Se você acompanha as notícias econômicas, provavelmente já viu a manchete: IGP-M fecha 2025 em queda de 1,05%. Mas, na prática, o que isso traz para a gente que paga (ou recebe) aluguel? Vamos conversar de forma simples, sem jargões, e entender como esse número pode (ou não) mexer no seu bolso.
O que é o IGP-M?
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) é um indicador calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) que acompanha a variação de preços em três etapas da economia: produção, consumo e construção. Ele tem três componentes principais:
- IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) – 60% do peso.
- IPC (Índice de Preços ao Consumidor) – 30% do peso.
- INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) – 10% do peso.
Historicamente, o IGP-M tem sido usado como referência para reajustar contratos de aluguel, tarifas de energia, telefonia e até alguns serviços. Por isso, quando ele cai, muita gente pensa que o aluguel vai baixar também.
Por que o IGP-M recuou em 2025?
O ano de 2025 foi marcado por três fatores que puxaram o índice para a deflação:
- Desaceleração econômica global: a demanda por produtos diminuiu, reduzindo a pressão de aumento de preços na cadeia produtiva.
- Melhora nas safras agrícolas: com colheitas mais abundantes, o preço das matérias‑primas agrícolas caiu, refletindo nos preços ao produtor.
- Queda nos preços no atacado: o IPA, que responde por 60% do IGP-M, registrou queda de 3,35% no acumulado do ano, puxando o índice geral para baixo.
Já o INCC, que mede custos da construção civil, subiu 6,01% no acumulado, mas como representa apenas 10% do cálculo total, seu impacto foi limitado.
Aluguel vai cair? Nem sempre…
A resposta curta é: não necessariamente. Existem três motivos principais para isso:
- Tipo de contrato: muitos contratos antigos ainda utilizam o IGP-M como indexador, mas nos últimos anos há uma mudança para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que tem tendência de alta.
- Oferta e demanda: o preço do aluguel também depende da quantidade de imóveis disponíveis e da procura por eles. Em cidades onde a demanda supera a oferta, os aluguéis podem subir mesmo com IGP-M em queda.
- Renegociação de contratos: ao final do prazo, o locatário e o locador podem negociar novos valores, considerando o mercado atual e não apenas o índice.
Em resumo, o IGP-M negativo pode abrir espaço para uma redução ou um reajuste menor, mas só acontece se o contrato permitir e se as partes concordarem.
Como usar essa informação a seu favor
Mesmo que o IGP-M não garanta uma queda automática nos aluguéis, ele ainda é um dado importante para quem está negociando ou planejando mudar de imóvel. Veja algumas dicas práticas:
- Confira o indexador do seu contrato: procure a cláusula que define o índice de reajuste. Se estiver usando IGP‑M, a deflação pode ser um argumento para pedir um ajuste menor.
- Pesquise o mercado local: veja o preço médio dos aluguéis na sua região. Em áreas onde a oferta está alta, você tem mais margem de negociação.
- Negocie antes do vencimento: se o contrato termina em poucos meses, converse com o locador sobre a possibilidade de usar o IGP‑M ou até mesmo o IPCA, explicando a situação econômica atual.
- Considere o prazo do contrato: contratos de longo prazo costumam ter reajustes anuais. Se você está iniciando um novo contrato, avalie a possibilidade de incluir uma cláusula que limite aumentos a um percentual máximo.
O que esperar para 2026?
Os analistas apontam que a tendência de desaceleração pode continuar, mas com muita incerteza. Alguns cenários possíveis:
- Manutenção da deflação: se a economia global permanecer fraca, o IGP‑M pode continuar em território negativo, pressionando ainda mais os reajustes de aluguel para baixo.
- Retorno ao crescimento moderado: caso a atividade econômica se recupere, o índice pode voltar a subir, especialmente se o INCC mantiver alta.
- Política de indexação: há discussões no Congresso sobre limitar o uso do IGP‑M em contratos de aluguel, o que poderia mudar a forma como os reajustes são feitos.
Ficar atento às notícias e entender como esses indicadores funcionam ajuda a tomar decisões mais conscientes, seja ao assinar um novo contrato, renegociar o atual ou até mesmo ao planejar a compra de um imóvel.
Resumo rápido
- IGP‑M encerrou 2025 com deflação de 1,05%.
- Queda impulsionada por desaceleração econômica, boas safras e redução de preços no atacado.
- Aluguel pode não cair automaticamente; depende do indexador do contrato, da oferta/demanda e da negociação.
- Use o conhecimento do índice como ferramenta de negociação e fique de olho nas tendências para 2026.
Em última análise, entender o que está por trás dos números econômicos transforma uma simples notícia em um recurso útil para o seu dia a dia. Agora que você já sabe o que o IGP‑M significa e como ele pode (ou não) impactar seu aluguel, que tal revisar seu contrato e conversar com seu locador? Pode ser a oportunidade que você precisava para ajustar as contas e garantir mais tranquilidade financeira.



