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Festa da firma: como curtir, fazer networking e voltar para casa sem arrependimentos

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Festa da firma: como curtir, fazer networking e voltar para casa sem arrependimentos

O convite para a festa de fim de ano da empresa chegou na sua caixa de entrada? Então, respire fundo. Esse tipo de evento pode ser a oportunidade perfeita para celebrar as conquistas do ano, estreitar laços com colegas e ainda dar aquele empurrãozinho na carreira. Mas, se você não souber dos limites, a festa pode virar um campo minado de gafes, constrangimentos e, quem sabe, até problemas com o RH.

Por que a festa da firma importa?

Para muita gente a confraternização parece apenas mais um happy hour, mas, na prática, ela tem um peso simbólico importante. É o momento em que a empresa encerra um ciclo, agradece o esforço da equipe e, ao mesmo tempo, abre espaço para relações que vão além da rotina de planilhas e reuniões formais. Como explica a coach de carreiras Ana Lúcia Spina, “é nesses momentos que mostramos como nos comportamos em ambientes de celebração”. Ou seja, sua postura pode influenciar a forma como você é percebido pelos líderes e pelos colegas.

1. Beber e dançar: qual o limite?

Se você gosta de um drink, nada impede de aceitar um copo. A diferença está na medida. Mariana Malvezzi, professora da ESPM, compara a festa a uma reunião de home office: “Você mostra a sua sala, mas deixa um canto mais privado. O mesmo vale aqui – participe, mas preserve um pedaço da sua privacidade profissional”.

  • Não exagere no álcool: duas ou três doses são suficientes para descontrair. Mais do que isso, a chance de dizer algo fora de hora aumenta exponencialmente.
  • Dance com leveza: se houver pista, sinta-se à vontade para se soltar, mas evite coreografias que chamem atenção de forma negativa.
  • Observe o ambiente: se a maioria está conversando calmamente, talvez seja hora de recuar um pouco.

2. O que vestir? Brilhos, decotes e bermuda

O dress code da festa costuma ser mais descontraído que o do dia a dia, mas ainda há limites. “Eu posso estar em casa de shorts e top, mas não apareço assim numa reunião online”, ressalta Malvezzi. Para a festa, a sugestão é encontrar o ponto de equilíbrio entre conforto e profissionalismo.

  • Opte por peças que deixem você confiante, mas que não chamem atenção excessiva.
  • Evite decotes profundos, bermudas curtas ou roupas que possam ser interpretadas como provocativas.
  • Um blazer leve, uma camisa bem cortada ou um vestido na altura do joelho são escolhas seguras.

3. Assuntos proibidos (ou delicados)

Conversas sobre religião, política ou questões internas da empresa podem rapidamente transformar um clima agradável em um debate acalorado. A especialista Mariana recomenda focar em temas leves:

  • Filmes, séries e hobbies.
  • Planos de férias, viagens e culinária.
  • Histórias engraçadas (desde que não envolvam colegas de forma constrangedora).

Se alguém puxar papo sobre trabalho, avalie se a outra pessoa também está interessada. Caso contrário, mude de assunto.

4. Networking na prática

A festa é, sem dúvidas, um momento propício para networking, mas a abordagem deve ser sutil. Elogiar um projeto recente de um superior ou demonstrar interesse genuíno pela área de alguém pode abrir portas. Contudo, tente não transformar a noite em uma entrevista de emprego.

  • Faça perguntas abertas: “Como foi seu projeto X este ano?”
  • Compartilhe algo sobre você que seja relevante, mas sem monopolizar a conversa.
  • Troque cartões ou conecte-se no LinkedIn de forma natural, depois da festa.

5. Paquerar o crush do trabalho

É comum que alguém veja na festa a chance de aproximar um colega que tem interesse. Porém, é preciso cautela. Algumas empresas têm políticas claras contra relacionamentos amorosos entre funcionários, e, mesmo que não haja regra, o risco de criar um clima desconfortável é real.

  • Se decidir flertar, faça de maneira discreta: um convite para um drink tranquilo, sem pressões.
  • Observe a linguagem corporal e respeite um “não” imediato.
  • Evite comportamentos que possam ser interpretados como assédio.

6. Vencendo a timidez

Para quem sente medo de ficar isolado, a festa pode ser um campo de treino. Kátia Taras sugere usar perguntas simples como ponto de partida: “Você tem planos para o fim de ano?” ou “Qual foi a viagem mais legal que você fez?”. Essas perguntas são leves, convidam à resposta e ajudam a criar um clima de empatia.

7. E se eu passar dos limites? Posso ser demitido?

A advogada trabalhista Juliana Mendonça esclarece que exageros pontuais – como beber demais ou flertar – não configuram justa causa por si sós. O que pode levar à demissão são atitudes graves, como agressão física ou verbal, assédio sexual ou moral. Ainda assim, comportamentos inadequados podem gerar advertências ou treinamentos corretivos.

Além do risco individual, a empresa também pode ser responsabilizada se houver incidentes graves durante a festa. Por isso, muitas companhias já incluem nas políticas internas um código de conduta específico para eventos sociais.

Resumo rápido – Checklist da festa

  • Álcool: modere a quantidade.
  • Roupa: elegante e confortável, sem exageros.
  • Conversas: evite religião, política e fofocas de trabalho.
  • Networking: seja genuíno, faça perguntas e troque contatos.
  • Flertes: seja discreto e respeite limites.
  • Timidez: use perguntas simples para iniciar diálogos.
  • Legal: comportamentos graves podem levar a sanções.

Em resumo, a festa da firma é mais que um momento de diversão; é um espaço onde você pode reforçar sua imagem profissional, criar novas conexões e ainda curtir o fim de ano. Basta lembrar que, mesmo fora do escritório, você ainda representa a empresa. Com um pouco de bom senso, tudo pode ser aproveitado sem arrependimentos no dia seguinte.