Se você tem acompanhado as tendências do mercado de trabalho, deve ter percebido que a tecnologia está cada vez mais no centro das discussões. O último ranking do LinkedIn, divulgado recentemente, confirma essa sensação: entre os 25 cargos que mais devem crescer até 2026, mais da metade exigem conhecimento em ferramentas tecnológicas, engenharia ou análise de dados. E o destaque vai para um profissional que ainda parece um personagem de filme de ficção científica: o engenheiro de inteligência artificial.
Por que a inteligência artificial está no topo?
A explosão das soluções baseadas em IA nos últimos anos mudou o jeito como as empresas operam. O que antes era teste ou piloto já virou rotina em setores que vão de fintechs a indústrias de alimentos. Esse salto gerou uma demanda enorme por quem sabe criar, treinar e manter modelos que analisam grandes volumes de dados, reconhecem padrões e fazem previsões.
Segundo o LinkedIn, o número de profissionais com o título de engenheiro de IA cresceu 48% em apenas um ano. Não é coincidência: as organizações buscam eficiência, automação e redução de riscos, e a IA entrega tudo isso – desde otimizar cadeias de suprimentos até personalizar a experiência do cliente.
Quanto ganha quem entra nessa área?
Os números são animadores. A média salarial de um engenheiro de IA no Brasil gira em torno de R$ 8 mil, mas há vagas que chegam a pagar até R$ 32 mil, principalmente para quem tem experiência sólida ou atua em projetos estratégicos. Essa variação depende do nível de senioridade, do setor da empresa e da complexidade das soluções desenvolvidas.
Além do salário, a flexibilidade também é um ponto forte: 63,55% das vagas são remotas e 13,55% híbridas. Isso abre portas para quem mora fora dos grandes polos tecnológicos, como São Paulo, e ainda assim quer participar desse movimento.
Como chegar ao cargo de engenheiro de IA?
- Formação base: a maioria dos profissionais passa por áreas como engenharia de software, ciência de dados ou engenharia de dados antes de migrar para IA.
- Experiência prática: o tempo médio de experiência antes da contratação é de 3,6 anos, segundo o LinkedIn.
- Especialização: cursos de machine learning, deep learning e frameworks como TensorFlow ou PyTorch são quase obrigatórios.
- Portfólio: projetos reais, mesmo que em ambientes de teste, ajudam a demonstrar capacidade de transformar teoria em solução de negócio.
Vale lembrar que o caminho costuma ser gradual. Muitas vezes, o profissional começa como analista de dados, evolui para cientista de dados e, por fim, assume a posição de engenheiro de IA.
Desafios que ainda precisamos enfrentar
Apesar do crescimento, a área ainda tem questões sérias a resolver. A participação feminina, por exemplo, está muito baixa: apenas 10,58% das contratações em 2025 foram de mulheres. Esse desequilíbrio reflete barreiras históricas no acesso à formação técnica e à permanência em carreiras de alta tecnologia.
Além disso, a concentração de vagas em poucos polos – São Paulo, Florianópolis e Recife – pode limitar oportunidades para talentos de outras regiões. A solução passa por políticas de qualificação mais amplas, incentivos à educação STEM e programas de inclusão nas empresas.
Outros cargos em alta para 2026
Embora a IA seja o grande destaque, o ranking do LinkedIn traz outras profissões que também prometem crescimento significativo:
- Auxiliar de Enfermagem – impulsionado pelo envelhecimento da população.
- Planejador Financeiro – demanda por gestão de recursos em um cenário econômico volátil.
- Especialista em Dados – suporte essencial para decisões baseadas em informação.
- Engenheiro de Segurança de Processo – foco em redução de riscos industriais.
- Cientista Agrícola – tecnologia aplicada ao agronegócio.
Essas funções mostram que, embora a tecnologia seja o motor, outras áreas como saúde, finanças e agricultura continuam essenciais para a economia brasileira.
O que isso significa para você?
Se você está pensando em se recolocar ou mudar de carreira, vale a pena observar duas linhas de ação:
- Investir em habilidades digitais: mesmo que sua formação seja em outra área, aprender conceitos de análise de dados, programação ou automação pode abrir portas para cargos emergentes.
- Buscar experiências práticas: estágios, projetos freelance ou contribuições em código aberto são excelentes para ganhar credibilidade.
Não é preciso virar especialista da noite, mas entender como a tecnologia pode ser aplicada ao seu campo de atuação já faz diferença. Por exemplo, um enfermeiro que conhece ferramentas de IA para análise de imagens médicas pode se tornar um profissional muito mais valioso para hospitais que investem em diagnóstico assistido por computador.
Em resumo, o futuro do trabalho no Brasil está cada vez mais ligado à capacidade de lidar com dados e automatizar processos. O engenheiro de IA lidera o ranking, mas há espaço para quem quiser se adaptar e crescer em outras áreas também. O importante é começar a se atualizar hoje, antes que a próxima onda de transformação chegue.



