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FGC reforça a proteção aos bancos: o que muda e como isso impacta seu bolso

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FGC reforça a proteção aos bancos: o que muda e como isso impacta seu bolso

Por que o FGC acabou de mudar as regras?

Na última quinta‑feira (22), o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma atualização no estatuto do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Se você nunca ouviu falar do FGC, não se preocupe: eu também só percebi sua importância quando meu amigo precisou resgatar um investimento após a falência de um banco digital. A mudança traz alguns detalhes que podem parecer burocráticos, mas que, no fundo, visam proteger tanto os bancos quanto nós, investidores e correntistas.



Um pouco de história: como o FGC funciona?

O FGC é uma associação privada sem fins lucrativos que age como um seguro para depósitos e investimentos. Ele recebe contribuições mensais dos próprios bancos e, quando uma instituição entra em intervenção ou liquidação, garante a devolução de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por banco. Em 2024, o patrimônio do fundo chegou a R$ 140,4 bilhões, um crescimento de 12% em relação ao ano anterior.



O que mudou exatamente?

As novas normas, publicadas pelo Banco Central, trazem três pontos principais:

  • Ampliação do apoio a operações de transferência: agora o FGC pode cobrir situações onde o controle ou ativos de uma instituição em crise são transferidos para outra. Isso inclui créditos, investimentos e até obrigações.
  • Prazo de três dias para iniciar o pagamento das garantias, a partir do momento em que os liquidantes enviam as informações formais.
  • Maior transparência: o fundo deve divulgar ao público o saldo dos instrumentos cobertos por cada instituição, facilitando o acompanhamento por parte dos investidores.

Essas mudanças foram motivadas pela recente liquidação extrajudicial do Banco Master e do seu braço digital, o Will Bank, decretada em novembro passado. O ressarcimento aos investidores começou em 19 de novembro, dois meses depois da decisão do BC.



Como isso afeta o dia a dia do investidor?

Se você tem dinheiro guardado em CDBs, RDBs, LCIs ou LCAs, a cobertura do FGC permanece a mesma: até R$ 250 mil por instituição. A diferença agora é que, caso seu banco entre em processo de liquidação, você receberá o dinheiro mais rápido – em até três dias – e terá acesso a informações mais claras sobre o que está sendo pago.

Um exemplo prático: imagine que você tem R$ 180 mil investidos em um CDB e R$ 100 mil de rendimentos acumulados. O FGC vai garantir até R$ 250 mil. O excedente (R$ 30 mil) precisará ser cobrado no processo de liquidação, mas, graças à nova norma, você saberá exatamente como isso está sendo tratado.

Para os bancos, o que muda?

Os bancos que contribuem para o fundo também ganham. A ampliação do apoio a transferências de ativos reduz o risco de perdas abruptas e diminui custos operacionais durante uma crise. Em termos simples, o FGC agora funciona como um “amortecedor” mais eficiente, permitindo que as instituições mantenham a oferta de serviços financeiros sem interrupções graves.

Impactos no Sistema Financeiro Nacional

O FGC sempre foi um pilar da estabilidade do sistema bancário brasileiro. Ao alinhar suas práticas com padrões internacionais, o fundo ajuda a prevenir crises de confiança que podem se espalhar para toda a economia. A transparência adicional também favorece a concorrência saudável entre bancos, já que os investidores podem comparar a solidez de cada instituição de forma mais clara.

O que eu devo fazer agora?

Não precisa entrar em pânico nem mudar todo o seu portfólio de cara. Mas vale a pena revisar alguns pontos:

  • Verifique se seus investimentos estão dentro do teto de R$ 250 mil por banco. Se estiver acima, considere diversificar entre diferentes instituições.
  • Fique de olho nas notícias sobre liquidações ou intervenções. O BC costuma comunicar com antecedência, e o FGC tem obrigação de divulgar informações sobre o saldo coberto.
  • Se você tem investimentos em plataformas digitais ou fintechs, confirme se elas são associadas ao FGC. Nem todas as instituições de pagamento têm essa cobertura.

Essas pequenas ações ajudam a garantir que, se algo inesperado acontecer, seu dinheiro esteja realmente protegido.

Olhar para o futuro

Com a economia ainda em fase de recuperação pós‑pandemia e a taxa de juros em níveis historicamente altos, o ambiente de crédito permanece desafiador. As mudanças no FGC podem ser vistas como um “cinto de segurança” extra para o sistema bancário, permitindo que o crédito continue fluindo mesmo quando alguns bancos enfrentam dificuldades.

Além disso, a maior transparência pode incentivar novas startups fintech a buscar associação ao fundo, reforçando a confiança dos investidores em modelos de negócios inovadores. Em resumo, a medida tem potencial para tornar o mercado financeiro brasileiro mais resiliente e atraente para quem busca aplicar recursos com segurança.

Se você ainda tem dúvidas sobre como o FGC protege seu dinheiro ou quer entender melhor os impactos das recentes liquidações, vale a pena conversar com seu assessor ou pesquisar nos sites do Banco Central e do próprio FGC. Informação é a melhor ferramenta para evitar surpresas desagradáveis.