Por que a escolha da bebida borbulhante importa?
Todo ano, quando a contagem regressiva do Réveillon se aproxima, a gente já sente aquele cheirinho de festa no ar. E, quase que por instinto, a primeira coisa que procuramos é uma garrafa de vinho com bolhas. Mas, você já parou para pensar que nem todo espumante é igual? Existem três principais categorias que costumam aparecer nas prateleiras: espumante, moscatel e frisante. Cada uma tem um jeito diferente de ser feita, um nível de açúcar próprio e, claro, um perfil de sabor que combina melhor com determinadas ocasiões.
Espumante: a tradição das duas fermentações
Quando falamos de espumante, estamos falando de um processo bem meticuloso. Primeiro, o mosto (suco de uva) passa por uma fermentação que transforma o açúcar em álcool, gerando o que chamamos de vinho base. Depois, acontece a segunda fermentação, que pode ser feita na própria garrafa (méthode tradicional) ou em tanques pressurizados (méthode Charmat). É nessa segunda fase que o dióxido de carbono – a responsável pelas bolhas – é capturado, criando aquela efervescência característica.
O teor de açúcar do espumante é regulado por lei e classificado em categorias como brut nature, brut, extra seco, seco, meio seco e doce. Essa classificação ajuda a escolher o nível de doçura que você prefere, seja para acompanhar pratos salgados ou sobremesas.
Moscatel: a única que foge ao limite de açúcar
Já o moscatel tem um caminho bem diferente. Ele nasce de uma única fermentação, feita em tanques que retêm o gás carbônico. A parada ocorre quando o álcool atinge entre 7% e 10%, deixando um volume considerável de açúcar residual. Por isso, o moscatel costuma ser mais doce, embora não haja um limite legal de açúcar – as casas produtoras normalmente não ultrapassam 80 g/L.
Essa característica o torna ideal para quem gosta de um toque mais adocicado, perfeito para acompanhar sobremesas ou até mesmo para servir como digestivo depois da ceia.
Frisante: a bolha “artificial” que agrada o bolso
O frisante costuma ser o mais acessível das três opções. Suas bolhas são, na maioria das vezes, geradas por injeção de gás carbônico, como nos refrigerantes. Existem frisantes com gás natural – resultado de fermentação – mas, de modo geral, a quantidade de CO₂ é menor que a dos espumantes e moscatéis, o que gera uma efervescência mais sutil.
Por ser menos intenso, o frisante costuma ter um teor de açúcar mais baixo, mas ainda assim pode variar bastante. É uma boa pedida para quem quer algo leve, sem abrir mão da sensação de “brinde”.
Como ler o rótulo e não se perder?
- Tipo de bebida: espumante, moscatel ou frisante.
- Teor de açúcar: indicado como brut, seco, meio seco etc.
- Uva utilizada: chardonnay, pinot noir, moscatel, entre outras.
- Região de produção: pode influenciar no estilo e no preço.
Essas informações ajudam a escolher a garrafa certa sem precisar ser um especialista.
Quando servir cada tipo?
Espumante: ótimo para começar a noite, acompanha entradas como frutos do mar, queijos leves e sushi. Também combina bem com pratos mais sofisticados, como risotos e carnes brancas.
Moscatel: o parceiro ideal das sobremesas – frutas frescas, tortas de frutas, queijos azuis e até chocolate amargo. Se a sua ceia inclui um pudim ou uma mousse, o moscatel pode ser a estrela.
Frisante: perfeito para quem quer algo refrescante durante a festa, sem sobrecarregar o paladar. Vai bem com petiscos, canapés e até com pratos de comida de rua, como pastel e coxinha.
Dicas práticas para comprar e servir
- Planeje a quantidade: calcule cerca de 1 garrafa para 2 a 3 pessoas, dependendo da duração da festa.
- Temperatura ideal: espumantes e frisantes devem estar entre 6°C e 10°C; moscatel pode ser servido um pouco mais frio, entre 4°C e 8°C.
- Abra com cuidado: segure a garrafa na base, incline levemente e gire a rolha com suavidade para evitar respingos.
- Use taças adequadas: flutes para espumante (preservam as bolhas), taças de vinho branco para moscatel e copos de vinho tinto ou copos de cerveja para frisante.
O que esperar das tendências para 2025
Os consumidores estão cada vez mais curiosos sobre a origem dos produtos e a sustentabilidade. Isso tem impulsionado a produção de espumantes orgânicos e de pequenos produtores que utilizam técnicas de fermentação natural. No caso do moscatel, há um movimento de “low sugar” – versões com menos açúcar, mas ainda mantendo aquele toque frutado. Já o frisante tem ganhado espaço em bares de coquetel, onde misturam o vinho frisante com frutas e ervas para criar drinks leves.
Conclusão: escolha a borbulha que combina com você
No fim das contas, a diferença entre espumante, moscatel e frisante está no teor de açúcar, no tipo de uva e na forma como as bolhas são criadas. Entender esses detalhes ajuda a escolher a bebida que vai harmonizar melhor com a sua festa, o seu prato e, claro, o seu gosto pessoal.
Então, da próxima vez que for ao supermercado ou à adega, leve em conta essas informações e brinde com confiança. Seja um espumante seco e elegante, um moscatel doce e aromático ou um frisante leve e refrescante, o importante é celebrar a vida com quem a gente ama.



