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Déficit nas contas públicas em novembro: o que isso significa para o seu bolso

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Déficit nas contas públicas em novembro: o que isso significa para o seu bolso

As contas do setor público consolidado fecharam novembro com um déficit primário de R$ 14,4 bilhões, segundo o Banco Central divulgado nesta terça‑feira (30). À primeira vista, o número parece assustador, mas entender o que está por trás desses números ajuda a perceber como isso pode afetar a gente no dia a dia.



**O que é déficit primário?**

Em termos simples, o déficit primário acontece quando a soma dos tributos e impostos arrecadados fica menor que as despesas do governo – excluindo, nesse cálculo, o pagamento de juros da dívida pública. Quando a arrecadação supera os gastos, temos superávit primário. Essa diferença pode parecer só um detalhe contábil, mas tem impactos diretos nas políticas públicas, nos investimentos e, claro, nos impostos que pagamos.



**Como chegamos a esse número?**

O resultado de novembro não é apenas a soma de tudo que o governo federal fez. Ele inclui estados, municípios e empresas estatais. No mês, o governo federal registrou um saldo negativo de R$ 16,9 bilhões. Por outro lado, estados e municípios tiveram um pequeno superávit de R$ 5,3 bilhões, enquanto as estatais apresentaram déficit de R$ 2,9 bilhões. Quando juntamos tudo, o déficit primário ficou em R$ 14,4 bilhões.



**Acumulado do ano: o panorama completo**

Se olharmos o acumulado de janeiro a novembro, o déficit primário totaliza R$ 61,3 bilhões. Desses, R$ 10,3 bilhões são provenientes das estatais, que têm tido desempenho negativo ao longo do ano. As empresas federais, por exemplo, acumularam déficit de R$ 6,3 bilhões, enquanto as estatais estaduais e municipais somaram R$ 3,7 bilhões e R$ 365 milhões, respectivamente.

Comparado ao mesmo período do ano passado, o cenário ainda é ligeiramente melhor: em 2023, o déficit primário acumulado chegou a R$ 63,3 bilhões. Ainda assim, a conta continua no vermelho, o que indica que o governo tem que encontrar formas de equilibrar receitas e despesas antes que a situação se torne insustentável.

**Dívida pública: o peso do déficit**

A dívida do setor público consolidado subiu 0,6 ponto percentual em novembro, alcançando 79,0 % do PIB – o que corresponde a cerca de R$ 10 trilhões. Esse percentual é a medida mais usada pelos especialistas para comparar a dívida de diferentes países, pois relaciona o total da dívida ao tamanho da economia. No acumulado do ano, a dívida subiu 2,8 pontos percentuais do PIB.

Mas o que isso tem a ver com a gente? Quando a dívida cresce, o governo precisa pagar mais juros, o que consome parte do orçamento que poderia ser usado em saúde, educação ou infraestrutura. Além disso, um nível alto de dívida pode elevar a percepção de risco do país nos mercados internacionais, o que, por sua vez, pode encarecer o custo de novos empréstimos.

**Por que o déficit aumentou em relação a 2023?**

Alguns fatores ajudam a explicar a piora:

– **Despesas extraordinárias:** O governo federal tem enfrentado gastos inesperados, como auxílios emergenciais e investimentos em segurança pública.
– **Queda na arrecadação:** Mesmo com a inflação alta, a base tributária não cresceu como o esperado, em parte por efeitos da crise econômica que reduz o consumo e a atividade das empresas.
– **Desempenho das estatais:** Empresas como a Petrobras e a Eletrobras registraram prejuízos, refletindo em resultados negativos nas contas consolidadas.

**O que isso significa para o cidadão comum?**

1. **Possível aumento de impostos ou criação de novos tributos.** Quando o governo precisa fechar o caixa, a medida mais rápida costuma ser elevar a carga tributária.
2. **Corte ou postergação de investimentos públicos.** Projetos de infraestrutura, saneamento e transporte podem ser adiados ou reduzidos.
3. **Pressão sobre serviços públicos.** Saúde e educação podem sentir a falta de recursos, afetando a qualidade e a disponibilidade dos serviços.
4. **Risco de inflação.** Se o governo optar por financiar o déficit emitindo mais moeda, pode haver aumento de preços.

**Como podemos nos preparar?**

– **Revisar o orçamento familiar.** Avaliar gastos e buscar economias pode ajudar a enfrentar possíveis aumentos de impostos.
– **Investir em educação financeira.** Conhecer opções de investimentos mais seguros pode proteger o patrimônio em tempos de instabilidade.
– **Acompanhar a política fiscal.** Ficar atento às propostas de reforma tributária e ao debate sobre a gestão das estatais ajuda a entender as mudanças que podem vir.

**O que esperar para o futuro?**

Especialistas apontam que, embora 2025 deva apresentar melhora em relação a anos anteriores, o déficit ainda será uma realidade. O desafio será encontrar um equilíbrio entre cortar gastos desnecessários e manter investimentos estratégicos. A reforma das estatais, por exemplo, pode ser um caminho para reduzir o rombo das empresas públicas, mas exige consenso político e transparência.

A longo prazo, a sustentabilidade fiscal depende de duas coisas: **crescimento econômico** – que amplia a base de arrecadação – e **eficiência na gestão pública** – que reduz desperdícios. Enquanto o país não conseguir avançar nesses dois fronts, o déficit primário continuará sendo um tema quente nas discussões de política econômica.

Em resumo, o déficit de R$ 14,4 bilhões em novembro é mais que um número em planilhas; ele reflete desafios que podem tocar a vida de todos nós, seja nos impostos que pagamos, nos serviços que usamos ou nas oportunidades de investimento que buscamos. Ficar informado e entender o que está por trás desses números é o primeiro passo para lidar melhor com as consequências.

**Conclusão**

A situação fiscal do Brasil ainda é delicada, mas não está fora de controle. O importante é acompanhar as medidas que o governo adotar, cobrar transparência e, no âmbito pessoal, ajustar o planejamento financeiro para enfrentar possíveis impactos. Afinal, a saúde das contas públicas é, em última análise, a saúde da nossa economia e do nosso dia a dia.