (ES): +4,82 % – energia +17,65 % e aluguel +9,06 %.
Por que o reajuste fica abaixo da inflação oficial?
Como o INPC ficou em 3,90 % e o IPCA em 4,26 %, o ajuste dos benefícios que usam o INPC será menor que a inflação que realmente sentimos no dia a dia. Isso gera uma perda de poder de compra, principalmente para quem depende exclusivamente desses rendimentos.
Em números: se a sua pensão era de R$ 2.500,00, o reajuste de 3,90 % eleva o valor para R$ 2.597,50. Mas, se os preços dos produtos que você compra subirem 4,26 %, você precisará de R$ 2.606,50 para manter o mesmo padrão de consumo. Ou seja, faltam quase R$ 9,00 por mês – o que parece pouco, mas acumulado ao longo do ano pesa no orçamento.
O que muda no teto da Previdência?
O teto máximo que o INSS pode pagar também será ajustado. Em 2026, ele deve subir de R$ 8.157,41 para R$ 8.474,55. Esse aumento depende da publicação de uma portaria no Diário Oficial da União. Enquanto a regra não sai, o valor permanece o mesmo.
Para quem recebe exatamente o salário‑mínimo, o reajuste já está garantido: o novo salário‑mínimo de R$ 1.621,00 entrou em vigor na última quinta‑feira (1º de janeiro). Assim, quem ganha esse valor tem o benefício atualizado automaticamente.
Como a nova regra de aposentadoria afeta 2026?
Além do reajuste, 2026 traz mudanças nas regras de transição da reforma da Previdência de 2019. Quem já contribuía antes da reforma ainda tem um caminho gradual até 2031, mas algumas exigências vão mudar:
- Idade mínima: mulheres passam a precisar de 59 anos e seis meses; homens, 64 anos e seis meses.
- Tempo de contribuição: permanece em 30 anos para mulheres e 35 para homens.
- Regra dos pontos: a pontuação mínima sobe para 93 pontos (mulheres) e 103 pontos (homens).
Essas alterações podem influenciar a data da sua aposentadoria e, consequentemente, o tempo que você ficará exposto a reajustes menores que a inflação.
O que fazer para proteger seu poder de compra?
Não há fórmula mágica, mas algumas estratégias ajudam a minimizar o impacto:
- Planejamento financeiro: faça uma planilha de despesas fixas e variáveis. Identifique onde há margem para cortar ou negociar.
- Investimentos de baixo risco: aplicações em Tesouro Direto IPCA+ podem render acima da inflação oficial, compensando o reajuste menor.
- Revisão de contratos: se você tem plano de saúde, telefonia ou serviços que permitem reajuste por IPCA, verifique se há cláusulas que podem ser renegociadas.
- Previdência privada: um plano complementar pode garantir uma renda extra que não depende exclusivamente do INPC.
Essas medidas não eliminam a diferença entre INPC e IPCA, mas criam uma camada de proteção que pode fazer a diferença no final do mês.
Olhar para o futuro: tendências da inflação
Especialistas apontam que a inflação brasileira tem se mantido em patamares moderados, mas fatores como energia, alimentação e aluguel ainda podem gerar volatilidade. Se a tendência de alta nos preços de energia – que puxou a variação de Porto Alegre e Vitória – continuar, o IPCA pode subir ainda mais nos próximos anos.
Isso significa que o descompasso entre INPC e IPCA pode se aprofundar, tornando ainda mais importante buscar alternativas de renda que acompanhem o IPCA.
Em resumo, o fechamento do INPC em 3,90 % para 2025 traz um alerta: quem depende de benefícios acima do salário‑mínimo verá seu poder de compra erodido se não tomar medidas. Entender a diferença entre os índices, ficar de olho nas mudanças de regras da aposentadoria e buscar formas de complementar a renda são passos fundamentais para manter a tranquilidade financeira.
E você, já começou a analisar suas finanças à luz desses números? Compartilhe nos comentários como está se preparando para 2026.



