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Emendas “ressuscitadas” e a decisão de Dino: o que isso muda no orçamento brasileiro?

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Emendas “ressuscitadas” e a decisão de Dino: o que isso muda no orçamento brasileiro?

Na última semana, o cenário político brasileiro ganhou mais um capítulo que mistura direito, finanças e, claro, muita conversa nos corredores do Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta, foi até o ministro Flávio Dino, do STF, para entender por que o magistrado suspendeu um trecho de projeto de lei que pretendia “ressuscitar” emendas parlamentares não pagas entre 2019 e 2023. Se você não está familiarizado com o assunto, não se preocupe: aqui eu explico tudo de forma simples, mostro por que isso importa para o seu bolso e ainda dou uma visão do que pode acontecer nos próximos meses.

O que exatamente foi suspenso?

Em 21 de setembro, o ministro Dino decidiu bloquear a eficácia de um artigo inserido no Projeto de Lei do Orçamento (conhecido, entre os bastidores, como “jabuti”). Esse artigo permitia que o Executivo pagasse, a partir de 2026, cerca de R$ 3 bilhões em emendas que ficaram “pendentes” nos anos anteriores. Emendas que, até então, foram consideradas parte do chamado “orçamento secreto” porque não seguiam critérios de transparência.

Por que a medida foi chamada de “ressuscitar”?

Imagine que o governo tem um débito com deputados e senadores: recursos que foram aprovados, mas nunca foram liberados. Quando o Congresso decide incluir um texto que permite pagar esses valores atrasados, parece que ele está trazendo de volta algo que já havia sido “enterrado”. Daí o termo “ressuscitar”.

Como funciona a lógica das emendas parlamentares?

  • Orçamento de 2026: aprovado com R$ 61 bilhões em emendas.
  • Restos a pagar: recursos que ainda não foram utilizados ou que foram cancelados nos anos anteriores.
  • Emendas de relator: aquelas indicadas por parlamentares em projetos que já foram julgados, mas que não foram efetivamente executadas.

Essas emendas são importantes porque direcionam recursos para obras e projetos específicos, muitas vezes ligados a regiões ou setores que precisam de investimento.

O que motivou a inclusão desse artigo no PL?

Segundo relatos dentro da Câmara, a proposta foi elaborada pela Casa Civil da Presidência e contou com a pressão de ministros do governo. A justificativa oficial: liberar recursos que poderiam ser usados em obras inacabadas e em projetos de mais de 10 ministérios. Em outras palavras, o Executivo viu uma oportunidade de “desenterrar” dinheiro que ainda estava na contabilidade, mas que poderia ser gasto para avançar em obras públicas.

Por que Flávio Dino bloqueou?

O ministro citou precedentes do STF sobre o chamado “orçamento secreto”. Em decisões anteriores, a Corte já havia declarado inconstitucionais as chamadas “emendas de relator” por falta de transparência. Dino argumentou que “ressuscitar” essas modalidades seria incompatível com o regime jurídico e poderia agravar a já delicada situação fiscal do país.

Impactos práticos para o cidadão

Para quem não vive o debate diário no Congresso, a questão pode parecer distante, mas tem reflexos reais:

  • Obras locais: se a medida fosse aprovada, cidades poderiam receber recursos adicionais para concluir escolas, hospitais ou pavimentação.
  • Equilíbrio fiscal: liberar R$ 3 bilhões sem uma fonte clara de receita pode piorar o déficit, o que, em longo prazo, pode significar menos investimentos em saúde ou educação.
  • Transparência: a decisão de Dino reforça a necessidade de clareza sobre como o dinheiro público é destinado, evitando práticas que geram desconfiança.

O papel do presidente da Câmara, Hugo Motta

Motivado pela decisão, Motta procurou o ministro para entender os argumentos e, possivelmente, buscar uma solução que concilie a vontade do Executivo com a exigência constitucional. O fato de o presidente da Câmara ter nascido em Paraíba (PB) e ser um dos poucos representantes da região no alto escalão da Casa traz ainda mais atenção local ao tema.

Qual o próximo passo?

Depois da suspensão, o texto ainda precisa passar pela sanção ou veto do presidente Luiz Inácio Lula. Caso o presidente decida vetar, o assunto pode voltar ao Congresso para nova tentativa de ajuste. Se ele sancionar, o STF poderá ainda ser acionado novamente, gerando um vai‑e‑vem judicial que costuma atrasar a implementação de políticas públicas.

O que eu, como contribuinte, posso fazer?

Embora a decisão pareça distante, há algumas formas de acompanhar e influenciar:

  1. Fique informado: acompanhe as notícias sobre o orçamento e as decisões do STF.
  2. Exija transparência: pressione seus representantes a divulgar detalhadamente como os recursos são aplicados.
  3. Participe de audiências públicas: muitas vezes, as comissões da Câmara abrem espaço para a população comentar projetos.

Conclusão

O embate entre o Congresso, o Executivo e o Judiciário sobre as emendas “ressuscitadas” mostra como o orçamento público é um campo de disputa intenso. Enquanto o governo busca formas de liberar recursos para obras, o STF tem a missão de garantir que tudo siga a Constituição e a disciplina fiscal. Para nós, cidadãos, o mais importante é acompanhar, questionar e cobrar transparência. Afinal, cada centavo que circula nos cofres públicos pode fazer a diferença na qualidade de vida das nossas comunidades.