Se você acompanhou a notícia de que o Ibovespa terminou 2025 com alta de 33,95%, provavelmente ficou com a pulga atrás da orelha: como a bolsa pode subir tanto quando a taxa Selic está em 15% ao ano, o maior patamar dos últimos 20 anos? Eu também fiquei curioso e resolvi mergulhar nos motivos por trás desse fenômeno. O que eu descobri pode mudar a forma como você vê seus investimentos, mesmo que ainda não tenha dinheiro para comprar ações.
O panorama geral: números que chamam atenção
- Ibovespa +33,95% em 2025 – maior alta anual desde 2016 (38,9%).
- 32 recordes de fechamento ao longo do ano – o maior número desde 2019.
- Selic encerrando 2025 em 15% ao ano – juros altos, mas a bolsa não sente.
Esses números já são impressionantes, mas para entender o que realmente aconteceu precisamos olhar para fora do Brasil e para dentro do país, além de analisar como os investidores pensam.
1. O que os EUA fizeram e por que isso ajudou o Brasil
O Federal Reserve (Fed) cortou a taxa de juros três vezes em 2025, passando de 4,25‑4,50% para 3,50‑3,75% ao ano. Parece pouco, mas tem um efeito dominó enorme:
- Treasuries menos atraentes: títulos americanos são o porto seguro global. Quando a rentabilidade deles cai, investidores buscam alternativas com maior retorno.
- Fluxo de capital para mercados emergentes: o Brasil, com sua moeda relativamente estável e ativos ainda “baratos”, se tornou um destino natural.
- Incerteza nos EUA: o shutdown histórico do governo americano e a retórica de Donald Trump sobre o Fed criaram medo de volatilidade.
Esses fatores “tiraram a coroa” dos EUA como reserva de valor e abriram espaço para o real e a bolsa brasileira.
2. Por que as ações brasileiras estavam baratas?
Durante a pandemia, muitas empresas perderam valor e ainda não recuperaram os níveis pré‑COVID. Isso gerou um pessimismo mal dimensionado que, segundo analistas, acabou ficando para trás em 2025.
- Valuation atrativo: ações de companhias sólidas como Vale, Petrobras e Ambev estavam negociando abaixo de seus múltiplos históricos.
- Expectativa de recuperação: investidores globais, cansados de retornos modestos nos EUA, viram no Brasil uma chance de “comprar na baixa”.
- Resiliência frente ao tarifão: apesar das tarifas de 50% impostas pelos EUA, o Brasil conseguiu renegociar e retirar 200 produtos da lista, mostrando adaptabilidade.
Em resumo, a bolsa parecia uma “pechincha” e atraiu quem busca maior potencial de retorno.
3. A Selic alta não foi um obstáculo – por quê?
Com a taxa básica de juros em 15%, a lógica tradicional diria que a renda fixa seria a escolha mais segura. Contudo, o mercado olha para o futuro, não só para o presente.
- Corte esperado para 2026: economistas projetam a Selic em torno de 12,25% ao final do próximo ano. Essa expectativa já está precificando ganhos potenciais nas ações.
- Comparação de rentabilidade: mesmo com juros altos, o retorno total da bolsa (dividendos + valorização) supera o que a maioria dos títulos de renda fixa oferece.
- Perfil de risco: investidores mais arrojados preferem alocar parte do portfólio em ativos que podem gerar ganhos acima da inflação e dos juros.
É como se o mercado estivesse dizendo: “sim, os juros estão altos hoje, mas daqui a dois anos a coisa muda, então vamos nos posicionar agora”.
4. O peso da política – eleições de 2026 e a incerteza fiscal
Não dá para falar de bolsa no Brasil sem mencionar a política. Em 2025, a discussão sobre contas públicas ficou “na gaveta”, mas a expectativa de um ano eleitoral em 2026 trouxe outra camada de volatilidade.
- Flávio Bolsonaro entra na corrida: o anúncio da pré‑candidatura fez o dólar subir e a bolsa cair mais de 4% em um dia.
- Fragmentação da oposição: isso pode favorecer o atual governo, mas também aumenta a imprevisibilidade de políticas fiscais.
