Resumo da manhã de sexta-feira
O dólar fechou em alta de 0,12% nesta sexta (19), cotado a R$ 5,5289. Enquanto isso, o Ibovespa avançou 0,35%, chegando a 158.473 pontos. Não foi por acaso: investidores estavam de olho em três pilares que mexem com a nossa economia – indicadores dos EUA, o debate sobre o Orçamento de 2026 e o cenário político nacional.
Por que o dólar sobe?
O preço do dólar não se move sozinho. Ele reage a uma série de fatores, como a taxa de juros dos EUA, a confiança dos consumidores americanos e o fluxo de capitais internacionais. Nesta semana, duas informações dos Estados Unidos foram decisivas:
- Vendas de imóveis usados em novembro: o número ficou ligeiramente abaixo do esperado, sinalizando que o mercado imobiliário americano ainda sente o efeito das taxas de juros mais altas.
- Índice de confiança do consumidor (Universidade de Michigan): subiu para 52,9 em dezembro, mas ficou aquém das projeções de 53,5. A confiança ainda está frágil, o que mantém os investidores cautelosos.
Esses indicadores são termômetros da economia norte‑americana. Quando a confiança está baixa, os investidores tendem a buscar ativos mais seguros, como o dólar, empurrando seu preço para cima.
O Orçamento 2026 e o humor do mercado
Em Brasília, o Congresso aprovou o Orçamento para 2026. Dois pontos chamam atenção:
- Reserva de R$ 61 bilhões para emendas parlamentares.
- Previsão de superávit de R$ 34,5 bilhões nas contas do governo.
O texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa de superávit ajuda a acalmar o mercado, mas a reserva de emendas ainda gera dúvidas sobre a disciplina fiscal. Investidores analisam se o governo conseguirá cumprir a meta sem recorrer a mais endividamento.
Déficit em conta corrente e a balança comercial
O Banco Central informou que o Brasil registrou déficit de US$ 4,943 bilhões nas transações correntes em novembro – praticamente em linha com as expectativas do mercado. Comparado ao mesmo período de 2024, o déficit aumentou um pouco, mas ainda está dentro da faixa que os analistas consideram manejável.
Dois componentes são relevantes:
- Renda primária: déficit de US$ 6,169 bilhões, maior que o ano anterior. Isso reflete pagamentos de juros e dividendos ao exterior.
- Conta de serviços: déficit de US$ 4,454 bilhões, menor que o déficit de US$ 5,051 bilhões de 2024, indicando que despesas com viagens e seguros estão se estabilizando.
A balança comercial ainda apresenta superávit de US$ 5,119 bilhões, embora menor que o superávit de US$ 6,043 bilhões do ano passado.
Investimento estrangeiro direto (IED) em alta
Novembro trouxe um volume de IED acima das expectativas: US$ 9,820 bilhões, bem acima dos US$ 6,5 bilhões previstos pelos analistas. No acumulado de janeiro a novembro, chegamos a US$ 84,164 bilhões – um crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano passado.
Esses números são importantes porque o IED representa cerca de 3,3 % do PIB, próximo à média dos últimos anos. Quando o investimento direto supera o déficit em conta corrente, o país ganha fôlego para financiar suas necessidades externas sem depender tanto de empréstimos de curto prazo.
Eleições de 2026: quem está na frente?
Uma pesquisa da AtlasIntel divulgada na véspera mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente nas simulações para 2026. Curiosamente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ficou atrás de Flávio, candidato ainda sem partido definido, no primeiro turno. Essa dinâmica política pode influenciar decisões de investimento, já que a estabilidade institucional costuma atrair mais capital estrangeiro.
O que tudo isso significa para você?
Se você tem dinheiro guardado, investe em renda fixa ou acompanha a bolsa, vale a pena entender como esses fatores afetam seu bolso:
- Alta do dólar: produtos importados ficam mais caros e o custo de viagens ao exterior sobe. Por outro lado, empresas exportadoras tendem a melhorar seus resultados, o que pode beneficiar ações desses setores.
- Ibovespa em alta: apesar da volatilidade, o índice subiu 0,35% nesta sessão. Se você tem ações, pode estar vendo um pequeno ganho. Mas lembre‑se que o acumulado da semana ainda é negativo (‑1,43%).
- Orçamento 2026: a expectativa de superávit pode reduzir a pressão por aumentos de impostos, mas a reserva de emendas ainda deixa margem para gastos inesperados.
- Investimento estrangeiro: mais capital vindo de fora costuma melhorar a oferta de crédito e pode reduzir as taxas de juros internas, beneficiando quem tem empréstimos ou financiamentos.
Em resumo, o cenário atual pede cautela, mas também abre oportunidades. Se você ainda não diversificou sua carteira, pense em incluir ativos ligados à exportação ou a empresas que se beneficiam de um dólar mais forte.
Olhar para o futuro
Nos próximos meses, fique de olho nos seguintes indicadores:
- Decisões de política monetária do Federal Reserve (EUA) – elas podem mudar a trajetória do dólar.
- Novas projeções do Banco Central sobre o superávit fiscal – qualquer mudança pode impactar a confiança dos investidores.
- Resultados das eleições estaduais e municipais – elas costumam antecipar tendências para a disputa presidencial de 2026.
Manter-se informado e ajustar sua estratégia de investimento de acordo com esses movimentos pode fazer a diferença entre ganhar ou perder dinheiro no curto e longo prazo.
Conclusão
O dólar subiu, o Ibovespa avançou e o Orçamento de 2026 já está em mãos do presidente. Tudo isso forma um mosaico que, embora complexo, tem impactos diretos no seu dia a dia – do preço da gasolina ao rendimento da sua poupança. Continue acompanhando as notícias, converse com seu consultor e, principalmente, não deixe de revisar sua estratégia de investimento à medida que novos dados surgem.



