Na última segunda‑feira (19), o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começou a liberar os recursos de cerca de 150 mil investidores que tinham dinheiro aplicado em CDBs do Banco Master. Se você tem ou já teve algum investimento naquela instituição, talvez esteja se perguntando como funciona esse ressarcimento, se há risco de golpes e o que tudo isso significa para quem ainda está começando a investir.
Um panorama rápido do que aconteceu
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central em 18 de dezembro de 2025. A decisão veio depois de meses de alerta no mercado: a instituição oferecia CDBs com juros muito acima da média, o que acabou atraindo investidores em busca de retornos “fora da curva”. Quando a situação de liquidez se tornou insustentável, o BC interveio e o FGC entrou em cena para proteger os correntistas.
Segundo o próprio Fundo, foram registrados 369 mil pedidos de ressarcimento. Destes, aproximadamente 150 mil já concluíram a fase de solicitação e agora aguardam o pagamento, que será feito em parcela única. O valor total a ser devolvido gira em torno de R$ 40,6 bilhões – um número próximo da estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.
Como funciona a garantia do FGC?
O FGC protege depósitos e investimentos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. Isso inclui CDBs, RDBs, LCIs e LCAs. Quando o banco entra em processo de liquidação, o Fundo paga o valor investido mais os rendimentos acumulados até a data da intervenção, respeitando o teto de R$ 250 mil.
Exemplo prático: se você tinha R$ 180 mil aplicados em CDBs do Master e, até a data da liquidação, acumulou R$ 100 mil de juros, o FGC garante até R$ 250 mil. O excedente (R$ 30 mil) fica à espera de eventual pagamento na fila de credores, dependendo dos recursos que restarem após a quitação das obrigações prioritárias.
Quem tem direito ao ressarcimento?
- Pessoas físicas: podem solicitar o reembolso pelo aplicativo do FGC.
- Empresas: devem fazer o pedido através do site oficial do Fundo.
- Valor máximo garantido: R$ 250 mil por pessoa ou empresa, por instituição.
Vale lembrar que nem todos os produtos financeiros são cobertos. Debêntures, CRIs, CRAs, fundos de investimento e títulos emitidos fora do sistema de proteção não têm garantia do FGC. Nesses casos, o investidor fica à mercê da liquidação da instituição e pode perder parte ou todo o capital.
Passo a passo para solicitar o seu dinheiro
- Acesse o aplicativo do FGC (para pessoas físicas) ou o site (para empresas).
- Preencha o formulário com seus dados e o número do CDB.
- Envie a documentação solicitada – normalmente, extrato bancário e comprovante de titularidade.
- Aguarde a confirmação de que seu pedido foi aceito. O FGC informou que processa cerca de 9 mil pedidos por hora, o que equivale a 2,5 solicitações por segundo.
- O pagamento será feito à vista, em uma única transferência bancária.
Fique esperto: evite golpes
Com a movimentação de bilhões de reais, os criminosos aproveitam para tentar aplicar golpes. O FGC deixou claro que não cobra taxas, não antecipa pagamentos e nunca entra em contato por WhatsApp ou SMS. Se alguém lhe oferecer “adiantamento” da garantia mediante pagamento de taxa, desconfie imediatamente.
Os canais oficiais são:
- Aplicativo do FGC
- Telefone oficial (disponível no site)
- E‑mail institucional
- Redes sociais verificadas
O que isso significa para quem ainda não investe?
Para quem está começando a montar a carteira, o caso do Banco Master serve como alerta. Produtos que prometem rendimentos muito acima da média podem ser tentadores, mas geralmente vêm acompanhados de risco maior. A regra de ouro é diversificar e, sempre que possível, escolher instituições que estejam cobertas pelo FGC.
Além disso, entender o teto de cobertura ajuda a dimensionar o risco. Se você tem mais de R$ 250 mil em CDBs em um único banco, considere repartir o dinheiro entre duas ou mais instituições. Dessa forma, cada parte fica protegida até o limite máximo.
Perspectivas para o futuro do FGC
O Fundo tem liquidez de R$ 125 bilhões (dados de novembro de 2025), o que demonstra sua capacidade de honrar compromissos mesmo em cenários de múltiplas falências. Contudo, o volume de pedidos recentes – quase 10 mil por hora – mostra que o sistema pode ser pressionado em momentos de crise.
Especialistas apontam que, à medida que o mercado de renda fixa cresce e surgem novos players, a necessidade de uma supervisão mais rígida e de educação financeira para o público aumenta. O FGC tem papel educativo, mas ainda depende de cada investidor buscar informação antes de aplicar.
Conclusão
Se você está entre os 150 mil credores que já tiveram o pedido aceito, prepare-se para receber o dinheiro nas próximas semanas. Verifique seus dados bancários, fique atento a comunicações oficiais e, sobretudo, use essa experiência para repensar sua estratégia de investimento.
Para quem ainda não investe, a lição é clara: busque produtos com rentabilidade compatível ao risco e nunca esqueça da proteção do FGC. Uma carteira bem diversificada e alinhada ao seu perfil protege seu patrimônio e evita surpresas desagradáveis.