- Risco fiscal persistente: analistas ainda veem a dívida pública como um ponto frágil que pode pressionar o Banco Central a manter juros elevados.
Para o investidor, isso significa que a volatilidade pode ser maior, mas também que há oportunidades para quem souber ler o cenário.
5. O que tudo isso significa para o investidor comum?
Se você ainda não tem ações, ou tem apenas uma poupança, veja alguns pontos práticos:
- Comece pequeno, mas comece: abrir uma conta em uma corretora pode ser feito em minutos. Aplicar R$ 500 a R$ 1.000 em um fundo de índice (ETF) que replica o Ibovespa pode ser um primeiro passo.
- Diversifique: não coloque tudo em uma única ação. Um ETF ou um fundo de ações de grandes empresas reduz risco.
- Olhe o horizonte: pense em 5 a 10 anos. A bolsa pode oscilar no curto prazo, mas o histórico mostra crescimento real ao longo do tempo.
- Fique de olho nos juros: quando a Selic começar a cair, o fluxo de capital para a bolsa tende a acelerar ainda mais.
- Monitore a política fiscal: notícias de reformas ou de aumento de gastos podem mudar o cenário rapidamente.
Essas dicas não garantem lucro, mas ajudam a transformar a ansiedade em ação consciente.
6. Projeções para 2026 – será que chegaremos a 200 mil pontos?
Analistas dão uma faixa entre 170 mil e 200 mil pontos para o final de 2026. O que está por trás desse otimismo?
- Corte da Selic: se a taxa chegar a 12% ou menos, o custo de oportunidade da renda fixa diminui.
- Continuidade dos cortes nos EUA: mais juros baixos nos EUA mantêm o fluxo de capitais emergentes.
- Estabilidade política: se houver um governo que consiga avançar em reformas fiscais, a confiança dos investidores aumenta.
Mas há riscos:
- Reeleição de Lula pode trazer políticas de gasto público que aumentem a dívida.
- Eventuais crises externas (por exemplo, recessão na China) podem puxar o mercado global para baixo.
- Volatilidade política interna, com novos candidatos surgindo, pode gerar picos de incerteza.
Portanto, a meta de 200 mil pontos não é garantida, mas o caminho está aberto para um desempenho sólido.
7. Como acompanhar tudo isso sem ficar sobrecarregado?
Eu sei que o mundo dos macro‑dados, taxas de juros e política pode parecer um labirinto. Aqui vão três ferramentas simples:
- Aplicativos de notícias financeiras: o app do G1, Bloomberg, ou mesmo o Yahoo Finanças dão alertas em tempo real.
- Relatórios de corretoras: a maioria das corretoras envia newsletters mensais com análise de mercado – vale a pena assinar.
- Podcasts de economia: ouvir enquanto dirige ou faz exercício ajuda a transformar informação em conhecimento prático.
Com essas fontes, você consegue acompanhar as mudanças sem precisar ler relatórios de 200 páginas.
Conclusão – Por que a alta do Ibovespa importa para você?
O salto de quase 34% em 2025 mostra que a bolsa brasileira tem capacidade de crescer mesmo em um cenário de juros altos. Isso acontece porque:
- Os investidores globais estão buscando retornos melhores fora dos EUA.
- As ações brasileiras estavam baratas e agora são vistas como oportunidades.
- As expectativas de corte de juros no Brasil e nos EUA criam um ambiente favorável.
- Mesmo com incertezas políticas, o mercado tem foco no médio e longo prazo.
Para quem ainda não investe, a mensagem é clara: não deixe o medo dos juros altos impedir você de entrar. Comece pequeno, diversifique e mantenha o olhar no futuro. Se a bolsa pode subir 34% em um ano, imagine o que ela pode fazer nos próximos cinco, especialmente se a Selic cair e a economia ganhar mais estabilidade.
Então, que tal abrir sua conta em uma corretora ainda esta semana? A oportunidade está aí, e o Ibovespa acabou de mostrar que, mesmo em tempos de juros altos, há espaço para quem pensa além do curto prazo.



