Se você acompanha as notícias de economia, provavelmente já ouviu falar do Grupo Fictor. Recentemente, o conglomerado entrou com um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo, alegando uma dívida total de mais de R$ 4,2 bilhões. Entre os credores, destaca‑se a corretora Sefer Investimentos DTVM, que tem direito a receber R$ 430 milhões. Mas o que tudo isso significa para quem acompanha o mercado, para investidores e até para quem tem curiosidade sobre como funciona a recuperação judicial no Brasil?
Um panorama rápido do caso
O pedido de recuperação judicial foi protocolado nesta segunda‑feira (2) na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O documento indica que o Grupo Fictor, que já tentou comprar o Banco Master antes da liquidação pelo Banco Central, está tentando se reorganizar para evitar a falência.
A Sever Investimentos DTVM, que tem sede na icônica Avenida Faria Lima, foi apontada como uma das maiores credoras, com um crédito de R$ 430 milhões. Curiosamente, a própria Sefer negou ser credora e afirmou que atua apenas como gestora de recursos de terceiros, sem conceder crédito próprio.
Entendendo a recuperação judicial
Recuperação judicial não é sinônimo de falência. É um mecanismo previsto na Lei de Falências (Lei nº 11.101/2005), reformada em 2020, que permite que empresas em dificuldades negociem suas dívidas com credores sob supervisão judicial. O objetivo é manter a atividade econômica, preservar empregos e, claro, tentar pagar o que for possível aos credores.
O processo segue etapas bem definidas:
- Apresentação do pedido ao juiz competente.
- Nomeação de um administrador judicial.
- Suspensão de execuções e cobranças individuais.
- Elaboração de um plano de pagamento, que deve ser aprovado pelos credores em assembleia.
- Homologação do plano pelo juiz.
Se o plano for aceito, a empresa continua operando; se não, a falência pode ser decretada.
Quem são os credores do Fictor?
Além da Sefer, o pedido lista outros credores de grande relevância:
- Investidores estrangeiros – R$ 2,765 bilhões.
- American Express – R$ 891 milhões.
- Bônus e comissões a consultores – R$ 10,5 milhões.
Esses números dão uma ideia do tamanho da operação e da complexidade da negociação. Cada credor tem interesses diferentes, e o plano de recuperação precisa equilibrar esses interesses para ser aprovado.
O que a Operação Compliance Zero tem a ver com tudo isso?
Em janeiro, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investigou supostas fraudes envolvendo fundos e corretoras, inclusive a Sefer Investimentos. A operação está ligada a um escândalo bilionário que teria origem no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
Até agora, todos os investigados negam irregularidades, e o caso segue em fase de inquérito no gabinete do ministro Dias Toffoli, do STF. Essa bagunça jurídica pode complicar ainda mais a situação do Fictor, já que credores e autoridades podem usar a investigação como argumento para pressionar por soluções mais rápidas ou até pela falência.
Por que a recuperação judicial pode ser a melhor saída?
Segundo a advogada especialista em reestruturação empresarial, Giovanna Michelleto, a recuperação judicial costuma ser mais vantajosa que a falência para credores como investidores e bancos. Por quê?
- Tempo de resolução: A falência pode arrastar o processo por anos, enquanto a recuperação tem prazos mais curtos (seis meses a um ano, segundo a especialista).
- Participação dos credores: Na recuperação, os credores votam no plano e podem influenciar as condições de pagamento.
- Preservação da empresa: Mantém empregos e a cadeia produtiva, evitando efeitos colaterais negativos na economia.
Claro, tudo depende da viabilidade do plano apresentado. Se o Fictor não conseguir demonstrar capacidade de pagamento, a falência ainda pode ser decretada.
Impactos para o mercado e para o investidor comum
Para quem não está diretamente envolvido, o caso pode parecer distante, mas ele traz lições importantes:
- Risco de crédito: Empresas grandes podem enfrentar dificuldades inesperadas. Diversificar investimentos reduz a exposição a um único risco.
- Importância da governança: Operações como a tentativa de compra do Banco Master mostram como decisões estratégicas mal avaliadas podem comprometer toda a estrutura.
- Vigilância regulatória: Operações como a Compliance Zero lembram que o ambiente regulatório brasileiro está cada vez mais atento a fraudes e irregularidades.
Se você tem dinheiro investido em fundos, ações ou títulos de empresas que dependem de grandes conglomerados, vale a pena ficar de olho nas notícias e analisar a saúde financeira dos players envolvidos.
O que esperar nos próximos meses?
O próximo passo será a elaboração do plano de recuperação pelo Fictor. Esse documento deve detalhar como a empresa pretende pagar (ou renegociar) os R$ 4,2 bilhões de dívida, quais ativos serão vendidos e quais medidas de corte de custos serão adotadas.
Os credores terão um prazo para analisar e votar no plano. Se a maioria aprovar, o juiz homologará e a empresa seguirá operando sob o novo acordo. Caso contrário, a falência pode ser decretada, o que implicaria liquidação de ativos e pagamento proporcional aos credores.
Enquanto isso, a investigação da Compliance Zero segue em curso. Dependendo do desfecho, a Sefer Investimentos pode acabar sendo considerada credora ou não, o que mudaria o cenário de pagamento.
Em resumo, o caso do Grupo Fictor mostra como o sistema jurídico brasileiro tenta equilibrar a necessidade de preservar empresas e proteger credores. Para nós, leitores, fica a lição de que o mundo dos negócios está repleto de reviravoltas, e estar bem informado pode fazer a diferença na hora de tomar decisões financeiras.
E aí, o que você acha? A recuperação judicial realmente protege os credores ou seria melhor encerrar o ciclo com a falência? Deixe seu comentário, vamos conversar!



