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Do tapete vermelho ao palco da crise: como uma noite no Coldplay virou lição de gestão de reputação

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Do tapete vermelho ao palco da crise: como uma noite no Coldplay virou lição de gestão de reputação

Quando eu fui ao primeiro show do Coldplay que consegui, nem imaginava que aquele momento de música e luzes se transformaria em um caso de estudo para gestores de crise. A história começou de forma bem comum: um casal de executivos da empresa de tecnologia Astronomer, Kristin Cabot, diretora de recursos humanos, e Andy Byron, o CEO, foram surpreendidos pela famosa “Kiss Cam” durante o concerto em Boston. O que era para ser um momento engraçado acabou virando um viral que gerou milhares de comentários, ameaças e, finalmente, uma nova carreira para Kristin como palestrante de comunicação de crise.



## O que realmente aconteceu naquele palco?

Em julho de 2025, enquanto a plateia cantava “Fix You”, a tela do estádio mostrou o casal abraçado, e o vocalista Chris Martin brincou ao vivo que eles pareciam estar “tendo um caso ou sendo muito tímidos”. O vídeo foi rapidamente repostado no TikTok, ultrapassando 100 milhões de visualizações. Dentro de dias, a Astronomer já lidava com uma crise interna: os executivos foram identificados, o conselho foi acionado e, pouco tempo depois, ambos deixaram a empresa.

## Por que isso virou assunto tão grande?

– **Exposição massiva:** O vídeo circulou em várias plataformas, atingindo não só fãs de música, mas também profissionais de RH, advogados e jornalistas.
– **Reação do público:** Comentários variavam de curiosidade a críticas severas, inclusive acusações de que a diretora estaria tentando “lucro” com a situação.
– **Impacto pessoal:** Kristin relatou ameaças de morte, perseguição, 600 ligações diárias e invasão de privacidade – um cenário que nenhum profissional de comunicação gostaria de enfrentar.



## Da queda à ascensão: a virada de carreira

Cinco meses depois, Kristin decidiu romper o silêncio em entrevista ao *The New York Times*. Ela descreveu o turbilhão emocional, a pressão sobre a família e a necessidade de retomar o controle da narrativa. Foi então que recebeu o convite para ser palestrante na conferência **PRWeek D.C.**, em abril, com a palestra “Retomando a Narrativa”. Os ingressos, que chegam a US$ 875 (cerca de R$ 4 mil), geraram novamente polêmica: seria ela estar se aproveitando do escândalo?

Mas, para mim, o ponto mais interessante está na forma como Kristin transformou um momento constrangedor em uma oportunidade de ensino. Ela passou a ser vista não só como vítima, mas como especialista em **gestão de crise**, oferecendo insights reais baseados em experiência vivida.

## Lições práticas que todo profissional pode aplicar

1. **Prepare um plano de comunicação antes que a crise aconteça** – Tenha mensagens‑chave, porta‑vozes treinados e protocolos de resposta rápida.
2. **Seja transparente, mas estratégico** – Admitir erros rapidamente pode reduzir especulações, mas é preciso equilibrar com a proteção de informações sensíveis.
3. **Monitore as redes em tempo real** – Ferramentas de listening ajudam a identificar picos de menções e a reagir antes que o rumor se espalhe.
4. **Cuide da saúde mental da equipe** – Crises geram estresse; oferecer suporte psicológico evita desgaste e mantém a produtividade.
5. **Transforme a crise em aprendizado** – Documente o que funcionou (e o que não funcionou) para melhorar processos futuros.



## O que isso significa para você, leitor?

Se você trabalha em RH, marketing ou qualquer área que lida com a reputação da empresa, a história de Kristin serve como um alerta: **a linha entre o pessoal e o profissional pode desaparecer num clique**. Em um mundo onde tudo é registrado e compartilhado instantaneamente, a atenção aos detalhes do comportamento offline se torna tão importante quanto a estratégia de marca.

Imagine que um dos seus colaboradores seja flagrado em uma situação comprometedora nas redes. Como você reagiria? Ignoraria, esperaria que o assunto se apagasse ou entraria em ação imediatamente? A resposta depende do seu plano de crise, mas a experiência de Kristin mostra que a rapidez e a empatia são cruciais.

## Um olhar para o futuro da comunicação de crise

Com a ascensão de tecnologias como IA para monitoramento de mídia e deep‑fakes que podem manipular imagens, a gestão de reputação vai exigir ainda mais vigilância. Empresas precisarão investir em:

– **Sistemas de alerta precoce** que detectam menções suspeitas antes que se tornem virais.
– **Treinamento contínuo** de porta‑vozes, inclusive em situações de alta carga emocional.
– **Políticas claras de uso de redes sociais** para todos os funcionários, definindo limites entre vida pessoal e profissional.

A história de um abraço inesperado no meio de um show pode parecer um caso isolado, mas ela ilustra a fragilidade da imagem corporativa na era digital. Se você ainda não tem um plano de crise, talvez seja hora de começar a esboçar um. E, se já tem, revise-o à luz desses novos aprendizados.

## Conclusão

O que começou como um momento de descontração acabou revelando o poder (e o perigo) da exposição nas redes. Kristin Cabot, ao transformar a própria dor em conhecimento, demonstra que até os episódios mais embaraçosos podem gerar valor quando bem administrados. Para quem quer se proteger de crises ou aprender a lidar com elas, a mensagem é clara: **preparação, transparência e empatia são as chaves**.

E você, já passou por alguma situação que virou assunto nas redes? Como reagiu? Compartilhe nos comentários – a troca de experiências pode ser a melhor lição de todas.