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Dólar em alta e Ibovespa em alta: o que isso significa para o seu bolso na época de eleições

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Dólar em alta e Ibovespa em alta: o que isso significa para o seu bolso na época de eleições

Na manhã de sexta‑feira (26), o dólar fechou em alta de 0,16%, cotado a R$ 5,5438, enquanto o Ibovespa subiu 0,27%, alcançando 160.897 pontos. Pode parecer só mais um número nos noticiários, mas, na prática, esses movimentos afetam diretamente o que a gente paga no supermercado, o custo dos empréstimos e até o valor das nossas economias.



Por que o dólar sobe agora?

O cenário não é aleatório. Vários fatores convergem: a reabertura dos mercados após o feriado de Natal trouxe uma agenda enxuta, mas ainda assim dados econômicos, decisões políticas e tensões geopolíticas mexem no humor dos investidores. No Brasil, o Banco Central avisou que as concessões de crédito recuaram 6,6% em novembro e que o fluxo cambial foi negativo em US$ 3,363 bilhões até 19 de dezembro. Essa saída de dólares do país pressiona a moeda a subir.



O efeito da corrida eleitoral

O clima político também pesa. O ex‑presidente Jair Bolsonaro, mesmo preso, confirmou em carta que seu filho Flávio será o pré‑candidato do PL para 2026. Essa notícia reduziu o espaço para Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, que era visto como um nome mais “amigável” ao mercado. Quando o cenário político parece menos incerto, os investidores tendem a buscar segurança em ativos mais estáveis, como o dólar.



Como isso impacta o seu dia a dia?

Se você tem dívidas em moeda estrangeira, como cartão de crédito internacional ou financiamento de carro importado, a alta do dólar encarece o pagamento. Por outro lado, quem tem investimentos atrelados ao dólar – fundos cambiais, por exemplo – vê o valor subir. Mas tem um ponto que costuma passar despercebido: a alta do dólar costuma elevar os juros internos, já que o Banco Central pode subir a taxa Selic para conter a inflação importada.

  • Empréstimos e financiamentos: juros médios no crédito livre subiram para 46,7% ao ano.
  • Consumo: produtos importados, como eletrônicos e roupas, ficam mais caros.
  • Investimentos: fundos cambiais e ações de empresas exportadoras tendem a se valorizar.

O que os analistas dizem?

Especialistas apontam que a indicação de Flávio Bolsonaro reforça a percepção de continuidade do atual governo, o que pode pressionar ainda mais o câmbio e a bolsa. Ao mesmo tempo, a queda nas concessões de crédito indica que os bancos estão mais cautelosos, o que pode limitar a disponibilidade de recursos para empresas e consumidores.

Contexto internacional

No exterior, a cautela também domina. A China revisou para baixo seu PIB de 2024, agora estimado em 134,8 trilhões de iuanes, e impôs sanções a 10 pessoas e 20 empresas dos EUA por vender armas a Taiwan. A Rússia, por sua vez, acusou os EUA de “pirataria” no Caribe após um bloqueio à Venezuela, elevando as tensões. Essas notícias criam um ambiente de incerteza que favorece o dólar como “porto seguro”.

Bolsa de valores ao redor do mundo

Enquanto o Ibovespa avançava, Wall Street fechou em leve queda (S&P 500 -0,03%). Na Ásia, a bolsa de Xangai registrou sua oitava sessão consecutiva de alta, impulsionada pelo fortalecimento do iuan. O Nikkei, o Kospi e o Taiex também subiram. Essa divergência mostra como os investidores se posicionam de forma diferente conforme a região.

O que fazer agora?

Para quem está planejando a próxima compra grande, como um carro ou uma reforma, vale a pena observar a tendência do dólar nos próximos dias. Se a alta continuar, pode ser estratégico adiar a compra ou buscar opções de pagamento em reais. Já quem pensa em investir, pode considerar diversificar: fundos de renda fixa atrelados ao CDI, ações de empresas que se beneficiam da desvalorização do real ou até mesmo uma pequena fatia em fundos cambiais.

Outra dica prática é ficar de olho nas taxas de juros. O aumento do spread bancário – que passou de 32,4 para 33,2 pontos percentuais – indica que os bancos estão repassando custos maiores ao consumidor. Compare sempre as ofertas antes de fechar um contrato de crédito.

Resumo rápido

  • Dólar em alta: R$ 5,5438 (+0,16%).
  • Ibovespa em alta: 160.897 pontos (+0,27%).
  • Crédito bancário recuou 6,6% em novembro.
  • Flávio Bolsonaro confirmado como pré‑candidato para 2026.
  • Tensões geopolíticas (China, Rússia, EUA) mantêm o dólar como ativo de refúgio.

Em resumo, a combinação de política interna, dados de crédito e acontecimentos globais está empurrando o dólar para cima e, ao mesmo tempo, impulsionando a bolsa brasileira. Entender esses movimentos ajuda a tomar decisões financeiras mais conscientes, seja para poupar, investir ou simplesmente planejar as despesas do dia a dia.