Na última semana o IBGE divulgou os números da pesquisa de emprego do trimestre que terminou em dezembro de 2025. A taxa de desocupação caiu para 5,1%, o menor patamar desde que a série começou, em 2012. Parece boa notícia, não é? Mas o que esses números realmente trazem para a nossa vida cotidiana, para quem está procurando um primeiro emprego, para quem pensa em mudar de carreira ou até para quem já está na ativa? Vou destrinchar tudo isso aqui, de forma simples e direta, como se a gente estivesse batendo um papo no café.
Entendendo os números
Antes de mergulhar nas implicações, vale a pena entender o que cada dado representa:
- Taxa de desocupação: 5,1% – número de pessoas que estão sem trabalho e procurando ativamente.
- População desocupada: 5,5 milhões de pessoas – o menor número da série histórica.
- População ocupada: 103 milhões – recorde histórico, um aumento de 0,6% no trimestre.
- Taxa de informalidade: 37,6% – ainda alta, mas estável em relação ao trimestre anterior.
- Rendimento médio real: R$ 3.613 – o maior da série, com alta de 5% no ano.
Por que a taxa de desemprego caiu?
Alguns fatores que ajudaram a melhorar o cenário:
- Expansão de setores menos dependentes de crédito: comércio de veículos, serviços públicos e saúde cresceram, criando vagas que não exigem grandes investimentos.
- Aumento de trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões, um recorde, indicando que mais gente está empreendendo.
- Melhora na renda: salários reais subiram, o que estimula o consumo e, por consequência, a demanda por mão‑de‑obra.
Esses movimentos criam um ciclo positivo: mais gente ganha, compra mais, as empresas vendem mais e contratam mais.
O que isso muda para quem está procurando emprego?
Se você está na fila do Sine, ou enviando currículos online, a queda da taxa de desocupação pode ser um sinal de que o mercado está mais receptivo. Mas atenção: a taxa de informalidade ainda está em 37,6%, ou seja, quase 4 em cada 10 trabalhadores ainda estão sem carteira assinada.
Algumas dicas práticas:
- Foque em setores em alta: comércio de veículos, serviços públicos, saúde e educação.
- Invista em qualificação: cursos curtos de manutenção de veículos, atendimento ao cliente ou certificações de saúde podem abrir portas.
- Considere o trabalho por conta própria: se tem uma habilidade (costura, conserto de eletrônicos, aulas particulares), o número recorde de autônomos mostra que há espaço para crescer.
Impactos para quem já tem emprego
Para quem já está empregado, a boa notícia é a elevação do salário médio real. Se o seu salário acompanha a média de R$ 3.613, você está ganhando mais poder de compra do que há alguns anos. Mas não se engane: a informalidade ainda é alta, e muitos ainda recebem menos que isso.
Se você tem carteira assinada, vale a pena observar que o número de trabalhadores formais no setor privado chegou a 39,4 milhões – recorde. Isso pode significar mais estabilidade, benefícios e possibilidades de crescimento dentro da empresa.
Desafios que ainda permanecem
Mesmo com os números animadores, há questões que precisam de atenção:
- Desalentados: 2,6 milhões de pessoas desistiram de procurar trabalho. Isso pode ser um reflexo de falta de qualificação ou de oportunidades nas regiões onde moram.
- População fora da força de trabalho: 66,2 milhões – um número que inclui estudantes, aposentados e quem não quer ou não pode trabalhar. O crescimento anual de 2,1% indica que mais gente está se afastando do mercado ativo.
- Taxa de subutilização: 13,4% – pessoas que trabalham, mas não têm horas suficientes. Isso ainda representa perda de renda e produtividade.
Esses pontos mostram que, apesar da queda no desemprego, ainda há muita gente que não está inserida plenamente no mercado.
O que esperar para 2026?
Se a tendência continuar, podemos ver a taxa de desocupação ainda mais baixa, talvez perto de 4,5% nos próximos trimestres. No entanto, a informalidade pode demorar mais para cair, já que requer reformas estruturais, como facilitação de abertura de empresas e incentivos à formalização.
Para quem pensa em se preparar para o futuro, vale a pena acompanhar as áreas que mais têm crescido:
- Tecnologia da informação: salários acima da média e alta demanda por profissionais.
- Serviços de saúde: envelhecimento da população garante vagas estáveis.
- Energia renovável e agropecuária: setores que têm recebido investimentos governamentais.
Além disso, a qualificação contínua – seja via cursos online, workshops ou certificações – será o diferencial para quem quiser se destacar.
Resumo rápido
- Desemprego em 5,1% – menor desde 2012.
- População ocupada em recorde: 103 milhões.
- Rendimento médio real de R$ 3.613 – maior da série.
- Informalidade ainda alta (37,6%).
- Setores em alta: comércio de veículos, serviços públicos, saúde, tecnologia.
Em suma, o cenário está melhorando, mas ainda há muito a ser feito. Se você está buscando uma vaga, invista em qualificação nas áreas que crescem. Se já tem emprego, aproveite o aumento de renda e pense em como se formalizar ainda mais. E, claro, fique de olho nos números – eles contam a história de onde estamos e para onde vamos.



