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Desemprego em baixa histórica: o que isso realmente significa para o seu bolso

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Desemprego em baixa histórica: o que isso realmente significa para o seu bolso

Os últimos números do IBGE trazem uma notícia que parece boa demais para ser verdade: a taxa de desocupação caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, o menor patamar desde que a série começou em 2012. Mas, antes de comemorar, vale a pena entender o que esses números realmente dizem sobre o mercado de trabalho e, principalmente, sobre a vida de quem está procurando emprego ou já tem um cargo.



Como chegamos a esse número?

O IBGE apontou que a população desocupada – ou seja, quem está à procura de trabalho – soma 5,5 milhões de pessoas. Isso representa uma queda de 9% em relação ao trimestre anterior e quase 18% a menos que no mesmo período de 2024. Ao mesmo tempo, o número de ocupados bateu recorde: 103 milhões de brasileiros têm algum tipo de atividade remunerada, um aumento de 0,6% no trimestre e 1,1% no ano.



O que está por trás da queda do desemprego?

Não é só questão de mais vagas surgindo. A análise do IBGE mostra que o crescimento foi concentrado em setores menos dependentes de crédito e mais intensivos em serviços, como comércio de veículos e administração pública. Esses ramos tendem a gerar empregos mais estáveis, o que ajuda a reduzir a taxa de subutilização da força de trabalho, que agora está em 13,4% – também a menor da história.

Formalidade e informalidade: o dilema ainda persiste

Mesmo com a alta de empregos formais (39,4 milhões com carteira assinada), a taxa de informalidade ainda está em 37,6%, ou seja, quase quatro em cada dez trabalhadores continuam sem registro oficial. Isso significa que, embora haja mais gente ocupada, boa parte ainda não tem acesso a benefícios como aposentadoria, seguro-desemprego ou licença-maternidade.



Renda média em alta – mas será suficiente?

O rendimento real habitual médio subiu para R$ 3.613, o maior valor já registrado. Um aumento de 5% no ano pode parecer significativo, mas quando se considera a inflação e o custo de vida crescente, a sensação de melhoria pode variar bastante entre as diferentes regiões e categorias de trabalhadores.

O que isso muda para quem está procurando emprego?

Se você está na fila do Sine ou enviando currículos online, a queda da taxa de desocupação indica que o mercado está absorvendo mais candidatos. Contudo, a concorrência ainda é alta nos setores com maior demanda, e a informalidade alta mostra que muitas vagas ainda são temporárias ou sem garantias. Investir em qualificação pode ser o diferencial que vai transformar uma vaga informal em um contrato formal.

Como usar esses dados a seu favor?

  • Fique de olho nas áreas em alta: comércio de veículos, administração pública e serviços de informação têm registrado crescimento.
  • Qualifique-se: cursos técnicos ou de curta duração em áreas como logística, TI e gestão pública podem abrir portas.
  • Negocie benefícios: ao receber uma proposta, pergunte sobre registro em carteira, plano de saúde e vale-transporte – são sinais de formalização.
  • Planeje finanças: com a renda média em alta, é hora de rever orçamento, pagar dívidas e começar a investir, mesmo que em pequenos valores.

O que esperar para o próximo trimestre?

Os analistas do IBGE acreditam que a tendência de crescimento pode se manter, mas alertam para riscos externos – como variações no preço das commodities ou crises internacionais – que podem impactar a confiança das empresas e, consequentemente, a criação de vagas. Por isso, manter-se atualizado e flexível continua sendo a melhor estratégia.

Em resumo, a queda do desemprego traz boas notícias, mas também revela desafios ainda presentes, como a alta informalidade e a necessidade de qualificação contínua. Se você está no mercado de trabalho, use esses indicadores como um mapa: identifique onde há mais oportunidades, invista em habilidades relevantes e não deixe de negociar condições que garantam mais segurança e benefícios.