A notícia de que a riqueza dos bilionários chegou a um novo recorde em 2025 não é apenas um número impressionante – ela traz reflexões sobre política, desigualdade e o futuro da democracia. Eu sempre fico intrigado quando vejo esses relatórios da Oxfam, porque eles traduzem dados frios em histórias que afetam a vida de todo mundo, inclusive a minha.
## O que o relatório da Oxfam revelou?
– **Mais de 3 mil bilionários** no mundo, somando US$ 18,3 trilhões;
– **Crescimento de 16,2%** nos patrimônios em um único ano, três vezes mais rápido que nos últimos cinco anos;
– Os **12 mais ricos** possuem mais riqueza que a metade mais pobre da população – cerca de 4 bilhões de pessoas.
Esses números são assustadores, mas o que realmente me chama atenção é o que vem depois: a relação entre esse acúmulo de riqueza e o poder político.
## Dinheiro que compra influência
A Oxfam aponta que os ultrarricos têm **4.000 vezes mais chances** de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns. Nos Estados Unidos, por exemplo, a influência de bilionários como Elon Musk nas eleições de 2024 foi tão grande que **1 em cada 6 dólares** gastos por candidatos veio de doadores extremamente ricos.
Essa concentração de poder tem duas consequências claras:
1. **Políticas que favorecem os ricos** – quando os interesses dos bilionários alinham-se com o governo, a probabilidade de uma medida ser aprovada sobe para 45%.
2. **Desinteresse ou oposição dos mesmos** – quando eles se opõem, a chance cai para 18%.
É como se o dinheiro fosse um megafone que amplifica a voz de poucos, abafando a maioria.
## Por que isso importa para nós, brasileiros?
Mesmo que a maioria dos bilionários esteja nos EUA ou na Europa, o efeito dominó se sente globalmente. Quando grandes corporações conseguem **isenção da taxa mínima de 15%** – prevista em acordos internacionais – isso reduz a arrecadação de impostos que poderiam ser usados em saúde, educação e infraestrutura no Brasil.
Além disso, a tendência de **reduções massivas de impostos** antes das eleições americanas cria um padrão que outros países podem seguir, pressionando governos a abrir mão de receitas essenciais.
## O que podemos fazer?
– **Exigir transparência**: cobrar que candidatos divulguem todas as doações, especialmente de pessoas físicas com patrimônio acima de US$ 1 bilhão.
– **Apoiar reformas tributárias**: um imposto mais progressivo sobre grandes fortunas pode reduzir a concentração de riqueza.
– **Participar de movimentos civis**: protestos como o da Juventude Socialista Suíça em Davos mostram que a sociedade ainda tem voz para questionar encontros elitistas como o Fórum Econômico Mundial.
– **Educar financeiramente**: entender como funciona a acumulação de riqueza ajuda a tomar decisões mais conscientes sobre investimentos e consumo.
## Um círculo vicioso que precisamos quebrar
A Oxfam chama de “círculo vicioso” a combinação de desigualdade econômica e política que acelera a erosão dos direitos. Quando os mais ricos controlam mídia, redes sociais e até inteligência artificial, a democracia fica vulnerável a manipulações.
Pensar em soluções não é fácil, mas começar por pequenas ações – como apoiar políticas públicas que taxem grandes fortunas ou participar de debates locais – pode, a longo prazo, mudar esse cenário.
## Olhando para o futuro
Com as próximas eleições nos EUA e a continuidade de encontros como Davos, a luta contra a concentração de poder econômico promete ser um dos grandes temas da década. Para nós, a mensagem é clara: a democracia só funciona quando a voz de todos tem peso, e isso só acontece se a riqueza não for usada como arma política.
Então, da próxima vez que ouvir sobre um bilionário que aumentou sua fortuna, lembre‑se de perguntar: **como isso afeta a minha comunidade, o meu país e o futuro da democracia?**
**Vamos ficar de olho e cobrar mudanças.**



