Radar Fiscal

Ibovespa em disparada: o bonde ainda está a caminho ou já passou?

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Ibovespa em disparada: o bonde ainda está a caminho ou já passou?

Se você tem acompanhado as notícias de economia, provavelmente já viu a manchete: Ibovespa em alta recorde. Mas, o que isso significa para quem ainda não tem dinheiro investido ou está pensando em dar o primeiro passo? Neste post, eu vou conversar de forma simples sobre o que está acontecendo na bolsa, quais setores podem ser a boa pedida e se vale a pena colocar parte da sua carteira em ações agora.



O que aconteceu de verdade?

Em janeiro de 2025, o Ibovespa fechou a 181.364 pontos, o melhor resultado para o mês em duas décadas. Em 12 meses, o índice subiu 43 %. Esse salto foi impulsionado por três fatores principais:

  • Expectativa de corte de juros tanto no Brasil quanto nos EUA;
  • Retorno de capital estrangeiro para a B3;
  • Um cenário de recuperação econômica que deixa as empresas brasileiras mais atrativas.

Para quem tinha dinheiro aplicado em fundos atrelados ao Ibovespa, a rentabilidade superou de longe o CDI, que acompanha a Selic de 15 % ao ano – a maior taxa em quase 20 anos.



Take profit: o que é e por que pode ser oportunidade

Quando o índice sobe muito, muitos investidores decidem “realizar lucro”, ou seja, vendem as ações que compraram na baixa para transformar o ganho em dinheiro. Se muita gente faz isso ao mesmo tempo, o preço das ações pode recuar. Isso gera um momento de volatilidade, mas também abre portas para quem está de olho e quer entrar a preços mais baixos.

Portanto, a alta não significa que o bonde já passou. Ela pode criar novas janelas de compra, especialmente se você escolher papéis que ainda não subiram tanto quanto o índice geral.



Setores que podem brilhar nos próximos anos

Os analistas citam alguns setores com potencial de ganho até 2026:

  • Construção civil e materiais de construção: a retomada de obras e o crédito mais barato ajudam.
  • Vestuário, calçados e têxteis: consumo interno forte e exportações em alta.
  • Banco e fintechs: margens de crédito melhoram com a queda da Selic, e o volume de empréstimos cresce.
  • Commodities – mineração e energia: a demanda da China e dos EUA por minério de ferro e petróleo eleva os preços e favorece empresas como Vale e Petrobras.

Um ponto importante que a analista Bruna Sene (Rico) destaca: nem todas as ações do Ibovespa subiram na mesma proporção. Por isso, a escolha seletiva continua essencial.

Renda fixa ainda tem seu espaço

Mesmo com a expectativa de corte da Selic para 12,25 % ao ano até o fim de 2026, a renda fixa permanece atrativa para quem busca previsibilidade. Tesouro Direto, CDBs, LCIs/LCAs e fundos de renda fixa ainda oferecem retornos acima da inflação, com risco relativamente baixo.

Antonio Sanches (Rico) projeta cortes de 0,5 ponto percentual a cada reunião do Copom a partir de março, o que pode tornar os títulos pós-fixados ainda mais interessantes. Mas, para quem tem um horizonte de médio a longo prazo, diversificar entre renda fixa e variável costuma ser a estratégia mais equilibrada.

Como montar uma carteira balanceada

Se você está começando, a regra de ouro é não colocar todos os ovos em uma única cesta. Uma alocação simples pode ser:

  1. 40 % em fundos de índice (ETF) que replicam o Ibovespa ou o S&P 500, para ter exposição ao mercado amplo;
  2. 30 % em ações de setores que você acredita ter potencial (por exemplo, bancos, commodities ou construção);
  3. 30 % em títulos de renda fixa (Tesouro Selic + CDBs).

Essa mistura permite aproveitar a alta da bolsa sem abrir mão da segurança da renda fixa.

O que esperar para 2026?

Os analistas apontam que 2026 será marcado por:

  • Cortes de juros nos EUA, o que pode liberar fluxo de capital para mercados emergentes;
  • Continuação da realocação de investimentos estrangeiros para a B3, atraídos por ativos subvalorizados;
  • Possível estabilização da política fiscal brasileira, o que melhora a confiança dos investidores.

Se tudo isso acontecer, a bolsa brasileira pode continuar a subir, embora com oscilações naturais. O importante é manter a disciplina, revisar a carteira periodicamente e não deixar o medo ou a euforia ditarem as decisões.

Conclusão: o bonde ainda está em movimento?

Na minha opinião, o Ibovespa ainda tem espaço para crescer, especialmente se a Selic seguir caindo e a economia global permanecer saudável. Mas, como sempre, não existe garantia. O melhor caminho é estudar, começar com valores que você pode perder sem comprometer seu orçamento e, acima de tudo, diversificar.

Se você ainda não investe, aproveite esse momento de informação abundante, converse com um assessor de investimentos ou abra uma conta em corretora e dê o primeiro passo. Lembre‑se: o maior erro costuma ser não começar.