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FEMSA assume total controle da Oxxo no Brasil: o que isso muda para o consumidor

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FEMSA assume total controle da Oxxo no Brasil: o que isso muda para o consumidor

Na segunda‑feira passada, a FEMSA – aquela gigante mexicana conhecida por suas bebidas e lojas de conveniência – anunciou que agora detém 100% da rede Oxxo no Brasil. Parece um detalhe corporativo, mas para quem faz compras rápidas no caminho do trabalho, isso pode trazer mudanças bem reais. Eu, que já parei em um Oxxo em Campinas para pegar um café e um lanche, fiquei curioso para entender o que está por trás dessa compra e como isso pode afetar o nosso dia a dia.



Um pouco de história: como chegamos aqui?

A parceria entre a FEMSA e a Raízen começou como uma joint‑venture chamada Grupo Nós. Cada um trouxe algo que o outro não tinha: a FEMSA trouxe a expertise em varejo de conveniência com a marca Oxxo, enquanto a Raízen – controladora da Shell no Brasil – trouxe a força logística e a rede de postos Shell. Juntos, eles operavam tanto as lojas Oxxo quanto as conveniências Shell Select.

Em setembro do ano passado, a Raízen decidiu encerrar a parceria. O motivo oficial foi “reciclagem e simplificação do portfólio”, ou seja, a empresa quer focar mais na sua oferta integrada de energia e combustível. Como resultado, a Raízen ficou com as 1.256 lojas associadas à marca Shell, enquanto a FEMSA recebeu os 611 mercados Oxxo espalhados pelo país, além do centro de distribuição em Cajamar, São Paulo.



Por que a FEMSA quer ser 100% dona?

Para a FEMSA, o Oxxo Brasil é mais que um negócio; é uma “prioridade estratégica”. O diretor geral da FEMSA Retail, José Antonio Fernández Garza, descreveu a decisão como um passo natural para operar de forma independente e acelerar a expansão. Em termos simples, eles querem ter total liberdade para decidir onde abrir novas lojas, quais produtos colocar nas prateleiras e como investir em tecnologia.

Isso pode significar duas coisas para nós, consumidores:

  • Mais inovação nas lojas: sem precisar alinhar decisões com a Raízen, a FEMSA pode testar novos formatos, apps de pagamento ou até serviços de entrega mais rapidamente.
  • Expansão mais agressiva: se o objetivo é crescer, podemos esperar novos Oxxo surgindo em cidades menores, bairros que ainda não têm conveniência de qualidade.

O que muda no caixa e nos preços?

Um dos medos mais comuns quando uma grande empresa assume total controle é que os preços subam. Até agora, não há sinais claros de que a FEMSA vá aumentar os valores dos produtos. Na verdade, a competição com outras redes – como o Carrefour Express, o Mini Preço e as próprias lojas Shell – costuma manter os preços em linha.

Entretanto, vale ficar de olho em duas áreas:

  • Produtos de marca própria: a FEMSA tem sua linha de snacks e bebidas. Se eles decidirem empurrar mais esses itens, pode haver uma leve mudança no mix de produtos.
  • Programas de fidelidade: a empresa já tem o “Oxxo Card”. Uma gestão independente pode trazer benefícios mais agressivos, como descontos exclusivos ou parcerias com bancos.



Impacto nos empregos e na logística

Com a separação, a FEMSA assume também o centro de distribuição em Cajamar, que já abastece mais de 600 lojas. Isso pode gerar investimentos em tecnologia de estoque, automação e, possivelmente, novas vagas na região. Para quem mora perto de Cajamar, isso pode significar mais oportunidades de trabalho, tanto na operação quanto em áreas de apoio como TI e recursos humanos.

Além disso, a centralização das operações pode melhorar a eficiência da cadeia de suprimentos. Menos burocracia entre duas empresas diferentes costuma resultar em entregas mais rápidas e menos faltas de estoque nas lojas. Em teoria, isso se traduz em prateleiras mais cheias e menos “esgotado” quando você vai buscar aquele lanche de última hora.

Como isso afeta a concorrência?

O mercado de conveniência no Brasil está cada vez mais competitivo. A Shell, que agora fica só com as lojas Shell Select e Shell Café, vai focar em integrar combustível e conveniência de forma ainda mais estreita. Por outro lado, a FEMSA, livre da parceria, pode buscar alianças com outras marcas, talvez até explorar o universo dos produtos orgânicos ou veganos, que ainda são pouco representados nas lojas de conveniência tradicionais.

Para o consumidor, isso pode significar mais opções. Se a FEMSA decidir trazer, por exemplo, linhas de produtos locais ou parcerias com pequenos produtores, o cliente ganha variedade sem precisar ir a um supermercado maior.

O que eu, como cliente, devo observar?

Na prática, as mudanças não vão acontecer da noite para o dia. Mas há alguns sinais que vale a pena acompanhar nos próximos meses:

  1. Novas inaugurações de Oxxo em bairros que antes não tinham conveniência.
  2. Lançamento de aplicativos ou funcionalidades digitais – como pagamento via QR code ou integração com programas de pontos.
  3. Promoções especiais ou mudanças no sortimento de produtos (mais opções saudáveis, por exemplo).
  4. Comunicações da própria FEMSA sobre planos de expansão ou investimentos na região de Cajamar.

Se você costuma comprar naquele Oxxo da sua esquina, vale dar uma olhada nos panfletos ou nas redes sociais da rede. Eles costumam anunciar novidades antes de colocar tudo em prática.

Olhar para o futuro

O mercado de conveniência tem evoluído rapidamente nos últimos anos, impulsionado por mudanças no estilo de vida – mais gente trabalha fora, tem menos tempo para cozinhar e busca soluções rápidas. A FEMSA parece estar apostando forte nessa tendência, e assumir 100% da Oxxo no Brasil pode ser o primeiro passo de uma estratégia maior, talvez envolvendo entregas rápidas, integração com plataformas de e‑commerce ou até pequenos hubs de coleta de pedidos.

Em resumo, a compra da totalidade das lojas Oxxo pela FEMSA traz mais autonomia para a empresa, o que pode resultar em inovação, expansão e, possivelmente, melhorias no serviço ao cliente. Para nós, que usamos essas lojas como ponto de parada no caminho para o trabalho ou para aquele lanche de última hora, a esperança é que a experiência fique ainda melhor, sem aumentos de preço abusivos.

E você, já percebeu alguma mudança nas suas lojas de conveniência favoritas? Compartilhe nos comentários – adoro trocar ideias sobre como o varejo está se transformando ao nosso redor.