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Ibovespa 2025: Por que a Bolsa subiu 34% mesmo com juros nas alturas?

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Ibovespa 2025: Por que a Bolsa subiu 34% mesmo com juros nas alturas?

Se você acompanha a notícia econômica, provavelmente já viu a manchete chamando a atenção: o Ibovespa terminou 2025 com alta de 33,95 %, a melhor performance em quase uma década. Para quem não entende muito de mercado, isso pode soar como um milagre – afinal, a taxa Selic ficou em 15 % ao ano, o maior patamar dos últimos 20 anos. Mas, como tudo na vida, há explicações lógicas por trás desse salto.

O panorama geral: juros altos, mas otimismo ainda maior

O cenário interno parece, à primeira vista, desfavorável. Juros altos costumam atrair investidores para a renda fixa e afastar a galera da bolsa. Ainda assim, o Ibovespa quebrou recordes de alta e de número de fechamentos em alta (32 recordes em 2025). O que mudou?

1. O efeito dominó dos juros nos EUA

O Federal Reserve (Fed) cortou a taxa de juros três vezes em 2025, passando de 4,25‑4,50 % para 3,50‑3,75 % ao ano – o nível mais baixo desde 2022. Quando os rendimentos das Treasuries (títulos americanos) caem, os investidores buscam alternativas mais rentáveis, e os mercados emergentes, como o Brasil, se tornam atraentes.

  • Menor retorno nos EUA: títulos seguros perdem brilho.
  • Busca por risco‑retorno: o Brasil oferece dividendos mais altos e valuation mais barato.
  • Incerteza americana: o shutdown histórico do governo e a política de tarifas de Donald Trump deixaram investidores cautelosos.

Esses fatores diminuíram a “reservoir” de valor dos EUA, empurrando capital para fora e alimentando a alta da bolsa brasileira.

2. A “pechincha” das ações brasileiras

Depois da pandemia, muitas ações brasileiras ainda negociavam abaixo dos níveis pré‑COVID. Analistas como Marcos Praça (ZERO Markets) apontam que o pessimismo exagerado acabou se desfazendo, revelando oportunidades de compra. Em termos simples: empresas sólidas estavam baratas, e quem viu isso aproveitou.

  • Valuation atrativo – P/E e P/B abaixo da média global.
  • Dividendos acima de 5 % em média, atraindo fundos de renda fixa em busca de rendimento.
  • Setores exportadores (agro, mineração) beneficiados pela resiliência nas tensões comerciais EUA‑Brasil.

Quando o preço está baixo e a perspectiva de lucro é boa, o mercado reage positivamente.

3. Expectativas de corte da Selic em 2026

Mesmo com a Selic em 15 % agora, o consenso entre economistas é de que ela deve cair para cerca de 12,25 % até o fim de 2026. Essa expectativa já está precificando ganhos futuros nas ações. Felipe Tavares (BGC Liquidez) explica que o mercado olha para o médio e longo prazo, não apenas para o cenário imediato.

Em resumo: se a taxa de juros cair, o custo de oportunidade da renda fixa diminui, e a bolsa ganha ainda mais força.

4. O papel da política e das contas públicas

O debate fiscal ainda está “na gaveta”. Enquanto o governo não resolve questões de déficit, o Banco Central mantém juros altos para conter a inflação. Contudo, a atenção dos investidores tem sido mais sobre o fluxo de capital externo e menos sobre a situação fiscal interna – pelo menos por enquanto.

Mas atenção: em ano eleitoral (2026), a pressão por gastos e medidas populistas costuma voltar, o que pode revirar o cenário.

5. O que esperar de 2026?

Analistas divergem, mas há um consenso de que a volatilidade será maior. A entrada de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, por exemplo, já provocou movimentos bruscos no Ibovespa. Ainda assim, projeções otimistas sugerem que o índice pode alcançar entre 170 mil e 200 mil pontos até o final de 2026, especialmente se houver corte da Selic e estabilidade política.

  • Fatores positivos: corte da Selic, fluxo de capital estrangeiro, valuation ainda atrativo.
  • Riscos: instabilidade política, retorno de tensões fiscais, choque externo.

Para quem pensa em investir, a lição principal é: diversificar e acompanhar de perto tanto os indicadores internos quanto os externos.

Como aplicar esse aprendizado no seu portfólio?

  1. Revisite suas posições em ações brasileiras: se ainda tem empresas que parecem “baratas”, vale analisar se o cenário de valorização ainda faz sentido.
  2. Considere fundos de índice (ETFs): eles permitem exposição ao Ibovespa com risco diluído.
  3. Fique de olho nos juros americanos: novos cortes podem acelerar a entrada de capital no Brasil.
  4. Monitore o calendário político: eleições, decisões fiscais e anúncios de políticas econômicas costumam mover o mercado.

Em última análise, a alta de 33,95 % do Ibovespa em 2025 nos mostra que, mesmo em ambientes de juros altos, a bolsa pode encontrar motivos para subir – basta que haja fluxo de capital, valuations atrativos e expectativas de melhoria futura.

Se você ainda tem dúvidas ou quer conversar sobre como montar uma estratégia de investimento mais robusta, deixe um comentário ou me procure nas redes sociais. Vamos navegar juntos nesse mar de oportunidades!