Um panorama rápido
Na manhã desta sexta‑feira (26), o dólar ficou praticamente estável, subindo apenas 0,01 % e fechando em R$ 5,5358. Enquanto isso, o Ibovespa recuou 0,19 %, chegando a 160.147 pontos. Parece pouca coisa, mas esses números carregam sinais importantes para quem acompanha a economia, investe ou simplesmente quer entender como o cenário político e internacional pode mexer no seu dia a dia.
Agenda enxuta após o feriado de Natal
Com o fim das festas, os mercados voltam a operar, mas a agenda está bem mais curta que nos dias normais. Isso significa menos anúncios, menos relatórios e, consequentemente, menos “ruído” para os investidores. Ainda assim, alguns fatores continuam dominando o humor dos traders:
- Dados econômicos do Brasil, como a concessão de crédito.
- Movimentos políticos internos, especialmente a indicação de Flávio Bolsonaro como pré‑candidato em 2026.
- Desdobramentos geopolíticos, como as sanções chinesas aos EUA e a tensão Rússia‑Estados Unidos no Caribe.
O que o Banco Central revelou?
O BC informou que as concessões de crédito caíram 6,6 % em novembro em relação a outubro. A queda foi mais acentuada nas operações direcionadas (‑14,3 %) – aquelas com regras definidas pelo governo, como financiamento habitacional – e de 5,6 % nos recursos livres, onde bancos e clientes negociam livremente taxas e prazos.
Apesar da retração nas novas operações, o estoque total de crédito cresceu 0,9 % no mês, atingindo R$ 6,972 trilhões. Em termos práticos, isso indica que o volume de empréstimos ainda em aberto está ligeiramente maior, mas a oferta de novos recursos está esfriando.
Outros números que valem a atenção:
- Inadimplência nos empréstimos com recursos livres: 5,0 % (um ponto abaixo de outubro).
- Juros médios no crédito livre: 46,7 % ao ano, +0,6 ponto percentual.
- Spread bancário no crédito livre subiu para 33,2 pontos percentuais.
Bolsonaro indica Flávio para 2026: por que isso mexe no dólar e na bolsa?
Em carta lida pelo senador Flávio Bolsonaro, o ex‑presidente confirmou que seu filho será o indicado do PL para disputar a Presidência em 2026. A notícia tem duas consequências imediatas para o mercado:
- Redução do espaço para Tarcísio de Freitas – o governador de São Paulo, visto como mais conciliador pelos investidores, perde força como alternativa.
- Percepção de continuidade – a indicação de Flávio reforça a ideia de que o governo atual (Lula) terá menos necessidade de fazer concessões ao campo conservador, o que pode pressionar a moeda e as ações.
Em resumo, a sinalização política cria um cenário de maior incerteza. Quando os investidores não sabem ao certo quem será o próximo presidente, tendem a buscar segurança em ativos mais estáveis, como o dólar, e a reduzir a exposição em ações, explicando a leve queda do Ibovespa.
Geopolítica em foco: China, Rússia e os EUA
A China revisou para baixo sua projeção de PIB para 2024, agora em 134,8 trilhões de iuanes (US$ 19,23 trilhões). Além disso, Pequim impôs sanções a 10 pessoas e 20 empresas do setor de defesa dos EUA, incluindo uma unidade da Boeing. O objetivo: punir a venda de armas americanas a Taiwan.
Do outro lado, a Rússia acusou os EUA de “pirataria” no Caribe após um bloqueio à Venezuela, elevando ainda mais as tensões. Embora esses episódios pareçam distantes do cotidiano brasileiro, eles afetam a liquidez global e, por consequência, o fluxo cambial que chega ao Brasil.
Como tudo isso se reflete no seu bolso?
Para quem tem cartão de crédito, financiamento ou investimentos, a estabilidade do dólar pode ser boa notícia: menos volatilidade significa que o preço dos produtos importados e das dívidas em moeda estrangeira não vai oscilar tanto. Por outro lado, a queda da bolsa indica que os investidores estão mais cautelosos, o que pode gerar oportunidades de compra a preços mais baixos para quem tem perfil de risco.
Algumas dicas práticas:
- Reveja seu orçamento: se o dólar permanecer estável, os preços de eletrônicos, roupas e viagens ao exterior podem não subir abruptamente. Use isso a seu favor para planejar compras maiores.
- Analise sua carteira de investimentos: a leve queda do Ibovespa pode ser um sinal para diversificar, talvez incluindo ativos internacionais ou fundos de renda fixa que se beneficiam de juros mais altos.
- Fique de olho nas taxas de crédito: com o aumento dos juros no crédito livre (46,7 % ao ano), evite parcelar compras caras. Negocie melhores condições ou opte por pagamento à vista quando possível.
- Acompanhe a política: a indicação de Flávio Bolsonaro pode mudar o cenário de políticas econômicas nos próximos anos. Entender quem está no poder ajuda a antecipar mudanças em impostos, investimentos públicos e regulação.
Perspectivas para o próximo trimestre
O que podemos esperar?
- Continuidade da estabilidade cambial – a menos que surjam choques externos (como novas sanções ou crises energéticas), o dólar deve se manter próximo ao nível atual.
- Volatilidade moderada na bolsa – com a agenda ainda curta, movimentos bruscos são improváveis, mas a incerteza política pode gerar oscilações pontuais.
- Pressão sobre o crédito – o Banco Central pode manter políticas mais restritivas para conter a inflação, o que significa que o custo do crédito pode permanecer alto.
Em suma, o cenário não é de grandes surpresas, mas de atenção a detalhes que podem impactar seu planejamento financeiro.
Conclusão
O dólar está estável, a bolsa recuou levemente e a política brasileira está em ebulição com a indicação de Flávio Bolsonaro. Tudo isso, somado a tensões internacionais, cria um ambiente de cautela para investidores e consumidores.
Para quem quer proteger o poder de compra, a estratégia mais segura ainda é manter um fundo de emergência em reais, evitar dívidas caras e, se possível, diversificar investimentos. E, claro, ficar de olho nas notícias – porque, como vimos, até um detalhe como uma carta de indicação pode fazer o mercado mudar de rumo.
Se você quiser acompanhar mais de perto esses movimentos, baixe o app do G1 e ative as notificações. Assim, você não perde nenhuma mudança que pode afetar seu dinheiro.



