Na manhã desta segunda‑feira (26), o dólar deu mais um passo para trás, fechando em R$ 5,2798 – o menor nível dos últimos dois meses. Para quem acompanha a bolsa, o Ibovespa também deu uma pausa, caindo 0,08% e encerrando o dia em 178.721 pontos. Mas, além dos números, o que realmente importa são as consequências práticas para a gente que vive de salário, investimentos e compras internacionais.
Por que o dólar está caindo?
O movimento do câmbio costuma ser uma mistura de fatores internos e externos. Nesta semana, o grande destaque foi a chamada Superquarta, quando tanto o Federal Reserve (Fed) dos EUA quanto o Banco Central do Brasil (BCB) divulgam suas decisões de juros. A expectativa era de manutenção das taxas: 3,50% a 3,75% nos EUA e 15% ao ano aqui.
Quando os bancos centrais mantêm os juros estáveis, o mercado costuma reagir com alívio, porque não há surpresa de aperto monetário que possa encarecer o crédito. Isso, somado a um clima de incerteza geopolítica – como as recentes ameaças de Donald Trump a países que não cooperarem com os EUA – fez os investidores buscar ativos considerados mais seguros, como o dólar, mas ao mesmo tempo, a cautela fez o preço da moeda recuar um pouco.
Geopolítica e o impacto no câmbio
Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar tarifas de 100% sobre produtos canadenses caso o Canadá feche acordo comercial com a China. Além disso, a nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA fala em usar força militar contra países que não colaborarem. Embora essas ameaças pareçam distantes da realidade brasileira, elas mexem com a confiança dos investidores globais.
Quando há risco de conflito ou de barreiras comerciais, o fluxo de capitais tende a buscar refúgio em moedas consideradas estáveis – o dólar costuma ser esse porto seguro. No entanto, se a expectativa for de que os EUA vão adotar políticas mais agressivas, o dólar pode perder força frente a moedas de mercados emergentes que oferecem juros mais atrativos, como o real.
Como isso afeta o seu dia a dia?
- Compras online e viagens internacionais: com o dólar mais barato, produtos importados, passagens aéreas e reservas em hotéis fora do país ficam mais acessíveis. Se você costuma comprar eletrônicos ou roupas em sites estrangeiros, pode aproveitar para fechar negócios.
- Investimentos: fundos de investimento que têm exposição ao dólar (como alguns ETFs ou ações de empresas exportadoras) podem ter desempenho mais modesto. Por outro lado, quem tem aplicações em reais pode ver um ganho relativo, já que o custo de oportunidade diminui.
- Endividamento: para quem tem empréstimos ou financiamentos atrelados ao dólar (não muito comum no Brasil, mas existe em algumas operações de importação), a queda da moeda significa parcelas menores.
É claro que essas mudanças não são drásticas da noite para o dia, mas ajudam a entender por que o preço do dólar importa muito mais do que parece.
O que dizem os economistas?
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, trouxe boas notícias: a projeção de inflação para 2026 foi reduzida de 4,02% para 4,0%. A expectativa é que a Selic caia para 12,25% ao final de 2026, o que pode aliviar o peso dos juros altos nos empréstimos e no crédito ao consumo.
Além disso, o PIB tem previsão de crescimento de 1,8% em 2026 – um ritmo mais modesto que o de 2025, mas ainda positivo. E, segundo o mesmo Focus, o dólar deve fechar 2026 em torno de R$ 5,51. Se a tendência de queda continuar, podemos esperar um cenário mais favorável para importações e turismo.
O que observar nos próximos dias?
Os olhos do mercado estão voltados para duas decisões importantes:
- Resultado da Superquarta: se o Fed mantiver os juros estáveis, o dólar pode continuar em trajetória de leve queda. Caso haja surpresa de aumento, o efeito pode ser o oposto.
- Possível indicação do próximo presidente do Fed: rumores de que Trump anunciará o sucessor de Jerome Powell ainda esta semana criam incerteza. Um nome mais alinhado com a política de redução de juros pode pressionar ainda mais o dólar para baixo.
Além disso, a tensão política nos EUA – como a ameaça de um shutdown (paralisação do governo) – pode gerar volatilidade nos mercados globais. Quando o governo americano entra em impasse, investidores costumam buscar segurança em moedas diferentes do dólar, o que pode beneficiar o real.
Resumo prático para você
Se você está pensando em:
- Viajar ao exterior – aproveite a cotação mais baixa para fechar passagens e reservas.
- Comprar produtos importados – o momento é favorável; compare preços e veja se a economia compensa o frete.
- Investir – reavalie a carteira: talvez seja hora de reduzir exposição a ativos dolarizados e aumentar posições em renda fixa nacional, que podem render mais com a queda da Selic.
Mas lembre‑se: o mercado de câmbio é volátil. O que vale hoje pode mudar amanhã, então mantenha um plano de longo prazo e não se deixe levar por emoções.
Em resumo, a queda do dólar traz boas oportunidades, mas também exige atenção. Fique de olho nas decisões de juros, nas notícias geopolíticas e nos indicadores econômicos brasileiros. Assim, você consegue transformar um simples número de cotação em uma estratégia que realmente faz diferença no seu bolso.



