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Fique esperto: como evitar golpes ao receber o ressarcimento do FGC do Banco Master

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Fique esperto: como evitar golpes ao receber o ressarcimento do FGC do Banco Master

Nos últimos dias o assunto que está dando o que falar nas redes e nos grupos de WhatsApp é o pagamento de garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para os credores do Banco Master. Se você tem CDBs, LCIs ou LCAs desse banco, provavelmente já recebeu ou vai receber um contato para solicitar o ressarcimento. Mas, junto com a boa notícia, surgiram também muitas tentativas de fraude. Por isso, resolvi escrever este post detalhado, para que você entenda como funciona o FGC, o que realmente está acontecendo com o caso Master e, principalmente, como se proteger de golpes.



O que é o FGC? O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada sem fins lucrativos que funciona como um seguro para depósitos e investimentos em instituições financeiras. Ele garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por banco, cobrindo produtos como CDB, RDB, LCI e LCA. Quando um banco entra em intervenção ou liquidação, o FGC entra em ação para devolver ao investidor o valor investido mais os rendimentos acumulados, dentro do limite.

No caso do Banco Master, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição e de sua plataforma digital, o Will Bank. A partir de 19 de janeiro, o FGC começou a receber os pedidos de ressarcimento dos cerca de 800 mil credores, totalizando um volume de R$ 40,6 bilhões. Esse número ainda é menor que a estimativa inicial de 1,6 milhão de credores, mas a cifra já é gigantesca.



Como solicitar o ressarcimento? O procedimento oficial é simples e totalmente digital:

  • Baixe o aplicativo oficial do FGC (disponível na Google Play e na Apple Store).
  • Faça o cadastro informando nome completo, CPF e data de nascimento.
  • Aguarde a liberação da lista de credores – só então a opção “Solicitar pagamento de garantia” ficará disponível.
  • Informe uma conta bancária de sua titularidade, realize a validação biométrica e envie os documentos que forem solicitados.

Para pessoas jurídicas, o caminho é o Portal do Investidor, com envio de documentos e comunicação por e‑mail.

O FGC costuma liberar o pagamento em até 48 horas úteis, desde que os dados estejam corretos. O prazo total, da decretação da liquidação até o recebimento, tem variado entre 14 e 40 dias nas últimas operações.



Por que os golpistas estão agindo agora? Sempre que há um grande fluxo de dinheiro a ser liberado, os criminosos veem uma oportunidade. Eles usam o nome do FGC e de bancos para criar e‑mails falsos, mensagens de texto, sites clone e até aplicativos falsos que prometem acelerar o pagamento ou liberar valores extras. O objetivo é simples: obter seus dados pessoais, bancários ou cobrar taxas indevidas.

Veja alguns dos principais tipos de golpe que circulam:

  • E‑mail ou mensagem falsa: “Prezada, seu ressarcimento está pronto. Clique aqui para liberar.” O link leva a uma página que coleta CPF, senha e dados bancários.
  • Aplicativo fraudulento: Um “app do FGC” que não está nas lojas oficiais. Ele pede permissão para acessar tudo no seu celular e envia suas informações para terceiros.
  • Solicitação de taxa antecipada: “Para liberar o valor, pague R$ 200 de taxa administrativa.” O FGC nunca cobra nada.
  • Recuperação de senha falsa: Mensagens que dizem que sua conta foi bloqueada e que, para desbloquear, você deve seguir um link malicioso.

Essas armadilhas podem ser muito convincentes, porque costumam usar logos, linguagem institucional e até nomes de funcionários reais. Por isso, a cautela é fundamental.

Dicas práticas para não cair no golpe

  • Use apenas os canais oficiais: O aplicativo do FGC só está na Google Play e na Apple Store. Verifique o nome do desenvolvedor (FGC – Fundo Garantidor de Créditos).
  • Desconfie de solicitações de pagamento: O FGC não pede nenhuma taxa para liberar o seu dinheiro.
  • Não clique em links desconhecidos: Se receber uma mensagem, abra o site do FGC digitando o endereço no navegador, não pelo link.
  • Proteja seus dados: Nunca forneça senha, código de segurança ou dados bancários por e‑mail ou mensagem.
  • Cheque a identidade: Se alguém se apresentar como representante do FGC, peça o contato oficial (e‑mail ou telefone) e confirme.
  • Ative a autenticação de dois fatores: No seu celular e nas contas bancárias, isso dificulta o acesso de terceiros.

Se ainda estiver em dúvida, o FGC disponibiliza o e‑mail de atendimento: [email protected]. Entre em contato antes de tomar qualquer ação.

O que acontece se o valor ultrapassar o teto de R$ 250 mil? No caso de quem investiu mais que esse limite, o excedente não é coberto pelo fundo. Esses valores ficam sujeitos ao processo de liquidação do Banco Master, e o credor passa a integrar a massa falida como credor quirografário, sem garantia de recebimento. Portanto, se você tem investimentos acima do teto, vale a pena conversar com um advogado especializado em falências para entender as chances de recuperação.

Em resumo, o processo de ressarcimento do FGC para o caso Master está em andamento, e a maioria dos credores deve receber seu dinheiro sem maiores complicações. Mas a onda de golpes é real e pode pegar quem está menos atento. Seguindo as orientações acima, você diminui drasticamente o risco e garante que o seu dinheiro volte para a conta de forma segura.

E você, já recebeu a notificação? Como foi a sua experiência? Compartilhe nos comentários, assim ajudamos uns aos outros a ficar mais vigilantes.