Na manhã desta terça‑feira (6), o dólar recuou 0,48% e ficou cotado a R$ 5,3794, marcando a quarta desvalorização consecutiva. Enquanto a moeda estrangeira perde força, o Ibovespa reage ao alívio e sobe 1,11%, fechando em 163.664 pontos. Parece boa notícia, mas o que realmente está por trás desses movimentos e como eles podem impactar o seu dia a dia?
Por que o dólar está caindo?
O preço do dólar é influenciado por uma combinação de fatores internos e externos. Nesta semana, três grandes temas dominaram a conversa dos investidores:
- Crise política na Venezuela: O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Venezuela não deve realizar eleições nos próximos 30 dias e sugeriu apoio americano à reconstrução da indústria petrolífera venezuelana. Essa postura gera incerteza sobre o futuro do petróleo latino‑americano, o que pressiona os mercados globais.
- Dados econômicos dos EUA: O PMI de dezembro dos Estados Unidos sinalizou uma desaceleração na atividade econômica. Além disso, o discurso de Tom Barkin, presidente do Federal Reserve de Richmond, pode indicar mudanças nos juros americanos, afetando a atratividade do dólar.
- Desempenho da balança comercial brasileira: O superávit de US$ 68,3 bilhões em 2025 caiu 7,9% em relação ao ano anterior, e as exportações para os EUA recuaram 6,6%. Menos demanda externa costuma reduzir a pressão de compra de dólares.
Esses elementos criam um cenário de menor demanda por dólares e maior aversão ao risco, favorecendo o real e impulsionando a bolsa local.
Como a queda do dólar afeta o seu bolso?
Para quem faz compras online, viaja ao exterior ou tem dívidas em moeda estrangeira, a desvalorização do dólar traz alívio imediato. Veja alguns exemplos práticos:
- Importação de produtos: Se você costuma comprar eletrônicos ou roupas de sites internacionais, o preço final em reais diminui. Um iPhone que custava R$ 7.000 pode cair para cerca de R$ 6.500.
- Viagens ao exterior: A cotação mais baixa significa que seu dinheiro rende mais em dólares. Uma viagem de US$ 1.000, que antes custava R$ 5.200, agora sai por aproximadamente R$ 5.380.
- Dívidas em dólar: Empresas e consumidores com empréstimos indexados ao dólar sentem a pressão diminuir, já que o valor da dívida em reais cai.
Mas atenção: a moeda pode se recuperar a qualquer momento, especialmente se houver mudança nas políticas dos EUA ou se a situação na Venezuela se estabilizar. Por isso, é sempre bom manter uma margem de segurança nos orçamentos.
O que a alta do Ibovespa indica para os investidores?
O índice Bovespa subiu 1,11% nesta sessão, refletindo o otimismo dos investidores brasileiros diante da queda do dólar e das notícias de que o mercado internacional está menos preocupado com um choque geopolítico maior. Alguns pontos que merecem destaque:
- Setor de tecnologia: Ações de chips como Nvidia, SanDisk, Western Digital e Seagate dispararam, impulsionadas por expectativas de crescimento da inteligência artificial.
- Petróleo: Apesar da queda nas ações de ExxonMobil e Chevron, o debate sobre a retomada da produção venezuelana pode criar oportunidades de curto prazo para investidores que acompanham o mercado de commodities.
- Saúde e farmacêuticos: A Moderna subiu 10% após a elevação do preço‑alvo pela BofA, mostrando que o setor ainda tem espaço para valorização.
Para quem pensa em aplicar recursos, a diversificação continua sendo a estratégia mais segura. O momento pode ser propício para aumentar a exposição a ações de tecnologia, mas é essencial acompanhar os indicadores macroeconômicos, como a taxa de juros dos EUA e a política fiscal brasileira.
Perspectivas para 2026: o que esperar?
Analistas apontam que a trajetória do dólar nos próximos meses dependerá de três pilares:
- Política monetária americana: Se o Federal Reserve mantiver ou elevar os juros, o dólar tende a se fortalecer novamente.
- Desenvolvimentos na Venezuela: Uma possível retomada da produção de petróleo pode aumentar a oferta global e pressionar ainda mais o preço do barril, afetando indiretamente o dólar.
- Desempenho da economia brasileira: A recuperação da balança comercial e a estabilidade política são fundamentais para sustentar a valorização do real.
Em resumo, a queda do dólar que vimos hoje é um alívio temporário, mas não deve ser encarada como uma tendência definitiva. Mantenha-se informado, revise suas finanças periodicamente e, se possível, busque orientação de um especialista antes de tomar decisões de investimento.
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