Na manhã desta quarta‑feira (21), o Ibovespa fez história ao ultrapassar a marca dos 168 mil pontos pela primeira vez. Um salto de cerca de 1,4% impulsionou o principal índice da bolsa, enquanto o dólar recuava aproximadamente 0,5%, rondando R$ 5,35. Para quem acompanha a bolsa, a sensação foi de que o mercado finalmente encontrou um fôlego depois de semanas de incertezas.
Por que o Ibovespa subiu?
O principal motor da alta foram os investidores estrangeiros. A tensão entre EUA e Europa – sobretudo o embate em torno da Groenlândia – fez com que fundos globais buscassem refúgio em ativos considerados mais seguros. No Brasil, as chamadas blue chips – Itaú, Vale, Bradesco, Eneva e Petrobras – ganharam destaque por sua resiliência.
Felipe Tavares, economista‑chefe da BGC Liquidez, explicou que a aversão ao risco nos mercados desenvolvidos está empurrando capital para economias emergentes. “Os investidores veem o Brasil como um porto mais estável nesse momento”, afirmou.
O que está acontecendo com o dólar?
Enquanto a bolsa subia, o dólar caía. A razão principal foi a combinação de dois fatores: a diminuição da demanda por dólares como reserva de valor diante das tensões geopolíticas e a expectativa de que o Banco Central brasileiro possa intervir para conter novas desvalorizações.
Nos últimos dias, o dólar acumulou +0,14% na semana, mas ainda registra queda de 1,98% no mês e no ano. Para quem tem dívidas ou planeja comprar produtos importados, a leve desvalorização traz um alívio no bolso.
O papel de Davos e a política americana
O Fórum Econômico Mundial, em Davos, trouxe à tona discursos que mexem com a confiança dos investidores. Donald Trump, presente no evento, voltou a falar sobre a compra da Groenlândia e ameaçou tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. Embora tenha suavizado o tom ao dizer que não usará a força, a mensagem provocou nervosismo nos mercados.
Além disso, a Suprema Corte dos EUA ouviu um caso que pode mudar a independência do Federal Reserve, caso Trump consiga demitir a diretora Lisa Cook. Essa incerteza sobre a política monetária americana tem reflexos diretos nas taxas de juros globais e, por consequência, no fluxo de capitais para mercados emergentes como o brasileiro.
Will Bank e a decisão do Banco Central
No Brasil, a atenção também se voltou para a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controladora do Will Bank, anunciada pelo Banco Central. A instituição, vinculada ao grupo Banco Master, não conseguiu honrar suas dívidas, o que gerou a intervenção.
Para investidores, a notícia trouxe um alerta: embora o Ibovespa esteja em alta, o risco de crédito ainda é real. A falência de um banco pode gerar efeitos de contágio, sobretudo em um cenário de juros altos.
Como isso afeta o investidor comum?
- Mais oportunidades de compra: A alta do Ibovespa pode abrir portas para quem deseja entrar no mercado de ações, especialmente em empresas sólidas.
- Dólar mais barato: Quem planeja viagens ao exterior, compra de produtos importados ou investimentos em ativos denominados em dólares sente um alívio imediato.
- Risco de volatilidade: A combinação de fatores políticos – tanto internos quanto externos – indica que a bolsa pode oscilar bastante nos próximos dias.
- Fique atento ao crédito: A situação do Will Bank mostra que nem todas as instituições financeiras estão imunes a crises de liquidez.
O que esperar nos próximos dias?
O mercado vai continuar de olho em duas frentes: as declarações de Trump em Davos e os desdobramentos da crise da Groenlândia, que ainda podem gerar novas tarifas ou sanções. No Brasil, o foco será a resposta do Banco Central ao cenário de crédito e a evolução dos indicadores econômicos, como inflação e taxa Selic.
Se a bolsa mantiver o ritmo de alta, podemos ver o Ibovespa ultrapassar novos recordes, mas a volatilidade pode permanecer alta. Para quem tem carteira diversificada, o melhor caminho ainda é manter a calma, analisar o perfil de risco e não tomar decisões precipitadas baseadas em manchetes.
Em resumo, a combinação de fluxo estrangeiro, dólar em queda e a tensão geopolítica criou um cenário único para o mercado brasileiro. Aproveite as oportunidades, mas nunca deixe de avaliar os riscos.



